Fig.24.1


 

são as causas básicas desta nova crise.
O povinho dos sans-coulottes, assim chamados pelo desprezo às calças com meias de seda usadas pelos ricos, misturando-se aos operários e aos trabalhadores das corporações de artesãos e negociantes: mais do que uma classe no sentido marxista da palavra, trata-se de m aglomerado de grupos sociais  unidos por reivindicações típicas de consumidores como a regulamentação dos preços e o ódio dos ricos. Enquanto a burguesia e a Assembleia permanecem ligadas ao liberalismo e hostis a qualquer retorno a uma estrutura colbertiana, o clima de agitação põe em risco a unidade dos revolucionários.
Mas, o início da guerra cria imediatamente um problema de outra gravidade. Pelo fato de os generais franceses terem o olhar voltado mais para Paris do que para o inimigo,

 

suas tropas não confiam neles e dispersam. Lafayette pensa em marchar sobre Paris. Como poderia a gente dos círculos e associações não ver conformados seus temores mais graves? O casal real e o Comitê austríaco que o aconselha nas Tulherias denunciam com tanta violência que Brissot e seus companheiros tomam uma atitude. Fazem votar novo decreto contra os padres refratários e a conservação de 20 mil confederados para defender Paris: o decreto é recusado pelo rei, que licencia os ministros girondinos a 12 de junho, chamando de volta os fueldenses.

 O rei é jogado
por uma janela

        O povo está inquieto: a 20 de junho o palácio das Tulherias é invadido e o rei é jogado por uma janela. Por mais de duas horas Luís XVI usa o barrete frígio, bebe com os manifestantes à saúde da nação,

 

mas mantém seu veto. O que não foi conseguido a 20 de  junho, terá  sucesso  a 10 de agosto. Pela primeira vez, a província se une a Paris numa grande jornada revolucionária quando os confederados da província vêm a Paris comemorar o 14 de julho. Eles encontram e são portadores de um clima insurrecional: a 6 de julho tem-se notícia que os prussianos entraram na guerra. No dia 11, a Assembleia declara a pátria em perigo e mobiliza toda a nação contra o inimigo - tanto interno quanto externo. Enquanto os girondinos começam a ter algumas dúvidas sobre as consequências de sua política, oscilando entre uma acusação ao rei e a defesa do trono, cresce em todo o país um movimento patriótico, revolucionário, contra a traição: particularmente no sudeste, onde a intolerância republicana transforma-se

 

numa resposta à forte tradiçãomonárquica local: a Municipalidade de Marselha é a primeira a invocar a República e seus batalhões de voluntários, que entram em Paris a 30 de julho, levam suas ideias junto com o hino de Rouget de Lisle. Uma após outra, as seções de Paris, cheias de cidadãos passivos (1), vão passando adiante a palavra de ordem.

 Luís XVI é
destituído

      Robespierre, que secretamente sustenta o movimento, procura formar, através de sufrágio universal, uma nova Assembleia Constituinte,chamada Convenção em homenagem aos acontecimentos norte-americanos. Em torno desses objetivos se estabelece ligação entre as seções parisienses e um Comitê Central de Confederados.

(1) Eram assim chamados os cidadãos que não tinham direito de voto nas assembleias primárias, em contraposição aos cidadãos ativos.

 


A condução incerta da guerra;
as manobras dos generais
e dos soberanos para conseguir mais
a repressão à revolução interna
do que a vitória contra o inimigo
externo; as dificuldades econômicas
e financeiras que atormentam
o país: um conjunto de elementos que leva
a massa às ruas. A 20 de junho, a própria
residência real é invadida pela
multidão (fi.24.1) que vai até
os aposentos dos soberanos (fig24.2)
e põe o barrete frígio sobre
a cabeça do rei (fig.24.3).
Ainda uma vez, a realeza
é dobrada e humilhada.

Fig.24.3

Fig.24.2
 
 

 

 


      A 1 de agosto se tem notícia em Paris, do manifesto firmado cinco dias antes pelo duque de Brunswick, comandante das tropas inimigas. Feito e publicado por solicitação de Luís XVI, o manifesto ameaça submeter Paris a uma execução militar e provocar uma agitação total se for feito o mínimo ultraje à família real. Mais uma vez a contrarrevolução ameaça.
De novo, o povo responde com a insurreição à ameaça aristocrática. Na noite entre 9 e 10 de agosto, ao som dos sinos, os encarregados das seções constituem uma comuna insurrecional no Hotel de Ville e assumem o controle da Guarda Nacional.
na manhã do dia 10, duas colunas armadas acercam-se das Tulherias. Depois que o rei se refugia na Assembleia, o palácio, defendido por suíços, é ocupado por manifestantes. Sob pressão do povo em armas, os deputados decidem suspender Luís XVI e substituí-lo por um Comitê Executivo Provisório até as eleições diretas para uma Convenção Nacional.
A jornada do 10 de agosto consagra, assim, um episódio já iniciado na fuga de Varennes e acelerado na guerra: a derrota da monarquia fueldense, selada pela deserção de Lafayette e por uma nova onda de emigrações, é totalmente atribuída à política e à pessoa do rei. Em suma, Luís XVI não permitiu nada de novo depois do programa de 1789 e não conseguiu despertar confiança a não ser nos homens dos velhos tempos. por não ter aceitado a formação de um partido constitucional e liberal, por não ter procurado salvar o


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