A mensagem real de 23 de junho - mesmo cedendo em pontos menos importantes
e assim reconhecendo a realidade de fato - é um documento
pelo qual a velha estrutura de uma sociedade de nobreza
é novamente reafirmada. De uma monarquia absoluta até ali, pretende-se agora
passar a uma monarquia aristocrática. É o que o Terceiro Estado não pode
aceitar: o ponto de encontro com o soberano só será possível numa
monarquia constitucional. A parte mais moderada do Terceiro Estado
pende para essa solução. Mas é a política do soberano - oscilante
e ambígua, com uma fraqueza resultante de sua própria índole -
que impede qualquer acordo. A Assembleia Nacional, a 9 de julho,
transforma-se em Assembleia Constituinte: é outro avanço. O rei reage
afastando Necker a 11 de julho e manando tropas cercar Paris.
A queda de Necker é a centelha que põe em movimento
a ação revolucionária (Fig 8.1: os bustos do duque de Orléans e de Necker,
levados em triunfo pela multidão, a 12 de julho. Guache de P.E. Le Sueur).
A massa saqueia o arsenal real a 13 de julho (fig.9.1 acima); na manhã de 14
ocupa o Hotel dos Inválidos (fig.9.2 abaixo). O povo
-já armado e transformado em
Guarda Nacional - está pronto para a tomada da Bastilha.
 

pudesse lavar as antigas humilhações. Assim, com um só gesto, consegue fazer frente ao rei. Por mais de um mês ele se recusa a decidir separadamente das duas ordens. Dominador, graças à supremacia numérica, decide esperar, na esperança de que sua presença provoque os efeitos desejados. O longo mês de maio de 1789 é o da revolta passiva. Mas, ao invés de usar os deputados plebeus, o Terceiro Estado dá um golpe: a 10 de junho, sob o incitamento de Sieyés, convida as outras duas Câmaras a unir-se a ele,  para   formar  uma   comuna   de

 

Página 01 Página 02 Página 03 Página 04 Página 05
Página 06 Página 07 Página 08 Página 09 Página 10