Fig35.1

geral. Mas isso se revelou de difícil aplicação. Além de abrir possibilidades de um levante dos camponeses contra o Estado e, nas cidades, de conflito entre a difícil conciliação dos lucros com os salários: preocupado em manter a aliança da burguesia com o povo, o Comitê exerce um controle brando, submetendo toda a Legislação suplementar a seu monopólio. Por estes mesmos motivos, empenha-se em frear o movimento de descristianização iniciado por alguns representantes em missão, como Fouché em Nièvre. Na verdade, com o 10 de agosto, já havia se delineado o advento de uma burguesia democrática: depois que, nos seus últimos dias de vida, a Assembleia

 

havia   laicizado   o   estado civil e concedido o divórcio, a Convenção introduz o novo calendário revolucionário. O espírito religioso anticlerical transforma-se em culto pela substituição: nas igrejas transformadas em templo da razão, as efígies dos mártires da revolução - Marat, Le Pelletier, Chalier - tomam o lugar dos santos. Mas Robespierre odeia o ateísmo e o Comitê de Salvação Pública não vê nas provocações anticatólicas senão um motivo suplementar e gratuito de discórdia civil; em dezembro, com o apogeu de Danton, a Convenção estabelece a liberdade de culto.
Para o exército, o problema é mais simples. Trata-se somente de vencer. Os efetivos aliciados na massa

 

popular são mal equipados: a estratégia ainda é a do ancien régime,  a  guerra  de cerco e não de invasão, com cordões de tropas e não em massa de manobra.

A vitória
de Wattignies

Mas tudo mudou com a incontestada autoridade do poder civil e sua consequente orientação: uma depuração severa renova os comandos e coloca nas chefias homens mais jovens, filhos da revolução, como Jourdan e Hoche. Por outro lado, os representantes em missão reiteram o primado do civil sobre o militar, galvanizando os entusiasmos.
A primeira guerra ideológica dos tempos modernos encontrou seus heróis. Carnot e

 

Jourdan, em outubro, libertam a fronteira setentrional com a vitória de Wattignies. No Reno, enquanto os austríacos estão a quatro horas de Strasburgo, Saint-Just consegue resolver uma situação desesperada somente com sua retórica espartana: uniu Pichegru e Hoche, que não entravam em acordo, em uma ofensiva comum que liberta Strasburgo e Landau. Mas, tanto no sul quanto no norte, as operações cessam com a chegada do inverno.
Simultaneamente, os focos contrarrevolucionários diminuem: Lyon é retomada a 9 de outubro, Toulon em dezembro. A atrocidade local da guerra não chega a diminuir; mas não mais ameaça a Convenção.

 


 

Seria porém injusto ver no Terror somente um período
com os candidatos à guilhotina
(fig.35.1: a última carreta dos condenados). Neste sentido,
é significativa a frase atribuída a madame Roland
(fig.35.3: uma água-forte de Duplessis-Bertaux) pouco
antes de ser guilhotinada:
Liberdade! Quantos
crimes se cometem em teu nome!
Em primeiro lugar,
não se pode esquecer que o Terror não deve ser atribuído
a uma espécie de loucura homicida
de Saint-Just
e de Robespierre como muito facilmente se foi levado
a crer e como a propaganda contra-revolucionária
insinuou: neste sentido, é significativa
a fig.35.2 que representa Robespierre,
único sobrevivente entre todos os franceses,
enquanto guilhotina o carrasco. Atrás
daqueles homens estavam as massas populares
que pediam que a revolução fosse defendida
e, se possível, levada adiante: em setembro de 1793,
Paris se revolta e, de fato, pede que a defesa
da revolução e da República seja feita até o fim,
sem hesitações: é precisamente desta exigência
de
base - como diríamos hoje - que os Robespierre
e os Saint-Just se fazem porta-vozes e executores.
 


Fig.35.2
 

Fig.35.3

A CRISE
DA MONTANHA

O momento é muito grave porque o medo que mantinha todos unidos é rompido com a suspensão das operações pro causa do inverno. Aparecem as divergências da Montanha. Para prevenir-se contra uma reviravolta para a esquerda, o Comitê tende primeiramente para um novo moderatismo, que é reforçado com a volta de Danton.
Danton empenha-se a fundo contra a descristianização. Depois, prega o fim do Terror. Peço que se poupe o sangue dos homens. Isto não só porque vários de seus amigos tenham sido ou estavam para ser presos em consequência da liquidação da Companhia das Índias. Mas, porque ele permanece o mais pacifista dos montanheses e, também, porque a melhora da situação militar francesa acena com possibilidade de Paz: ainda é necessário libertar a Convenção das pressões populares e tirar Robespierre da esquerda hebertiana (Collot d'Herbois e Billaud-Varenne). A 1 de dezembro, Camille Desmoulins lança um novo jornal, Le Vieux Cordélier, que concorda com a ofensiva anti-hebertiana, chegando a propor

 

a criação de um comitê de clemencia.
Neste mesmo mês, Robespierre deixa que prendam Vincent e Ronsin, defende Danton no clube dos jacobinos, aprova os primeiros números do Vieux Cordelier. Ansioso por manter o apoio indispensável do centro, luta contra a fácil ideologia das seções de Paris na Convenção; parece que abandonara também, na política externa, as posições de extermínio defendidas em seus discursos anteriores.

O fim da aliança
Danton-Robespierre

Mas as bases desta aliança Danton-Robespierre são fracas: ns França de 1793, a procura da paz é uma política inconfessável, que não só encontra obstáculos em Paris como em todos os revolucionários empenhados no Terror e na Guerra. A contra-ofensiva não demora. Billaud-Varenne e Collot d'Herbois usam contra Danton a sua própria tática: para isolá-lo, tiram um dos seus homen do Comit6e de Segurança Geral, Fabre d'Eglantine. Robespieere os segue e ataca Camille Desmoulins    justificando    o 

 
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