Fig 8.1: os bustos do duque de Orléans e de Necker, levados em triunfo pela multidão, a 12 de julho. Guache de P.E. Le Sueur

Nesse momento, nesse verão de 1789, ocorreram na realidade várias revoluções que se interligam ou se concatenam: da opinião do reino, contra a dos deputados do Terceiro Estado nos Estados Gerais, sobre as grandes ideias políticas. Paralelas a essa, mas independentes, duas forças populares mobilizadas pela conjuntura e unidas na grande reivindicação anti senhorial e antifiscal, que, juntas, afastam totalmente o grande sonho contra revolucionário; o povo das cidades - Paris, acima de tudo - e a revolta rural, unidos pela fome, como sempre, mas acima de tudo amoldados pela coerência e unanimidade política do Terceiro Estado. É nesse ponto de encontro que nasce a consciência revolucionária da nação.

 

Os deputados não são o fermento: porque de repente se recusam a lutar contra o reino.    O grande problema, quando se reúnem os Estados gerais, na grande sala do Hôtel des Menus Plaisirs, é o do voto por cabeça, ou por ordem. Luís XVI revela sua decisão com o protocolo mediante o qual se respeita de modo escrupuloso a tradicional divisão social: na sessão de abertura, o rei manifesta sua vontade de limitar a competência dos Estados Gerais ao exame dos problemas financeiros.
Mas, faltam-lhe meios para sustentar sua política. Porque não pode contar, para fazer frente aos 600 deputados do Terceiro Estado, com a totalidade das duas Assembleias privilegiadas. No clero, onde há muitas lutas internas, há apenas 46 bispos entre os 300 deputados, muitos dos quais

 

curas de aldeias, que se deixam influenciar por seus vizinhos do Terceiro Estado.  Um terço da    nobreza  já  aceitara as    ideias    liberais, dominado  pela fama do orador Duport e pelo prestígio americano de Lafayette.

O Terceiro Estado e
a Assembleia Nacional

No Terceiro Estado, entretanto, a situação era diferente: havia uma absoluta coesão tanto política como social. Não eram camponeses, artesãos ou operários, mas uma verdadeira coletividade burguesa, unânime no seu desejo de transformação do Estado. Os advogados e homens da lei não se sentiam diferentes dos mercadores e comerciantes. As glórias locais das comunidades provincianas vivem seu grande momento e não se intimidam com Paris. Lanjuinais e Le Chapelier da Bretanha, Thouret e Buzot da Normandia, Barnave do

 

 

Delfinado, Saint-Etienne de Nimes ou Robespierre de Arras, estão no mesmo plano que Bailly, o acadêmico de Paris. Sob o anonimato cinzento das mesmas roupas, constituem a mais forte vontade coletiva que jamais compusera uma Assembleia. A única concessão aos tempos aristocráticos - que é também, hábil manobra - é deixar na primeira fila dois homens provenientes das classes privilegiadas: Sieyes de mentalidade estreita mas obstinada, e o visconde de Mirabeau, desligado de sua ordem e acolhido pelo Terceiro Estado de Aix-en-Provence, grande talento que se desperdiça no escândalo e na intriga. É chegado o momento no qual esse temperamento ardente se põe em sintonia com os grandes acontecimentos. Ao fim do dia 6, o Terceiro Estado assume a denominação de Comuna, como se o novo nome

 

 

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