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votos haviam
favorecido... os jacobinos. A saída era novo golpe de
Estado possível com a popularidade de Bonaparte.
Entretanto, Napoleão não tencionava vir a se constituir
numa solução para o Diretório, e muito menos para Sieyès.
Seu procedimento político, desde a campanha da Itália,
mostrava apenas um compromisso: consigo próprio. E o
desejo de vir a ser um novo Henrique IV de tempos
democratizados, como único árbitro da paz civil na
França e, talvez, em toda a Europa. Aceita um acordo com
Sieyès apenas porque os momentos decisivos chegaram.
Seus associados são agora secundários, apenas servirão
para que ele chegue ao poder, sem meios para detê-lo,
mesmo que queiram. Ele, Napoleão, é que é a bandeira no
pantanal da França, é o soldado na opinião dos políticos
é o povo na imaginação dos dirigentes. É a ideia
monarquista, sinal dos tempos, que retorna para agrado
da direita moderada. É a encarnação revolucionária aos
olhos agradecidos dos comandados e do povo. É a
segurança e a tranquilidade que a burguesia e os
termidorianos tanto procuravam. É a síntese.
A 18-brumário ocorre o golpe que substituiria o
Diretório pelo Consulado onde Bonaparte conseguiria
completa hegemonia sobre os outro cônsules, Sieyès e
Duclos. No dia imediato, ao enfrentar os jacobinos dos
quinhentos, Bonaparte é ferido na
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testa, seu irmão
Lucianochama os granadeiros em seu auxílio. o incidente
serve para denunciar uma pretensa conspiração jacobina,
ocultando por algum tempo o verdadeiro caráter do golpe
de Estado até que a situação se esclarecesse. E as
consequências foram o rápido alargamento das bases do
poder. O rei da revolução, obstáculo
intransponível para os bourbonistas exaltados, cativara
os monarquistas moderados. O general, mão forte contra
os remanescentes do igualitarismo sans-culotte,
aparecia como consolidador da revolução aos olhos de boa
parte do povo. Na sua quedas, os termidorianos chegavam
aos seus objetivos: não haveria restauração. E a
revolução terminara.
O
significado
final da revolução
Após o
Brumário, pode-se perguntar pelo significado histórico da
revolução francesa. O que se quis salvar, a todo custo, contra a
ameaça reacionária de retorno do ancien règime? Sobretudo
a igualdade, tal como esse termo era concebido após os
dez anos de revolução.
A igualdade fora conquistada com muita luta frente à antiga
sociedade nobiliárquica, caracterizada pelos privilégios de
nascimento. Os dcretos de 4 a 11 de agosto de 1789, a abolição
dos títulos de nobreza e a torrente de igualitarismo dos anos
92/93, haviam derrubado uma hierarquia social fundada nos
direitos do sangue. Sob muitos aspectos, a extraordunária |
Os ecos das
dificuldades francesas no Egito ressuscitam
a resistência dos
soberanos europeus contra a República
francesa, que atravessa um momento perigoso.
mas, os Exércitos republicanos
recompuseram-se
e a vitória de Masséna em Zurique (fig.46.1)
e de Brune na Holanda,
restabelecem a situação. Bonaparte, em seu
retorno, não possui nenhum crédito nas novas
vitórias francesas: a campanha do Egito não
tivera
sucesso, e não lhe resta senão a glória -
imensa é verdade - das
campanhas na Itália em 1796/97. Mas, Sieyès,
que no momento controla
o Diretório, necessita uma espada, e
acredita em Bonaparte. A 10 de
novembro de 1799, o Diretório é dissolvido,
e seu lugar ocupado por
três cônsules (fig.46.3: posse do Conselho
de Estado no palácio do Petit
Luxemburg, pintura de Couder; fig46.2:
Bonaparte, Primeiro Consul,
pintura de J. L. David, iniciada em 1799, e
que permaneceu inacabada). |
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Fig.46.2 |
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Fig.46.3 |
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violência das
reivindicações igualitárias entre 1789 e 1794, se
explica por se constituírem no oposto dos preceitos das
sociedades aristocráticas, na subversão sempre radical à
ordem que precede um progresso revolucionário. A negação
dos direitos do nascimento atinge seu apogeu sob o
Terror com a santificação dos sans-culotte, antes
a ralé mais espúria. Quando a onda popular, ao fim do
terror, decresce de intensidade, o igualitarismo
mantendo-se como ideologia revolucionária, muda no
entanto de significado. Não é mais igualdade social, mas
igual oportunidade a todos para que os mais aptos possam
ascender numa sociedade que permanece diferenciada. Esse
conceito, um dos fundamentos das sociedades
contemporâneas, representou uma profunda modificação na
mentalidade europeia.
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De imediato, a
revolução francesa mostrou-se como uma revolução nos
empregos. Igualmente significou livre acesso de todos os
cidadãos a todos os ofícios, que antes fossem reservados
aos nobres, como o oficialato militar, quer a plebeus,
como os monopólios das corporações de comércio ou de
artesanato. Mas essa abertura dos empregos aos homens de
talento representou menos o nascimento da livre empresa
e mais o desenvolvimento do funcionalismo público e da
burguesia estatal.
De fato, a livre empresa já era, no século 18, muito
mais difundida do que se pensa, e as medidas
revolucionárias que estabeleceram em definitivo as
condições jurídicas de uma economia liberal, muito em
breve tiveram efeitos desastrosos sobre a economia e a
produção francesa. Por ouro lado |
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a abertura dos
empregos à livre competição só pôde concretizar-se com a
criação de novos cargos, dada a massa ociosa que povoara
a França do ancien règime. E tais cargos teriam
que surgir à sombra da máquina governamental ou através
da carreira militar. As intermináveis guerras
exteriores, assim, constituíam-se para a França menos um
ônus do que uma solução.
O
despotismo
esclarecido
Dez anos
haviam se passado, desde Sieyès e a Monarquia liberal de 1789,
até Sieyès e a introdução ao império revolucionário, no
18-brumário. Na busca da igualdade, haviam se empenhado
girondinos, jacobinos, sans-culottes. Em nome dela, a
nação conhecera a revolução, levantes, Terror, golpes de
Estado, guerras e o Exército |
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missionário da nova França. Vários modelos de Estado
foram propostos e experimentados, enquanto emergiam e se
debatiam todas as correntes e contradições sociais da
velha França.
Então, de repente, por mais uma ironia da História, a
revolução se resolvia, não num de seus modelos, não numa
filosofia política que lhe fosse própria, mas na
revivescência de um eljo sonho de Voltaire e do século
18: o despotismo esclarecido.
Extinguiram-se os laços com o passado feudal, a
aristocracia de sangue abandonava o poder e seus
privilégios. Encerrava-se a revolução, a burguesia
assumia a hegemonia, cumpria-se a História. Definia-se a
igualdade, como sendo de oportunidades. A cada um de
acordo com os seus próprios méritos. E ao de mérito
maior, Napoleão Bonaparte, a própria frança submissa e
agradecida.
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