
Fig.23.1 |

Fig.23.2
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Tensão Interna, intrigas
de nobres
emigrados, preocupação dos
soberanos europeus em evitar
o contágio revolucionário
francês: são todos elementos
que conduzem à guerra. Uma guerra que o rei da França
gostaria de ver perdida,
porque somente uma
derrota militar lhe permitiria
restabelecer a velha
autoridade.
Mas, ao contrário, o rei
assiste a uma extraordinária
mobilização de ânimos,
de mentes e meios. Homens novos como Brissot (fig.23.1)
se tornam partidários
do ingresso na guerra;
outros como Pobespierre
(Fig23.2) se opõem.
A guerra acaba sendo declarada
a 20 de abril de 1792 e logo
ocorrem as primeiras derrotas devido, ora à traição de generais
do Exército como Biron e Dillon,
ora à desorganização do próprio
Exército (fig23.3); o corpo
do general Dillon é lançado
ao fogo na praça de Lille;
Dillon fora morto pelos
seus soldados, a 28 de abril,
acusado de traição por
ter-se retirado diante Tournai;
(fig.23.4) um episódio da derrota
de Mons de 30 de abril de 1792
em gravura da época.A visão
estreita dos fueldenses não consegue exercer a menor influência sobre as massas,
e tornar a guerra popular é tarefa específica da esquerda.
Entre a segunda geração de deputados revolucionários, na qual domina o
talento pequeno-burguês, o homem da guerra é Brissot. Filho de donos de
restaurantes, repórter obscuro e itinerante no regime anterior, já
esteve a serviço de muitos e não desconhece o mundo. Sabe aproveitar as
oportunidades com ímpeto, o que o populariza: trata-se mais de um
exaltado do que um estrategista; de um imaginativo do que um calculista;
é, em síntese, excelente propagandista.
Na Assembleia e no círculo dos jacobinos, argumenta como quem desfralda
uma bandeira: destruindo Coblenza - refúgio de emigrados - mediante uma
guerra revolucionária |
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este seja o patíbulo! - exclama
Gaudet em janeiro de 1792. E não imagina
que a gironda possa ocupá-lo um dia...
A França declara
guerra à Áustria
Em março, os
ministros fueldenses assinam sua demissões e o rei os substitui
por amigos de Brissot: Dumouriez no Exterior, Claviére nas
Finanças, Roland no Interior. A guerra é cada dia mais certa já
que em Viena Francisco II sucede Leopoldo e o novo rei não é tão
prudente quanto o anterior. está decidido a intervir mas a
revolução age antes dele: a 20 de abril de 1792, com votação
quase unânime e sob moção de Luís XVI, a Assembleia decide a
guerra à Áustria. A situação interna é tumultuosa: a inflação
monetária - o valor real dos bônus já cai a 60%do valor nominal
-, a pouca disposição dos camponeses a ceder seu trigo em troca
de papel depreciado, o brusco aumento dos preços dos gêneros
coloniais devido à revolta dos escravos em São Domingos, |
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forçará o rei
a tomar uma decisão, com o que se consolidará a
revolução. A guerra será fácil porque o Exército
francês é recebido pelo povo como libertador. A
cruzada pela liberdade é, ao mesmo tempo,
interesse e dever da revolução.
Inimigos externos
ou inimigos internos?
Em torno
dessas ideias se agrupam os seguidores de Brissot - os
brissotins -, chamados mais tarde pela história, seguindo
Lamartine, de girondinos, em homenagem aos brilhantes oradores
da Gironda na Assembleia Legislativa: Vergniaud, Gaudet,
Gensonné. Mas há um homem que está pronto a sublimar os riscos:
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Robespierre. Quem quer a
guerra? - pergunta. O rei e Lafayette. Quem a
conduzirá? Eles mesmos. Se quer evitar uma
ditadura militar, a revolução deve dar
prioridade à destruição de seus inimigos
internos. De resto, a expansão militar é a pior
maneira de estender as próprias conquistas:
Ninguém ama missionários armados.
Mas Robespierre está isolado: em vão se opõe
a uma guerra que logo lhe conduzirá ao poder.
Não sabe ainda que o sentimentalismo dos
girondinos lhe abre caminho, imprimindo ao
desenvolvimento revolucionário o grande elemento
acelerador do nacionalismo. Agora, enfim, o
adversário só pode capitular ou trair.
Fixemos primeiro um lugar para os
traidores, e que |
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Fig.23.4 |
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