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Nesse momento, nesse verão de
1789, ocorreram na realidade várias revoluções que se interligam
ou se concatenam: da opinião do reino, contra a dos deputados do
Terceiro Estado nos Estados Gerais, sobre as grandes ideias
políticas. Paralelas a essa, mas independentes, duas forças
populares mobilizadas pela conjuntura e unidas na grande
reivindicação anti senhorial e antifiscal, que, juntas, afastam
totalmente o grande sonho contra revolucionário; o povo das
cidades - Paris, acima de tudo - e a revolta rural, unidos pela
fome, como sempre, mas acima de tudo amoldados pela coerência e
unanimidade política do Terceiro Estado. É nesse ponto de
encontro que nasce a consciência revolucionária da nação. |
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Os deputados não são o
fermento: porque de repente se recusam a lutar contra o reino. O grande problema, quando se
reúnem os Estados gerais, na grande sala do Hôtel des Menus
Plaisirs, é o do voto por cabeça, ou por ordem. Luís XVI revela
sua decisão com o protocolo mediante o qual se respeita de modo
escrupuloso a tradicional divisão social: na sessão de abertura,
o rei manifesta sua vontade de limitar a competência dos Estados
Gerais ao exame dos problemas financeiros.
Mas, faltam-lhe meios para sustentar sua política. Porque não
pode contar, para fazer frente aos 600 deputados do Terceiro
Estado, com a totalidade das duas Assembleias privilegiadas. No
clero, onde há muitas lutas internas, há apenas 46 bispos entre
os 300 deputados, muitos dos quais |
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curas de aldeias, que se deixam
influenciar por seus vizinhos do Terceiro Estado. Um terço da
nobreza já aceitara as ideias
liberais, dominado pela fama do orador Duport e pelo prestígio americano de Lafayette.
O Terceiro Estado e
a Assembleia Nacional
No
Terceiro Estado, entretanto, a situação era diferente: havia uma
absoluta coesão tanto política como social. Não eram camponeses,
artesãos ou operários, mas uma verdadeira coletividade burguesa,
unânime no seu desejo de transformação do Estado. Os advogados e
homens da lei não se sentiam diferentes dos mercadores e
comerciantes. As glórias locais das comunidades provincianas
vivem seu grande momento e não se intimidam com Paris.
Lanjuinais e Le Chapelier da Bretanha, Thouret e Buzot da
Normandia, Barnave do |
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Delfinado, Saint-Etienne de Nimes ou
Robespierre de Arras, estão no mesmo plano que Bailly, o
acadêmico de Paris. Sob o anonimato cinzento das mesmas roupas,
constituem a mais forte vontade coletiva que jamais compusera
uma Assembleia. A única concessão aos tempos
aristocráticos - que é também, hábil manobra - é deixar na
primeira fila dois homens provenientes das classes privilegiadas: Sieyes
de mentalidade estreita mas obstinada, e o visconde de Mirabeau,
desligado de sua ordem e acolhido pelo Terceiro Estado de
Aix-en-Provence, grande talento que se desperdiça no escândalo e
na intriga. É chegado o momento no
qual esse temperamento ardente se põe em sintonia com os grandes
acontecimentos. Ao fim do dia 6, o Terceiro Estado assume a
denominação de Comuna, como se o novo nome |
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