Necker é exigido de volta;
as tropas são
afastadas
de Paris;
o próprio soberano
se desloca
até o Hotel de Ville
(ao lado: o cortejo real
começa a entrar
no município de Paris)
e põe
em seu chapéu
o distintivo vermelho e azul:
as cores
da Municipalidade parisiense,
as mesmas cores
que - juntas com o branco -
se transformarão nas
cores da bandeira
republicana.

 

superpopulação decorrente do êxodo dos camponeses, tangidos pela miséria, e aumenta o desespero no centro e no leste da capital. Coincidência: no dia 14 de julho, o preço do pão atinge o maior índice de todo o século.
A ameaça da bancarrota assusta a todos, tanto os, tanto os que vivem de renda, como os comerciantes.
É toda uma cidade unida na acusação à corte. A notícia da chagada das tropas aumenta a certeza de que os nobres se apegam aos privilégios, oponde-se ao bem-estar do povo. É aquilo que os plebeus chamam, há muito tempo, de complô aristocrático. Dezenas de discursos e libelos o denunciam diariamente, sempre com maior violência.
A autoridade real naufraga com a disciplina dos soldados, adulados pelos burgueses parisienses, descontentes com a severidade dos oficiais e também com a consciência pública despertando: seu próprio coração está com Paris. A 30 de junho, uma grande multidão liberta muitos soldados presos, abrindo-lhes a porta da abadia, em Saint Germain des Prés. É nesse clima que começa a chegar a tropa chamada em ajuda da corte: são muitos regimentos,  inclusive estrangeiros. Uma centelha apenas  e o fogo começa. Antes que cheguem todas as forças convocadas, o rei, a 11 de

 

julho, exila Necker e e demite todos os ministros liberais. O novo Ministério, já pronto secretamente há muitas semanas, tendo em Breteuil o ponto central, é um claro aviso de contra-revolução: a saída de Necker é um aviso duplo à opinião pública - de bancarrota e de contra-revolução. Besenval, que comanda Paris em nome do rei, toma o Campo de Marte e dali não se move. No dia 13, a onda popular avassala tudo e começa a pilhar as lojas de armamentos. Nasce das sombras um novo poder: as milícias populares. O comitê permanente quer comandar e controlar a revolta. Na noite de 13 para 14, Paris vê circular, nas ruas iluminadas, as primeiras patrulhas da nova ordem social: a Guarda Nacional.

A queda
da Bastilha

Ao romper do dia 14, os revoltosos tomam o Hotel dos Inválidos, apoderando-se de 32 fuzis. É també pensando em armas, que se lembram da bastilha. esse monstro arquitetônico simboliza bem a opressão: com oito torres, às portas do Faubourg de Saint-Antoine, é como a sombra de todo o regime que desmorona. A fortaleza cai ao fim da tarde, depois de uma sangrenta batalha. E é tomada pela população que começa o massacre mais espetacular de toda a história de revoluções ou contrarrevoluções.

 

 

O governador Launey é morto na praça de Grève. O prefeito Flesselles tem a mesma sorte. Suas cabeças são exibidas pelas ruas. Em Versalhes, o rei mostra sua fraqueza: no dia 14, contra a opinião do conde de Artois - que acha que ele devese refugiar em Metz, com as tropas fiéis - decide ficar. No dia 15 anuncia à Assembléia a retirada das tropas. No dia 16 chama Necker de volta; no dia 17, vai a Paris e consagra a autoridade nascida da insurreição: nomeia Bailly prefeito e Lafayette comandante da Guarda Nacional. No Hotel de Ville o rei vai colocar o distintivo azul e vermelho - mas Lafayette acrescenta o branco, símbolo da antiga França e nasce daí o tricolor da nova França. A vitória de Paris repercute em todas as outras cidades: a burguesia toma as rédeas em todos os cantos, canalizando a torrente de sentimentos. A revolução urbana celebra sua vitória com alegria. A nobreza começa a sair do país. A bolsa reabre os mercados, com uma nova confiança nos negócios. Entre julho e agosto, milhares de nobres se exilam: quem dá a partida é o conde de Artois. Em Versalhes, nos imensos salões vazios, cheios apenas de melancolia, uma figura ainda resta, ancorada no irremovível hábito de nobreza: é o rei de França.

 

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