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Necker é exigido de volta; |
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superpopulação decorrente do êxodo dos
camponeses, tangidos pela miséria, e aumenta o desespero no centro e no
leste da capital. Coincidência: no dia 14 de julho, o preço do pão
atinge o maior índice de todo o século. |
julho, exila Necker e e demite todos os ministros liberais. O novo Ministério, já pronto secretamente há muitas semanas, tendo em Breteuil o ponto central, é um claro aviso de contra-revolução: a saída de Necker é um aviso duplo à opinião pública - de bancarrota e de contra-revolução. Besenval, que comanda Paris em nome do rei, toma o Campo de Marte e dali não se move. No dia 13, a onda popular avassala tudo e começa a pilhar as lojas de armamentos. Nasce das sombras um novo poder: as milícias populares. O comitê permanente quer comandar e controlar a revolta. Na noite de 13 para 14, Paris vê circular, nas ruas iluminadas, as primeiras patrulhas da nova ordem social: a Guarda Nacional. A
queda Ao romper do dia 14, os revoltosos tomam o Hotel dos Inválidos, apoderando-se de 32 fuzis. É també pensando em armas, que se lembram da bastilha. esse monstro arquitetônico simboliza bem a opressão: com oito torres, às portas do Faubourg de Saint-Antoine, é como a sombra de todo o regime que desmorona. A fortaleza cai ao fim da tarde, depois de uma sangrenta batalha. E é tomada pela população que começa o massacre mais espetacular de toda a história de revoluções ou contrarrevoluções.
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O governador Launey é morto na praça de Grève. O prefeito Flesselles tem a mesma sorte. Suas cabeças são exibidas pelas ruas. Em Versalhes, o rei mostra sua fraqueza: no dia 14, contra a opinião do conde de Artois - que acha que ele devese refugiar em Metz, com as tropas fiéis - decide ficar. No dia 15 anuncia à Assembléia a retirada das tropas. No dia 16 chama Necker de volta; no dia 17, vai a Paris e consagra a autoridade nascida da insurreição: nomeia Bailly prefeito e Lafayette comandante da Guarda Nacional. No Hotel de Ville o rei vai colocar o distintivo azul e vermelho - mas Lafayette acrescenta o branco, símbolo da antiga França e nasce daí o tricolor da nova França. A vitória de Paris repercute em todas as outras cidades: a burguesia toma as rédeas em todos os cantos, canalizando a torrente de sentimentos. A revolução urbana celebra sua vitória com alegria. A nobreza começa a sair do país. A bolsa reabre os mercados, com uma nova confiança nos negócios. Entre julho e agosto, milhares de nobres se exilam: quem dá a partida é o conde de Artois. Em Versalhes, nos imensos salões vazios, cheios apenas de melancolia, uma figura ainda resta, ancorada no irremovível hábito de nobreza: é o rei de França. |
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