Fig.22.1
 

Um sinal da importância que os acontecimentos
franceses assumem não só na Europa, mas para toda
a Europa pode ser notado na mobilização
de forças - materiais e ideais -
como imitação ou aversão
àquilo que acontece na França:
desde 1789, eclodem as revoltas
em Liege e nos Países Baixos austríacos
(fig.22.2 e 22.2: a insurreição belga
contra os  austríacos em dezembro de 1789).
Para lutar contra o "veneno" revolucionário francês,
forma-se uma espécie de internacional
das Monarquias, que reúne todos os soberanos da Europa
e que se concretizará na declaração
de Pillnitz de agosto de 1791
(fig.22.3: da esquerda para a direita,
o kaiser Frederico Guilherme II,
Leopoldo II e o eleitor da Saxônia).

Geralmente distintos de seus concidadãos pelo acatamento aos princípios e às conquistas de 1789, não recebem o encargo de arbitrar questões parisienses entre fueldenses e jacobinos. Entretanto, depois de Varennes e da declaração de Pillnitz, não têm mais confiança no rei e é por esse motivo que, em novembro, a Assembleia começa a votar alguns decretos contra os emigrados e os padres rebeldes.
Mas o rei somente sanciona aquilo que lhe permite exigir de dois príncipes alemães, o eleitor de  Treviri  e  o  de   Mayence

 

(Mainz), a dispersão dos emigrados franceses de suas terras; isso significa colocar sobre a mesa toda a questão estrangeira. A rainha escreve ao amigo Fersen: Que imbecis! Não percebem que significa fazer nosso jogo.
Os fueldenses, com algumas exceções (entre as quais Barnave), encorajam a pol[itica partidária da guerra. Lafayette recebe o comando de uma Armada e todos esperam como o resultado de uma guerra breve e limitada, o restabelecimento da situação interna.

 

Fig.22.3
por sua voluntária adesão à Federação. Em Avignon, a Constituinte se defronta com o papa, fortalecida por uma insurreição popular que reclama a união à França. Inicialmente hesitante, acaba se pronunciando pela anexação em setembro de 1791. o que equivale dizer que os povos não pertencem mais aos seus soberanos, e que também estes têm o direito de dispor livremente de si mesmos. Toda a Europa dinástica sente-se ameaçada.
E por isso mesmo, mantêm-se equilibrada: porque, por outro lado, aquilo que se considera um sinal de fraqueza na França - e que na realidade não é outra coisa senão uma distração provisória - favorece as ambições de uns e de outros. A Inglaterra empirista e mercantil pode desfrutar de vantagens comerciais. A Áustria, a Prússia e a Rússia sentem-se
 

mais livres nos seus objetivos otomanos e polacos. Em suma, a Internacional dos reis suporta, muito alegremente as desgraças de Luís XVI. Nas Thulherias, Luís XVI e Maria Antonieta não param de escrever ao primo, o rei da Espanha, ao irmão,imperador da Áustria. Antes de Varennes, avisam sua partida a Leopoldo II, incitando-o a ameaçar os revolucionários franceses: esses colocam em movimento, com suas próprias mãos, a engrenagem da guerra. De fato, a fuga do rei, tantas vezes prevista pela imprensa parisiense, é sentida pelo povo como um prelúdio à invasão; sua captura sob forte escolta, como uma vitória sobre o estrangeiro.
Em agosto de 1791, o imperador firma com o rei da Prússia a declaração de Pillnitz, sobre a necessidade de restabelecer a ordem na França; prudentemente e, qualquer intervenção está subordinada a um acordo entre

 

os soberanos europeus. Mas aquilo que é feito para adiar a guerra, apressa-a. Não que a França revolucionária esteja tecnicamente pronta para isso: a emigração aristocrática enfraquecera os quadros tradicionais do Exército e a revolução quebrara a disciplina da tropa, cujo recrutamento fica tão limitado quando no ancien régime.

A democratização
da guerra

Os batalhões de voluntários que se alistaram na Guarda Nacional depois de Varennes, são agora pouco numerosos e estes novos soldados vestidos de azul são desprezados pelos militares de carreira, os brancos que mantêm a cor do rei. Essa mesma fraqueza representa um futuro elemento no caminho da guerra na França: Luís XVI e Maria Antonieta almejam uma derrota que, depois de Varennes, parece-lhes a última

 

esperança de restauração.
É, então, no seio da mesma revolução que se articula o mecanismo que conduz à aventura europeia: diante do derrotismo real e contra revolucionário, o patriotismo revolucionário democratiza a guerra, dando-lhe uma auréola de missão universal. O sentimento nacional não está mais sozinho a lutar pela nova França, mas se torna um modelo ideológico. E isso arrasta a revolução por um caminho imprevisível e violento: muito além dos cálculos do rei, mas também muito além das convicções dos patriotas, de Robespierre a Bonaparte.
Os deputados eleitos para a Assembleia Legislativa, que se reúne a 1 de outubro, são todos homens novos, já que Robespierre faz aprovar na Constituinte a lei de não reeleição de seus membros.

 
Fig.22.2

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