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italianos de Savóia no Delfinado, os
ingleses na Bretanha. De vila em vila a falsa notícia se propaga e
cresce, enriquecendo-se de lenda e emoções. E domina toda a área
camponesa. Os camponeses vigiam e se armam como podem. Pode-se, assim,
seguir dia a dia, de região em região, o desenvolvimento do "'medo", com
suas ramificações. A miséria mais profunda, mais atávica, ergue a cabeça
somente diante do pânico e da ameaça. |
a força (mas isso significaria
desprezar a fonte comum do 14 de julho), somar as novas milícias
burguesas com os mercenários reais contra a população dos campos, e se
colocar a serviço do rei. |
iniciativa no sentido das concessões inevitáveis. Na noite do 4, a nobreza liberal mostra o caminho: é através das vozes de um filho mais novo de uma família pobre, o visconde de Noailles e de um dos mais ricos senhores do reino, o duque de Aguillon, que o grande clamor camponês força as portas da Assembleia. É o que origina a atmosfera filantrópica da famosa noite de 4 de agosto, o que não exclui o cálculo político: Aguillon consegue obter a igualdade fiscal, a abolição pura e simples dos corvées, e da servidão pessoal e a diminuição dos outros direitos feudais para até 3,3 por cento. Essa taxa de juros muito baixa dá uma clara demonstração de que os senhores tiveram muito cuidado ao avaliar ao máximo o capital que deve ser resgatado. Trata-se de converter o velho direito senhorial e o bom dinheiro burguês. Os nobres assim salvam |
o essencial, enquanto os proprietários do Terceiro Estado têm tudo a ganhar da proclamada igualdade entre a terra nobre e a terra plebeia. O Luís XVI, restaurador das liberdades francesas Mas o abandono do princípio feudal torna-se tão importante, que uma ânsia de renovação toma conta da Assembleia: há uma disputa para ver quem, da tribuna, abandona mais velozmente os privilégios do mundo antigo, em meio a ovações gerais. A mais célebre noite parlamentar da história da França consagra o fim da venalidade dos cargos e a possibilidade a todos de chegar, da mesma forma, a todos os empregos, o abandono de todos os privilégios provinciais ou locais, e o triunfo do espírito "nacional". Os velhos Parlamentos já esquecidos. já superados seguem a sorte comum. O ancién regime é, |
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sente vitoriosa sobre os
senhores. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão Como se
desenrolam rapidamente os acontecimento! Logo após haver
sistematizado, com calor, o problema senhorial, a Assembleia
empreende a discussão sobre a Declaração dos Direitos do Homem e
do Cidadão, que deve transformar-se no
preâmbulo da nova constituição. Votado a 20 de agosto, o grande
texto consagra os valores da nova ordem - liberdade, igualdade,
soberania nacional - impostos pela consciência dos burgueses e
pela impaciência popular. |
Os mais moderados dos revolucionários
estão prontos a concedê-la. Porque, alguns dentre os que levaram os
Estados Gerais à revolta, alguns que emprestaram o próprio aplauso ao 14
de julho, se preocupam em estancar aquele mecanismo que eles mesmos
tinham posto em movimento e que então se paralisava. Esta, nos fins de
agosto, é a primeira cisão no campo revolucionário que, em seguida
deveria enfrentar muitas outras. Para estabilizar a revolução, Mounier e
seus amigos monárquicos, sustentados por Necker, contam com o
veto real e com um senado hereditário, do tipo inglês, dando assim aos
rancores aristocráticos, o apoio da primeira moderação burguesa. |
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