Pg.31.1
  O Comitê de Salvação Pública foi constituído e mantido
pela massa popular (fig.31.1: discurso dos revolucionários
na Assembleia), mas os primeiros homens
que o integravam ainda
fazem uma última tentativa
de mediação entre posições opostas.
Danton (fig.31.2: desenho de David)
tentará, mais que qualquer outro, desenvolver
essa tarefa impossível;
fracassará, e o novo Comitê
de Salvação Pública será composto
por homens mais firmes, mais decididos,
conservando somente os mais radicais
do Comitê anterior - um Saint-Just, por exemplo -
mas acrescentando Robespierre, Collot d'Herbois (fig.31.3),
Billaud-Varenne (fig.31.4).
Está aberto o caminho para o desenvolvimento
posterior do movimento revolucionário.

 


 

 
Pg.31.3

Diante dos novos perigos, e enquanto pede a união contra o inimigo, trata clandestinamente com as cortes europeias a possibilidade de uma paz de compromisso. Os historiadores forneceram as provas dessa sua atitude, sem, no entanto, deixar claro os serviços que ele prestou à contrarrevolução; mas, além de ter falhado no campo moral, seu erro foi integrar-se ao extremismo típico daqueles tempos: defensor da clemência, Danton votou pela morte do rei. Abatido, suspeito, e também ansioso por dedicar-se inteiramente à jovem com quem se casara, a 10 de julho abandona o Comitê de Salvação Pública.

Os homens que
governarão a França

Neste dia se dá uma renovação na Convenção: reelege somente sete comissários, três centristas (Barère, Lindet e Gasparin) e quatro montanheses (Saint-Just, Couthon, Jean Bon Saint-André e Hérault de Séchelles). Além destes, mais dois

 

deputados da Montanha, um amigo de Danton, Thuriot, e Prieur de la Marne. A 24 de julho, Robespierre assume o lugar de Gasparin. Em agosto, a Convenção elege Carnot e Prieur de la Côte d'Or; finalmente em setembro, os dois candidatos populares, Collot d'Herbois e Billaurd-Varenne, enquanto Thuriot se demite. Executando Hérault de Séchelles, é este grupo que governará a França por um ano, o primeiro poder executivo da revolução; mas, subordinado a uma reeleição mensal, fica sempre sob o poder da Assembleia.

 Os responsáveis
pelo Terror

Estes homens eram jovens e experientes. Formados nas assembleias revolucionárias, desenvolvem um trabalho espantoso: devem responder a todas as questões, assinar decretos, controlar os ministros, comandar os Exércitos e, finalmente, defender a sua política diante da Convenção.
As tarefas são divididas: Lindet no Provisinamento e Transporte,

 
Fig.31.2

 

Saint-Just e Carnot na Guerra, Billaud e Collot no controle dos represntantes em missão, Bon Saint-André e Prieur de la Marne na Marinha. Mas a direção continua a ser colegiada: a subdivisão do Comitê em políticos e técnicos é uma invenção do Termidor para descarregar sobre os seguidores de Robespierre os cadáveres do Terror; na realidade todas as decisões são tomadas e assumidas coletivamente por todos os comissários. Todos, também, conservam seus matizes: Collot e Billaud, por exemplo, são homens da Montanha e Carnot, Lindet e Prieur de la Côte d'Or mantém uma política de concessão com relação ao povo. Mas a situação que os uniu no verão de 1793 era mais forte que suas diferenças: todos queriam salvar a revolução e a nação.
Deste grupo se destacam, como história e lenda, três vítimas do Termidor: Couthon, Saint Just e Robespierre. O primeiro, advogado da Alvérnia, tem uma paixão revolucionária e uma devoção irrestrita a Robespierre. Saint-Just,

 

deputado do Aisne há 25 anos, levou para a Convenção o estilo do intelectualismo extremista. Este jovem elegante e altivo revive a história romana aprendida com os padres do Oratório de Soissons e de Reims. Por que a Convenção quer julgar Luís XVI? Bruto matou César: julgar mostra incerteza: mas reinar inocentemente.

 O ditador
revolucionário

Ainda mais que Saint-Just, Robespierre marca com seu estilo pessoal esta época heróica. Ele não domina o Comitê: trabalhador e autoritário, seus colegas não o permitiriam. Mas, mesmo sem ter a supremacia de direito, ela goza de uma autoridade particular que encarna, no presente e para o futuro, o ditador revolucionário. O ódio reacionário transformou-o: de homem de estudo em demagogo, de parlamentar em ditador, de descritianizador em deísta intransigente. No entanto, sua

 

 
Fig.31.4
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