Fig.28.1
 

 

 

 

 

 

Agora, o destino da monarquia francesa está selado:
um decreto da Assembleia Nacional (fig.28.1)
"aprova por unanimidade abolição da Monarquia
na França" e o soberano é decapitado a 21 de janeiro de 1793
(fig.28.2: a última missa da família real,
uma pintura de H. Robert; fig.28.3: a execução de Luís XVI).
Mas estes dois grandes acontecimentos não simplificam
a vida do país no plano internacional - porque, agora,
a guerra deve ser conduzida contra a Inglaterra,
Espanha, Holanda - nem no plano interno, onde a revolta
eclode aqui e ali, e particularmente em Vendéia.

 

às voltas com dificuldades internas, pensou por muito tempo em poder se manter fora do conflito. Mas a guerra ideológica declarada pela Convenção, a permanência da França na foz do Schelda, a ameaça de Dumouriez sobre a Holanda, levam-na ao rompimento. A França não faz nada para evitá-lo: a herança da anglofobia do século, o

 

desprezo pelo egoísmo mercantil inglês, a presumida vulnerabilidade do adversário - velho motivo fisiocrático - levam a melhor sobre a reticente burguesia portuária e o silêncio de alguns girondinos. A 1 de fevereiro, sob a insistência de Brissot, a Convenção se decide por uma guerra que não acabará antes de Warteloo.
Os demais Estados europeus


Fig.28.3
 

Luís XVI, pelas inexplicadas razões de sua própria moderação. Mas já é muito tarde para se fazerem ouvir.
Tudo se passa como se a Gironda, fiel às suas origens, procurasse esquecê-las com uma rápida ação de guerra. em Valmy, os Exércitos autríaco-prussianos se retiram.
No outono, as Armadas revolucionárias ocupam a Savoia, Nice, a margem esquerda do Reno; ao norte, o entusiasmo das tropas de Dumouriez leva à derrota os austríacos em Jemappes; a Bélgica é ocupada.

Não se pode
falar de paz

Mas o que fazer dos territórios ocupados? Noutra época, seriam objeto de negociação: mas todos de os homens e grupos da Convenção estão presos à engrenagem que entrou em funcionamento em abril e 1792: falar de paz equivale a ser suspeito de tendências contra revolucionárias.
Em 26 de novembro, Brissot escreve a Servan: Não

 

poderemos nos sentir tranquilos enquanto a Europa, e toda a Europa, não estiver em chamas. E o montanhês Chaumette exprime ainda melhor o delírio apaixonado da cruzada revolucionária: O território que separa Paris de Petrogrado será logo afrancesado, municipalizado e jacobinizado.
A Savóia é anexada e a Convenção vota dois importantes decretos: promete fraternidade e ajuda a todos os povos que querem usufruir da liberdade, e enumera as condições desta deliberação: a introdução pura e simples das conquistas da revolução francesa nos países conquistados, liberdade, igualdade, mas igualmente impostas. Em janeiro de 1793, Danton propõe a anexação da Bélgica em nome das fronteiras naturais: o Reno, os Alpes, os Pirineus. A cruzada libertadora imprime formidável dinamismo à ambição nacional.
Essa ambição suscita, como reação, a coalizão europeia, apressada pela execução de Luís XVI. A Inglaterra de Pitt.

 
Fig.28.2

reagem sobretudo ao avanço revolucionário e à morte do rei: antes que a Inglaterra o fizesse, o papa, o duque de Parma, o rei de Nápoles, já tinham rompido relações com a França. Logo mais, a França terá que fazer frente à Europa inteira. Em alguma semanas, na primavera de 1793, as fronteiras naturais são perdidas. No Reno, Custine é batido pelos prussianos e recua até Landau, conseguindo manter, das conquistas do outono, somente Mayence sitiada: Dumouriez é derrotado na Bélgica pelos austriacos de Cobourg e, por iniciativa própria, faz tratados secretos com o inimigo.

A traição e a
crise da Gironda

Há muito tempo tido como suspeito pelos montanheses, mas defendido por Danton e pela Gironda, Dumouriez termina como Lafayette no ano anterior: depois de ter tentado em vão, marchar sobre Paris com suas tropas, passa para o lado do inimigo, lançando descrédito sobre seus defensores.

 

Esta deserção dá a entender bem a crise da revolução: uma crise de autoridade. A França dos girondinos não tem um governo para poder enfrentar uma guerra contra a Europa: tendo que se equilibrar entre generais, o Conselho executivo e a Convenção, cai na anarquia.
A revolta de Vendéia é mais um motivo de crise. Eclode em meados de março e esconde uma violência profunda: o camponês de Vendéia reclama de seu rei, seu padre, seu senhor; levanta-se contra a cidade burguesa em nome da antiga ordem social, rompendo assim a aliança que fizera triunfar a revolução. Todas as contraofensivas imaginadas pela revolução são infrutíferas. 
Essa acumulação de perigos dá novo impulso ao movimento revolucionário: ao problema da traição girondina e da necessidade do terror, vinculam suas antigas reivindicações econômicas: o financiamento da guerra acelera a desvalorização do

 

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