Em outubro de 1789, numa carta secreta ao primo que está na Espanha, Luís XVI escreve para a História: protesta contra todas as ações que lhe são arrancadas à força, desde o 15 de julho; permanece fiel ao seu programa de 23 de julho.

A volta do
rei prisioneiro

O cisma religioso radicara uma hostilidade de base na consciência católica. mas, a família real retarda por todo o ano de 1790 os projetos de fuga, sugeridos pelos exilados de Turim e as ofertas da democracia parisiense. Porém há uma mudança de tendência na França: a ideia toma corpo na Páscoa de 1791, quando a multidão impede o rei de deixar as Tulherias e ir,como em todos os

 

anos, para Saint-Cloud. Sentindo-se prisioneiro, o rei quer fugir. Em segredo deixa as Tulherias, com toda a família real, na noite de 2imento de 0 de junho. Deixa apenas uma solene declaração da própria hostilidade à revolução. Mas a expedição, mal preparada, mal executada (sai tarde demais e é lenta demais), não consegue juntar-se a um regimento de hussardos, encarregado de escoltá-la. Na noite de 21 de junho, avança sozinha. Há na França, um sentimento geral de suspeita popular: reconhecido em Saint-Menehoul, Luís XVI é preso em Varennes, e cercado pelo povo da região. Na manhã seguinte, retoma o caminho de volta, sob a guarda de emissários da Assembleia - e da imensa multidão silenciosa. A fuga    de    Luís XVI,   na verdade,

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

A volta do soberano traz um novo ponto de equilíbrio
entre a Monarquia e as forças
moderadas da revolução.
Por um momento - 14 de setembro de 1791, quando o rei assina a Constituição - parece que a França sairá da fase
revolucionária (ao lado: ilustração que representa Luís XVI na Assembleia
Nacional, quando entrega à História a Constituição
que havia subscrito).


 

 

 

 

coloca, de novo, em outros termos, ao partido patriota, todo o problema da revolução. A esquerda da Assembleia, fortalecida por associações populares, pede não somente a República, mas a punição do rei e defendem, mesmo contra os fatos, a tese que Luís XVI é o rei constitucional por sua própria vontade. Mas a multidão cerca as Tulherias e exige a punição do rei. A Guarda Nacional dispara contra o povo: é a primeira vez que a força nascida da revolução dispara contra o povo. Na Assembleia, a cisão dos patriotas é fato consumado. Robespierre, habilmente, conserva ainda, sob controle, na obediência jacobina, a maior parte das sociedades das províncias. E são eles que mantêm a ordem nas estradas e dão um tom conservador à Constituição.
A 14 de setembro, Luis XVI se dispõe a prestar juramento na Assembleia. Festejos - meio forçados - são programados. A Constituinte afirma: "O fim da revolução foi atingido". Mais do que uma verdade definitiva, essa é uma esperança.

 

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