|
O COMITÊ DE SALVAÇÃO PÚBLICA
Não existe, portanto,
solução de continuidade social entre a Gironda e a
Montanha, entre Brissot e Robespierre. O 3 de junho marca a
vitória política de um grupo sobre o outro. É verdade que
os montanheses não são os únicos vencedores: o golpe de Estado
popular contra Assembleia, com o qual mostraram sua vitória,
está cheio de ameaças para o futuro do sistema representativo
que continuam a reclamar. Neste momento, o povo de Paris, com
sua presença,encarna a continuidade da revolução e dá condições
para uma futura unidade do país; desempenha um papel ao mesmo
tempo secundário e decisivo.
Durante todo o verão de 1793 o povo dá um impulso notável ao
governo revolucionário. Indigentes, operários de fábrica,
trabalhadores do comércio encontram-se mais próximos pelas
ideias que por uma situação econômica específica. A cidade do
ancien régime, inteiramente pré-capitalista, ainda não unira
estes trabalhadores assalariados de que falavam Ricardo e Marx;
mas criara um outro ódio social. Barretes vermelhos, piques nas
mãos, os populares, símbolo da virtude, representam exatamente o
oposto da sociedade aristocrática: representam a igualdade. Sua
fúria terrorista é uma ânsia de nivelamento: a guilhotina, esta
foice da igualdade, |
|
deve reduzir as diferenças
sociais entre o povo e os ricos, e levar à formação de uma
comunidade virtuosa e pobre, quase um renascimento do antigo
sonho medieval. A plebe do ancien régime transforma-se
em povo soberano. Levado por uma sub-intelligentsia,
comerciante que aspira um lugar ao sol quer ter controle
direto sobre seus mandatários, sobretudo os da Assembleia.
A Montanha
domina a Assembleia
A Montanha
deve seu poder a ele, mas mantém distância. É verdade que na
esquerda da Montanha estão alguns membros próximos do
esquerdismo parisiense: além de Collot d'Herbois e de
Billaud-Varenne, que integram o Comitê de Salvação Pública, os
populares ocupam importantes posições entre os montanheses, na
Comuna de Paris e no Ministério da Guerra. Mas a Montanha,
padrão dos jacobinos, que no momento domina a Assembleia e
dentro em breve também o Comitê de Salvação Pública, não está
disposta a ceder inteiramente às pressões populares. E o Governo
de centro não é nada homogêneo. No dia 3 de junho, o Comitê de
Salvação Pública, instalado em abril, ainda está dominado por
Danton. É na primavera que este montanhês moderado começa a
desenvolver uma política que não pode confessar. |
|
 |