fig.15.1


O retorno do rei a Paris é, realmente, uma grande
vitória revolucionária. Mas em Paris como em Versalhes,
o soberano não muda sua atitude ambígua.
O que, nele, poderia parecer contemporização é, de fato,
uma completa incapacidade de enfrentar a realidade.
Nessas condições, a vida política se desenvolve completamente fora da corte e do governo: é na Assembleia (fig.15.1: uma reunião nas Tulherias, lugar de encontro de novembro de 1789 a maio de 1793) que se criam as premissas do futuro da França e se firmam, nas confrontações mútuas, os novos homens (mesmo que em
alguns casos provenham de velhas família aristocráticas),
como um Mirabeau (fig.15.2), um Lafayette que vivera sua primeira experiência  a serviço da revolução americana (fig.15.3: desenho de Duvivier, de 1790) ou um Barnave (fig.15.4)

 

do que para o presente, as bases do conservadorismo liberal. À esquerda, o partido patriótico, como se intitula agora, está em torno de grandes nomes da tradição francesa - dois La Rochefoucauld, um Montmorency, um Tayllerand-Périgord. É a massa dos deputados da burguesia que inicia seu aprendizado na vida pública. As comissões estão cheias desses homens trabalhadores, chamados a constituir a ossatura técnica e administrativa de todos os futuros regimes. mas, no momento presente, há outros ídolos: o mais famoso é Mirabeau que, no entanto, preocupa tanto por sua superioridade como pela fama de apreciador de dinheiro e mulheres. Em maio de 1790, passa ao serviço da corte, transformando em moeda sonante uma convicção, aliás, sincera; todos os rumores que surgem em toro desse fato, ele os

 

desacredita, até que essa grande força assim tão pouco organizada, se desfaz numa noite de orgia em abril de 1791.

Os três homens
do poder

Lafayette tem outros triunfos importantes: o prestígio físico, um passado e a Guarda Nacional. Nos primeiros seis meses de 1790, ele encarna os tempos  novos, mas não é um verdadeiro homem de poder. Odiado pela direita, desagrada a esquerda, que o acusa de fraqueza na vigilância da contra revolução. E chega-se, enfim, a um triunvirato que goza de toda a confiança dos deputados patriotas: um nobre militar, Alexandre de Lameth; o velho parlamentar Duport; e Barnavre, o homem de Grenoble. A vida política das elites formadas pelas culturas do século nunca


A OBRA DA ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

Depois de um período decisivo, as forças que dele nasceram não deixarão por longo tempo de pesar na História da revolução. Ao lado do reformismo do pensamento iluminado, existe agora um impulso revolucionário que se identifica num profundo movimento de massas populares. Os deputados não devem mais combater apenas a hostilidade do rei: devem preocupar-se também com a maior presença democrática e igualitária. A Assembleia continua a fazer leis; é preciso agora que seus decretos sejam sancionados pelo rei e obedecidos pelo povo.

 

 Os camponeses deram uma clara demonstração, impondo com os fatos sua interpretação do 4 de agosto, isto é, a abolição pura e simples dos direitos feudais.
Esta situação política triangular é, em realidade, muito teórica: a conjuntura econômico financeira é bastante frágil; o país é muito ativo e anárquico para que a Assembleia possa restaurar a ordem - e, depois, que ordem? - sem apoiar-se no rei, ou determinar ordens ao rei, sem o apoio do povo.
Luís XVI, na realidade, não oferece saídas porque não consegue se livrar de sua habitual indecisão. No interminável silêncio que envolve seu retorno às Tulherias, aguarda-se

 

inutilmente um esforço para compreender o que aconteceu ou para adaptar-se aos tempos novos. Não há nada, a não ser a alternativa entre a capitulação e o complô. É por isso que os ministros do rei não conseguem a sua confiança: o grupo de 1789, liderado por Necker, apresenta sua demissão no outono de 1790, depois dos ataques da Assembleia. Os novos são os homens de Lafayette, suspeitos diante da Assembleia sem, em contrapartida, ter a confiança do rei. Para resumir, o regime está sem Executivo, a revolução está sem governo.
A sala de equitação, perto das Tulherias, onde se reúnem agora os deputados, é o centro de toda a política.

 

O trabalho legislativo é feito pelas comissões, mas os grandes problemas são examinados em sessões públicas. A esquerda e a direita delineiam as grandes tendências da Assembleia. À direita da tribuna presidencial sentam-se os que se opuseram aos decretos de 4 de agosto, defensores da sociedade classista e da supremacia da nobreza, liderados por Mirabeau-Tonneau irmão do grande Mirabeau, e pelo  abade Maury. Junto deles, os monarquistas que, entre agosto e setembro de 1789, abandonaram o campo revolucionário. Outubro rechaçou definitivamente a oposição e os doutrinadores do regime inglês, que preparam, mais para o futuro

 
fig15.2
 
fig 15.3
 
fig 15.4 

 

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