Diante da promessa da sanção real aos atos de 4 de agosto, concorda com um "veto suspensivo", de efeito sobre duas legislaturas. Mas Luix VI continua a tergiversar sobre a assinatura, durante todo o mês de setembro: ainda uma vez todos estão seguros de uma coisa, que ele não aceita o fim da sociedade aristocrática. Quanto ao resto, isso permite que deflore uma nova crise, da qual não se sabe calcular a extensão ou a força. É o mecanismo de julho.
O resultado é ainda mais previsível, pelo fato de que a revolta não cessou completamente em Paris. Foi mantida pelas eleições municipais e pelo poder panfletário dos jornais e aumenta   velozmente   em

   

Lafayette corre a proteger a família real, mas não pode fazer outra coisa senão consagrar a vitória popular. Do balcão de mármore, ao lado de um rei mudo e perturbado, faz promessas e o próprio Luís XVI anuncia sua volta a Paris. Como em julho, é sua derrota que provoca o aplauso popular.
O imenso cortejo de 30 mil homens se põe a caminho, no começo da tarde. Depois da Guarda Nacional, com um pãozinho espetado nas baionetas, depois da mulheres armadas e dos soldados do rei desarmados, a carruagem real, como um féretro, vai seguida do deputados e da multidão vitoriosa. O povo impõe, ao mesmo tempo, o emblema tricolor e o símbolo de sua revolta: reconduz o "padeiro, a padeira e o ajudante de forno". Alta noite, depois de um desvio pelo Hotel de Ville, Luís XVI chega às Tulherias, prisioneiro em sua capital. Uma segunda avalancha de fugas se precipita pelas fronteiras.

 
Aquilo que parecia uma vitória se transforma em discussão: Luís XVI recusa sancionar
tanto o decreto de 4 d agosto, que determinava a supressão dos direitos feudais, como a
Declaração do Direitos do Homem e do Cidadão. Ao mesmo tempo, começam as primeiras
deserções no próprio campo dos revolucionários. Mas o vento revolucionário sopra mito
fortemente para que se possa estancá-lo. E qualquer manobra no sentido de tentar a
anulação das primeiras conquistas revolucionárias, é imediatamente esvaziada. Assim
a chamada a Versalhes, do Regimento de Flandres, fidelíssimo ao soberano, e o banquete
oferecido a seus oficias a 1 de outubro (fig1: banquete em honra à Guarda Real e aos
oficiais do Regimento de Flandres, na presença da família real). no decorrer do qual a
insígnia revolucionária tricolor é pisoteada, num ato simbólico do desejo de todos ali
presentes, de esmagar a revolução, é considerada um desafio. O povo de paris, tendo as
mulheres à frente (fig2), imediatamente realiza a marcha sobre Versalhes, para exigir
uma coisa só: a volta do soberano a Paris. Era o dia 5 de outubro e o povo efetivamente
consegue obrigar o rei a voltar. O soberano, dia 6 de agosto (fig3) está de novo em
Paris   com a família real.

 

setembro, alimentada pelos debates sobre o veto e pela crise alimentar. Mesmo sendo boa a colheita de 1789, o trigo ainda não foi debulhado, a normalidade ainda não chegou. As desordens tornaram mais difícil o transporte da produção e o reabastecimento dos mercados. O desemprego é brutalmente agravado com a fuga de muitas famílias aristocráticas, que dispensaram muitos empregados domésticos e deixam sem trabalho muitos artesões parisienses. Poupa-se o dinheiro, à espera de dias melhores: o fracasso dos dois empréstimos de Necker cria de novo o pânico na receita burguesa.
Quando em fins de setembro, chega a Versalhes o regimento de Flandres, convocado pelo rei, Paris se sente novamente ameaçada pela contra revolução e já se fala de uma fuga do soberano para Metz. De repente, o partido patriota unificado - deputados de Versalhes, Guarda Nacional e democracia parisiense - se prepara para uma nova jornada, que obrigue o rei a voltar atrás. Lafayette e Bailly, que representam o último

 

refúgio da lei nessa anarquia urbana, não opõem obstáculos. Mirabeau, que já é o detentor de um poder realmente forte, não tem o hábito de nadar contra a corrente; de resto, tendo já uma ideia formada sobre Luís XVI, é possível que se apoie nas intrigas dos Orleãs, para uma eventual sucessão, na esperança de conciliar a Monarquia e o povo.

Uma provocação do
rei e da rainha

A essa carga de explosivo potencial, falta a centelha que é fornecida pelo casal real. A 1 de outubro, os oficiais do corpo da guarda do rei convidam os do regimento de Flandres para um banquete na suntuosa sala da opera, de Versalhes.
Ao final do banquete, depois de ter bebido muito
à saúde da família real, o rei e a rainha, com o herdeiro nos braços, comparecem ao palco, sendo entusiasticamente aclamados até seus aposentos, onde arrancam os distintivos tricolores e os pisoteiam. O insulto leva Paris à ira: no dia 4, um domingo, reclama-se  uma   marcha   sobre

 

Versalhes para levar o rei de volta a Paris. Será para afastá-lo de sua corte? Ou será para que Paris, com seu rei, reconquiste o pão que lhe falta? A mentalidade revolucionária continua a confundir o alimento com a política. No dia 5, no Hotel de Ville, forma-se uma longa coluna, predominantemente de mulheres, que inicia a marcha de Versalhes. Pouco depois são seguidas por 15 mil guardas nacionais comandados por Lafayette. Chove, nessa segunda feira de outubro, que será o último dia do rei em Versalhes. Voltando precipitadamente da caça, Luís XVI cede, depois de haver pensado em fugir: promete às mulheres fornecer de novo alimento a Paris e, à Assembleia, sancionar os decretos de 4 de agosto. A chegada da segunda coluna parisiense faz eclodir novamente a crise: dois comissários da Comuna que escoltam Lafayette exigem o retorno do rei a Paris. Tudo é deixado para o dia seguinte, mas tudo se resolve na madrugada em Versalhes, quando o povo, que havia acampado ali na praça, termina por invadir o palácio.

 


 

 

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