Ao entardecer de 14 de julho
- depois de muitos
combates -a Bastilha é conquistada (fig. 10.1 e 10.2: a tomada Bastilha, numa pintura
da escola francesa
do século 18
e numa ilustração
popular da época)
e demolida (fig.10.3). Não é somente uma fortaleza
que cai, mas é o símbolo da prepotência real
que é abatido. Luís XVI tem
plena consciência disso e ele,
que estava tão decidido
a liquidar Necker a
11 de julho e a
formar um novo Ministério
que se anunciava claramente
como um instrumento
de repressão
à Assembleia Constituinte
é obrigado a ceder.
 

de todos os representantes da nação. O apelo começa dia 12; no dia 13, três padres de Bas Poitou, passam ao Terceiro Estado, dando início a uma série de alianças que crescem nos dias seguintes. Fortalecimento por esse apoio clerical, no dia 17, por inspiração de Sieyés, o Plenário assume a denominação de Assembleia Nacional.
Com essa decisão, o Terceiro Estado rejeita o passado, toda a sociedade classista e cria um novo poder, independente do rei. No dia seguinte, atribui a si o poder de legislar sobre impostos e põe os credores do Estado "sob tutela da honra e da lealdade da nação francesa". É uma hábil forma de dizer à multidão de burgueses parisienses que, se a bancarrota é um hábito da realeza, a proteção da democracia é uma inovação revolucionária. Nascera uma nova soberania.
O golpe do Terceiro Estado divide o campo adversário, mas reforça o que resta dele: na hora do perigo, a maior parte dos bispos e dos nobres
 

encontra em Luis XVI seu protetor
natural.  Dirigem-se a Marly, onde o rei se recolhera com a dor da morte do primogênito, e o convidam a resistir, conseguindo que seja marcada para o dia 23 uma reunião com sua presença. Enquanto isso, com a desculpa de preparativos para reunião, a grande sala do menus é fechada.

Paris reclama a
Assembleia Constituinte

No dia 20, os deputados da Assembleia Nacional encontram ainda a porta fechada. Reúnem-se na sala vizinha, no salão do jogo de pela, que imortalizaram com o juramento de "não de separar jamais, e reunir-se a qualquer momento que as circunstâncias exigirem, até que fosse decidida a constituição do reino, em bases sólidas". Qualquer coisa que acontecesse já estava dada uma resposta a eventuais ameaças do poder.
Mas, o que deseja o rei? Numa ocasião - a primeira e última -
exprime-o claramente nas duas declarações que faz ler, no dia 23.

Esse testamento monárquico concede que os impostos e várias outras taxações sejam necessariamente aprovadas pelo Estados Gerais, concede a liberdade individual e a liberdade de imprensa, a descentralização administrativa e faz votos para que os privilegiados aceitem a igualdade fiscal. Mas, nada diz sobre a admissão incondicional aos empregos, nem faz qualquer referência ao voto por cabeça, a não ser aqueles limitados itens, negando-o decisivamente para tudo o mais que se refira aos futuros Estados Gerais. na verdade, mantém em vigor toda a hierarquia da sociedade aristocrática. Para resumir, a Monarquia concede alguma coisa às reivindicações liberais, mas refuta a igualdade dos direitos, aceitando apenas as reformas que tenham a aprovação da nobreza.
Apenas sai o rei, acompanhado dos deputados da nobreza e do clero, o marquês de  Dreux-Brezé, chefe do cerimonial, se avizinha dos homens do

 

Terceiro Estado, imóveis e silenciosos: "Senhores:  conheceis as intenções do rei". Nos minutos que se seguem, a revolução burguesa encontra três formas romanas para expressar os tempos novos. Bailly: "A nação reunida em assembleia, não pode receber ordens." Sieyés: "Sois hoje o que éreis ontem." Mirabeau: "Não deixaremos nossos postos, mesmo diante da força das baionetas." A Assembleia decide persistir em suas decisões anteriores e decreta a inviolabilidade de seus membros. Desse momento em diante, a resistência dos privilegiados se desintegra pouco a pouco. No dia 27, o rei reconhece isso, convidando seu fiel clero e sua fiel nobreza a reunir-se ao Terceiro Estado. Em Paris, é uma tarde de glória: A Assembleia Nacional se torna Assembleia Constituinte. Daí por diante há duas soberanias: a Assembleia e o rei. Não são incompatíveis. Desde 27 de junho a primeira reconhece a segunda implicitamente, enquanto por sua vez a segunda não procura substituir a primeira.

 

A Monarquia absoluta está morta, a Monarquia aristocrática delineada no discurso de 23 de junho nasceu morta, mas a Monarquia constitucional pode sobreviver.

Paris unida
acusa a corte

E o rei, aceitará? Nada está colocado com toda sua clareza. Mas agora a corte se volta naturalmente para a revanche e Luís XVI não é personalidade para se opor. Cedendo ao conde de Artois, aos príncipes e à rainha, deixa que, em torno de Paris, se faça uma concentração militar. É contra a Assembleia ou contra a grande cidade? O primeiro resultado tangível dessa ameaça é o de unificar a luta do povo de Paris e dos deputados de Versalhes.
Paris é um rebuliço, uma infinidade de reuniões. O aumento do preço do pão, do número de desempregados agrava    os    problemas    da

 

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