Fig.26.1
 

O povo de Paris
está novamente
nas ruas (fig.26.1);
o palácio das Tulherias é
novamente ocupado
a 10 de agosto (fig.26.2);
o rei se refugia
no seio da Assembleia.
Mas a proteção que ela lhe pode assegurar é relativa, porque a pressão popular
é muito forte:
os deputados suspendem
Luís XVI e o substituem
por um Comitê
executivo provisório
(fig.26.3: um desenho de
Gérard, sobre os dramáticos
momentos que precederam
a destituição
de Luís XVI).

 


Fig. 26.3
 

são estranhos; dá vida aos decretos de mobilização que são votados e sua eloquente retórica acompanha a decisão de milhares de homens que partem para as fronteiras. Mas a revolução parisiense não esquece os adversários e seus temores. Obcecados pelas notícias que chegam de Longwy e de Verdun, fanatizados pelo antigo desejo de liquidar os traidores aristocratas, a 2 de setembro, os ativistas das seções dão um exemplo da violência latente das massas: massacram uma colônia de detidos que estão chegando à prisão de Abbaye.

O ódio de agosto e os
massacres de setembro

À noite e no dia seguinte, as execuções sumárias se estendem à maior parte das prisões parisienses. Somente cessarão no dia 6 depois de ter feito 1500 vítimas. Danton cala. Os girondinos têm medo. Esses massacres anônimos revelam até aos mais cegos quanta sede de sangue viera de agosto e que força incontrolável podia se transformar em árbitro dos problemas revolucionários.

 

Mas Brunswick está em frente a Argonne. Conhecidas suas manobras, Dumouriez volta-se para Saint-Menehould, onde o alcança a Armada de Kellermann. Dumouriez deixa aberta a estrada para Paris contando que o general prussiano não ousará aventurar-se expondo a retaguarda. Mas, empurrado pelo rei, é Brunswick que marcha sobre os franceses, voltando os ombros para Paris e oferecendo uma batalha com frentes invertidas. Pronto para a batalha na altura de Valmy, o Exército francês está preparado para a guerra desde a primavera; conta com o canhão Gribeauval, preciosa herança do antigo regime.
Na manhã de 20 de setembro os dois Exércitos iniciam um duelo de artilharia. Quando, à uma hora, a infantaria prussiana recebe ordem de marchar sobre o inimigo, apenas se move e já o fogo dobra de intensidade: os franceses resistem. O duque de Brunswick decide não insistir e ordena a retirada. Simples duelo de artilharia sob o ponto vista militar, Valmy constitui, na realidade, uma grande vitória psicológica e  política:   

 
Fig.26.2

a nação armada enfrentou os mercenários dos reis.
No mesmo dia de Valmy, reúne-se a Convenção. Teoricamente eleitos por sufrágio universal, seus membros são, na realidade, escolhidos entre a minoria ativa e revolucionária da população: em Paris, por exemplo, a votação é feita em público e é explicitamente vedado aos signatários das antigas petições monárquicas.
Como as outras duas que a precederam, esta Assembleia é quase exclusivamente burguesa; acolhe quase naturalmente a elite daquela classe política que três anos de revolução foram aos poucos criando: cerca de 400 deputados fizeram parte da administração local; cerca de 100 da Constituinte; cerca de 200 da Legislativa. De fato, se por um lado a revolução consome muito rapidamente seus líderes, por outro, continua a receber toda a confiança por parte dos quadros burgueses.

No centro, a Planície
e à esquerda, a Montanha

 Em contraposição à Europa aristocrática, é exatamente esta

 

 

continuidade que representa a maioria da Convenção, o seu centro, também chamado La Planície (Planície) e Le marais (o Pântano). Porém os tempos são muito difíceis para que o centro possa governar; a história lhe reserva um papel menos glorioso, mas importante: a decisão e a continuidade. São Sieyès, Barère, Cambon: a República que apenas fora proclamada solenemente, é sua República.
A esquerda e a direita, ao contrário, são os homens e os grupos que disputam o poder e que já tinham lutado duramente entre si nos meses precedentes, sobretudo depois de 10 de agosto. Os eleitores de Paris, em torno de Robespierre e Marat, constituem o núcleo da Montaigne (Montanha). Mas os girondinos ainda não esgotaram completamente suas possibilidades e seu prestígio. Utilizam-se da força que tiveram na Assembleia precedente e de suas posições em relação aos Ministérios e aos jacobinos, conseguem se impor à Convenção. Suas origens sociais não permitem distingui-los de seus adversários; advogados e jornalistas, vêm dos


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