Os acontecimentos, agora, se encaminham
para uma solução que poucos meses antes era
absolutamente imprevisível: o fim da Monarquia
e a proclamação da República.

A GUERRA E A
QUEDA DO REI
 

De 1788 A 1791, o ritmo irresistível da sociedade francesa é resultado de fenômenos puramente internos: a resistência do rei e a agitação popular. Por outro lado, a situação popular. por outro lado, a situação europeia é dominada pelas duas grandes diretrizes políticas da civilização do iluminismo: o nascimento do despotismo iluminista na Europa continental e a elaboração progressiva do parlamentarismo inglês.
Todavia, o equilíbrio europeu e o desequilíbrio francês continuam a alimentar a grande mudança cosmopolita e pacífica que imprime ao século 18 um misto de simpatia e hostilidade.
De fato, a Europa do iluminismo reagiu asperamente à revolução francesa. A aristocracia liberal e sobretudo o ambiente intelectual da burguesia europeia veem frequentemente refletidas suas esperanças nas notícias que chegam da França e no regime que nela se instala. Kant, Fichte, Radicev, Price têm olhos fixos sobre Paris. Os jornais revolucionários são lidos até em Petogrado e o 14 de julho é comemorado em vários países.
Por outro lado, porém, os decretos de 4 de agosto e a chegada dos primeiros emigrados favorecem a solidariedade à ordem estabelecida contra o igualitarismo francês; em fins de 1790, com as suas Reflexões
Sobre a Revolução Francesa, o

 

 inglês Burke fornece à contra revolução uma doutrina conservadora.
Os temores da nobreza se tornam mais fortes à medida que a abolição dos direitos feudais desperta as reivindicações camponesas, sobretudo nos países vizinhos: Savóia, Suíça, Bélgica, Renânia.
A própria ambiguidade da revolução francesa assume logo na Europa um caráter três vezes ecumênico: ela alimenta o entusiasmo de uma Internacional das Luzes, o ódio dos aristocratas ameaçados, as esperanças que se ocultam no grande silêncio dos camponeses.
O risco do contágio revolucionário inquieta, obviamente, todos os governos. Em Liège e nos Países Baixos austríacos explodem duas insurreições em 1789, despertando os temores da Prússia e da Áustria.

A República
ameaça a Europa

Sobretudo e não obstante seu desejo de prudência, a Assembleia francesa é conduzida a definir progressivamente um novo direito internacional. Dois fatos levam-na a isto: a supressão dos direitos feudais irrita os príncipes alemães "proprietários" na Alsácia, os quais querem de volta o tratado de Westfália; e, embora lhes propondo uma indenização, a Constituinte responde que a Alsácia é francesa não por direito    de    conquista,   mas

 

 

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