|
A REVOLUÇÃO
DAS MASSAS
No Palácio de
Versalhes, deserto de quase todos os nobres que fugiram para o exterior,
Luís XVI é mantido virtualmente prisioneiro. A Assembleia Nacional
continua a se reunir e a legislar, para derrubar, pouco a pouco, a
realidade anterior: está construindo uma nova França. Mas o rei, nem a
nobreza, ainda não bebeu o amargo cálice até o fim. A subversão do ordem
tradicional é tão generalizada que provoca o aparecimento,
depois da revolta dos deputados, e ao mesmo tempo da insurreição
municipal, de uma terceira revolução, que é a do mais baixo escalão
social do reino: é a porta aos tempos novos, pela qual o individuo se
torna cidadão e aumenta a força proporcional das massas. Mas esta exige
também sua parte, que os burgueses da cidade tendem a descuidar. É a
revolução dos campos.
É uma revolução que começa na primavera, quando as eleições reacendem
uma esperança violenta, a par do desespero nascido na crise: a injustiça
da exploração senhorial e do imposto real formam um coro unânime nos
Cahiers. Ao mesmo tempo, a miséria se espalha pelas estradas e, ao
redor das habitações, centenas de desempregados aumentam a insegurança
na zona rural. De todas as partes, o eco
|
|
misterioso da voz popular diz ao
camponês que, catástrofe ou felicidade, caos ou vitória, o momento é
decisivo.
A violência eclode na segunda quinzena de julho. Em certas regiões,
trata-se claramente de uma guerra civil, em Hainaut, na Alsácia, nos
Condados e no vale do Sena, os camponeses armados assaltam castelos ou
abadias, e queimam os antigos documentos da própria servidão, como se a
destruição dos arquivos dos senhores pudesse liberta-los, de uma vez por
todas, do dízimo e dos direitos feudais. Mas, no resto do reino, a
revolta camponesa tem um desenvolvimento mais complexo: é o que foi
chamado de O grande medo.
A notícia da tomada da Bastilha chega com atraso ao interior, e
chega com tintas carregadas, sobre os motivos do terror e as formas de
defesa. É também o momento da colheita essencial na vida rural, quando
os bandoleiros que vasculham todos os cantos são ainda mais temidos. A
imaginação camponesa os vê como mercenários a serviço dos inimigos do
povo e daquele complô aristocrático que revela também outro aspecto: a
invasão estrangeira.
A miséria
ergue a cabeça
Em
Limousin, o conde de Artois acorre a Bordeus com uma força de 16
mil homens. E teme-se também os alemães, a leste, os
|
| |
Entre os atos fundamentais
nascidos da Revolução Francesa
que influenciaram o futuro do mundo inteiro está a
Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (abaixo).
Um documento que seria a base
de todos os outros, de lá até agora,
que desejaram afirmar a dignidade do homem,
e que nasceu nas reuniões da Assembleia Nacional
de 20, 21, 23, 24 e 25 de agosto de 1789. |
| |
 |
|