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são estranhos; dá vida aos decretos de
mobilização que são votados e sua eloquente retórica acompanha a decisão
de milhares de homens que partem para as fronteiras. Mas a revolução
parisiense não esquece os adversários e seus temores. Obcecados pelas
notícias que chegam de Longwy e de Verdun, fanatizados pelo antigo
desejo de liquidar os traidores aristocratas, a 2 de setembro, os
ativistas das seções dão um exemplo da violência latente das massas:
massacram uma colônia de detidos que estão chegando à prisão de Abbaye.
O ódio de agosto e os
massacres de setembro
À noite e no
dia seguinte, as execuções sumárias se estendem à maior parte
das prisões parisienses. Somente cessarão no dia 6 depois de ter
feito 1500 vítimas. Danton cala. Os girondinos têm medo. Esses
massacres anônimos revelam até aos mais cegos quanta sede de
sangue viera de agosto e que força incontrolável podia se
transformar em árbitro dos problemas revolucionários. |
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Mas Brunswick está em frente a Argonne.
Conhecidas suas manobras, Dumouriez volta-se para Saint-Menehould, onde
o alcança a Armada de Kellermann. Dumouriez deixa aberta a estrada para
Paris contando que o general prussiano não ousará aventurar-se expondo a
retaguarda. Mas, empurrado pelo rei, é Brunswick que marcha sobre os
franceses, voltando os ombros para Paris e oferecendo uma batalha com
frentes invertidas. Pronto para a batalha na altura de Valmy, o Exército
francês está preparado para a guerra desde a primavera; conta com o
canhão Gribeauval, preciosa herança do antigo regime.
Na manhã de 20 de setembro os dois Exércitos iniciam um duelo de
artilharia. Quando, à uma hora, a infantaria prussiana recebe ordem de
marchar sobre o inimigo, apenas se move e já o fogo dobra de
intensidade: os franceses resistem. O duque de Brunswick decide não
insistir e ordena a retirada. Simples duelo de artilharia sob o ponto
vista militar, Valmy constitui, na realidade, uma grande vitória
psicológica e política: |
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Fig.26.2 |
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a nação armada
enfrentou os mercenários dos reis.
No mesmo dia de Valmy, reúne-se a Convenção. Teoricamente
eleitos por sufrágio universal, seus membros são, na realidade,
escolhidos entre a minoria ativa e revolucionária da população:
em Paris, por exemplo, a votação é feita em público e é
explicitamente vedado aos signatários das antigas petições
monárquicas.
Como as outras duas que a precederam, esta Assembleia é quase
exclusivamente burguesa; acolhe quase naturalmente a elite
daquela classe política que três anos de revolução foram aos
poucos criando: cerca de 400 deputados fizeram parte da
administração local; cerca de 100 da Constituinte; cerca de 200
da Legislativa. De fato, se por um lado a revolução consome
muito rapidamente seus líderes, por outro, continua a receber
toda a confiança por parte dos quadros burgueses.
No centro, a Planície
e à esquerda, a Montanha
Em
contraposição à Europa aristocrática, é exatamente esta
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continuidade que representa a maioria da Convenção, o seu
centro, também chamado La Planície (Planície) e Le
marais (o Pântano). Porém os tempos são muito difíceis para
que o centro possa governar; a história lhe reserva um papel
menos glorioso, mas importante: a decisão e a continuidade. São
Sieyès, Barère, Cambon: a República que apenas fora proclamada
solenemente, é sua República.
A esquerda e a direita, ao contrário, são os homens e os grupos
que disputam o poder e que já tinham lutado duramente entre si
nos meses precedentes, sobretudo depois de 10 de agosto. Os
eleitores de Paris, em torno de Robespierre e Marat, constituem
o núcleo da Montaigne (Montanha). Mas os girondinos ainda
não esgotaram completamente suas possibilidades e seu prestígio.
Utilizam-se da força que tiveram na Assembleia precedente e de
suas posições em relação aos Ministérios e aos jacobinos,
conseguem se impor à Convenção. Suas origens sociais não
permitem distingui-los de seus adversários; advogados e
jornalistas, vêm dos |
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