por
sua voluntária adesão à Federação. Em Avignon, a Constituinte se
defronta com o papa, fortalecida por uma insurreição popular que
reclama a união à França. Inicialmente hesitante, acaba se
pronunciando pela anexação em setembro de 1791. o que equivale
dizer que os povos não pertencem mais aos seus soberanos, e que
também estes têm o direito de dispor livremente de si mesmos.
Toda a Europa dinástica sente-se ameaçada.
E por isso mesmo, mantêm-se equilibrada: porque, por outro lado,
aquilo que se considera um sinal de fraqueza na França - e que
na realidade não é outra coisa senão uma distração
provisória - favorece as ambições de uns e de outros. A
Inglaterra empirista e mercantil pode desfrutar de vantagens
comerciais. A Áustria, a Prússia e a Rússia sentem-se |
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mais livres nos seus objetivos
otomanos e polacos. Em suma, a Internacional dos reis suporta,
muito alegremente as desgraças de Luís XVI. Nas Thulherias, Luís
XVI e Maria Antonieta não param de escrever ao primo, o rei da
Espanha, ao irmão,imperador da Áustria. Antes de Varennes,
avisam sua partida a Leopoldo II, incitando-o a ameaçar os
revolucionários franceses: esses colocam em movimento, com suas
próprias mãos, a engrenagem da guerra. De fato, a fuga do rei,
tantas vezes prevista pela imprensa parisiense, é sentida pelo
povo como um prelúdio à invasão; sua captura sob forte escolta,
como uma vitória sobre o estrangeiro.
Em agosto de 1791, o imperador firma com o rei da Prússia a
declaração de Pillnitz, sobre a necessidade de restabelecer a
ordem na França; prudentemente e, qualquer intervenção está
subordinada a um acordo entre |
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os soberanos europeus. Mas
aquilo que é feito para adiar a guerra, apressa-a. Não que a
França revolucionária esteja tecnicamente pronta para isso: a
emigração aristocrática enfraquecera os quadros tradicionais do
Exército e a revolução quebrara a disciplina da tropa, cujo
recrutamento fica tão limitado quando no ancien régime.
A democratização
da guerra
Os batalhões
de voluntários que se alistaram na Guarda Nacional depois de
Varennes, são agora pouco numerosos e estes novos soldados
vestidos de azul são desprezados pelos militares de carreira, os
brancos que mantêm a cor do rei. Essa mesma fraqueza representa
um futuro elemento no caminho da guerra na França: Luís XVI e
Maria Antonieta almejam uma derrota que, depois de Varennes,
parece-lhes a última |
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esperança de restauração.
É, então, no seio da mesma revolução que se articula o mecanismo
que conduz à aventura europeia: diante do derrotismo real e
contra revolucionário, o patriotismo revolucionário democratiza
a guerra, dando-lhe uma auréola de missão universal. O
sentimento nacional não está mais sozinho a lutar pela nova
França, mas se torna um modelo ideológico. E isso arrasta
a revolução por um caminho imprevisível e violento: muito além
dos cálculos do rei, mas também muito além das convicções
dos patriotas, de Robespierre a Bonaparte.
Os deputados eleitos para a Assembleia Legislativa, que se
reúne a 1 de outubro, são todos homens novos, já que Robespierre
faz aprovar na Constituinte a lei de não reeleição de seus
membros. |