Fig.19.1
  O cisma religioso
fará passar para o lado da corte
alguns dos homens
mais representativos do
movimento revolucionário
e o próprio rei encontrará um
elemento de revolta
que se manifestará na tentativa de
fuga ao exterior, onde o
esperavam os nobres emigrados
há muito tempo. A tentativa é infeliz
e fracassa em Varennes
(fig.19.1:prisão da família real).
O soberano é obrigado
a retomar o caminho de Paris

A Constituinte é levada a se desviar do problema econômico para o problema religioso, pelo menos para conseguir a preservação do culto, isto é, remediar os atritos entre Igreja e Estado. Entra-se, então, num campo no qual a inevitável confusão entre o temporal e o espiritual cria a primeira dificuldade entre a revolução e os fiéis católicos. Formados na tradição papista, os legisladores não percebem que vão fornecer a primeira ajuda à contra revolução. Propõe-se a regulamentação da Igreja, com eleições, tornando o catolicismo a religião oficial. Seus dignitários serão, pois, funcionários que o Estado deve pagar. Luís XVI aprova logo a proposta. ao papa, que é Pio VI, já condenara, em concílio secreto, a Declaração dos Direitos do Homem. E espera até a primavera de 1791 para publicar um ataque à Constituição Civil. Mas a Constituinte já colocara os padres sob um juramento de fidelidade: é o cisma do clero. A maior parte dos bispos se recusa a jurar; o baixo clero se divide.

 

A condenação do papa engrossa o grupo dos padres que não prestaram juramento. Nem a tentativa de fazer o rei fugir (foi recapturado em Varennes), nem os planos de revolta em Paris têm a mínima possibilidade de êxito: ao contrário, servem para manter vivo, na imaginação popular, o temor ao complô aristocrático, que em 1791 se agrava efetivamente, a ponto de se constituir em ameaça maior que o cisma do clero. A notícia da revolução faz aparecer em cena outro problema: o colonial. São colonos, mulatos livres, negros escravos. Os primeiros querem independência econômica, os segundos, direitos políticos, que obterão finalmente, pela aprovação de Robespierre e Brissot. Ninguem abriu a discussão sobre a escravidão. Mas, o processo de deterioração política que se delineia, ultrapassa o problema dos mulatos de San Domingo. Faz entender que, depois de Mounier, depois de Mirabeau, cabe agora a Barnave, Duport e Lameth - o triunvirato - lutar contra os democratas da Assembleia e chegar-se ao rei.

 

 

Duport explica com clareza:.

 A revolução terminou. É preciso torná-la estável e salvaguarda-la, combatendo, combatendo os excessos. É preciso por um limite à igualdade e à liberdade, e disciplinar a opinião pública. O governo deve ser forte, sólido e estável

É o novo programa moderado. Mas, indo pelos caminhos das Tulherias, os três companheiros esbarram com o obstáculo real.

Para os reis,
"quanto pior , melhor"

Luis XVI não tem, também muitos recursos. Não tem certeza de deter ainda o poder de fixar a revolução, com um acordo que tenha o condão da irreversibilidade; mas, resta-lhe o imenso poder de bloquear o funcionamento político o novo regime, e abrir o caminho da aventura. É a política do "quanto pior melhor", que os contemporâneos atribuem só a rainha, mas que também é sua

 

 
Fig.19.2
 

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