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Diante dos novos perigos, e
enquanto pede a união contra o inimigo, trata clandestinamente
com as cortes europeias a possibilidade de uma paz de
compromisso. Os historiadores forneceram as provas dessa sua
atitude, sem, no entanto, deixar claro os serviços que ele
prestou à contrarrevolução; mas, além de ter falhado no campo
moral, seu erro foi integrar-se ao extremismo típico daqueles
tempos: defensor da clemência, Danton votou pela morte do rei.
Abatido, suspeito, e também ansioso por dedicar-se inteiramente
à jovem com quem se casara, a 10 de julho abandona o Comitê de
Salvação Pública.
Os homens que
governarão a França
Neste dia se
dá uma renovação na Convenção: reelege somente sete comissários,
três centristas (Barère, Lindet e Gasparin) e quatro montanheses
(Saint-Just, Couthon, Jean Bon Saint-André e Hérault de
Séchelles). Além destes, mais dois |
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deputados da
Montanha, um amigo de Danton, Thuriot, e Prieur de la Marne. A
24 de julho, Robespierre assume o lugar de Gasparin. Em agosto,
a Convenção elege Carnot e Prieur de la Côte d'Or; finalmente em
setembro, os dois candidatos populares, Collot d'Herbois e
Billaurd-Varenne, enquanto Thuriot se demite. Executando Hérault
de Séchelles, é este grupo que governará a França por um ano, o
primeiro poder executivo da revolução; mas, subordinado a uma
reeleição mensal, fica sempre sob o poder da Assembleia.
Os responsáveis
pelo Terror
Estes homens
eram jovens e experientes. Formados nas assembleias
revolucionárias, desenvolvem um trabalho espantoso: devem
responder a todas as questões, assinar decretos, controlar os
ministros, comandar os Exércitos e, finalmente, defender a sua
política diante da Convenção.
As tarefas são divididas: Lindet no Provisinamento e Transporte, |
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Fig.31.2 |
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Saint-Just e Carnot na Guerra,
Billaud e Collot no controle dos represntantes em missão, Bon
Saint-André e Prieur de la Marne na Marinha. Mas a direção
continua a ser colegiada: a subdivisão do Comitê em políticos
e técnicos é uma invenção do Termidor para descarregar sobre
os seguidores de Robespierre os cadáveres do Terror; na
realidade todas as decisões são tomadas e assumidas
coletivamente por todos os comissários. Todos, também, conservam
seus matizes: Collot e Billaud, por exemplo, são homens da
Montanha e Carnot, Lindet e Prieur de la Côte d'Or mantém uma
política de concessão com relação ao povo. Mas a situação que os
uniu no verão de 1793 era mais forte que suas diferenças: todos
queriam salvar a revolução e a nação.
Deste grupo se destacam, como história e lenda, três vítimas do
Termidor: Couthon, Saint Just e Robespierre. O primeiro,
advogado da Alvérnia, tem uma paixão revolucionária e uma
devoção irrestrita a Robespierre. Saint-Just, |
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deputado do Aisne há 25 anos,
levou para a Convenção o estilo do intelectualismo extremista.
Este jovem elegante e altivo revive a história romana aprendida
com os padres do Oratório de Soissons e de Reims. Por que a
Convenção quer julgar Luís XVI? Bruto matou César:
julgar mostra incerteza: mas reinar inocentemente.
O ditador
revolucionário
Ainda mais
que Saint-Just, Robespierre marca com seu estilo pessoal esta
época heróica. Ele não domina o Comitê: trabalhador e
autoritário, seus colegas não o permitiriam. Mas, mesmo sem ter
a supremacia de direito, ela goza de uma autoridade particular
que encarna, no presente e para o futuro, o ditador
revolucionário. O ódio reacionário transformou-o: de homem de
estudo em demagogo, de parlamentar em ditador, de
descritianizador em deísta intransigente. No entanto, sua
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Fig.31.4 |