patriótica, feita contra Monarquias, os protege contra os direitistas nacionais. Mas também os protege da esquerda, pois há muito, no sentimento popular, a revolução fundira dois substantivos: guerra e Terror.
Agora, desmontada a guilhotina e desarmados os subúrbios, se fosse feita a paz, seria necessário enfrentar o problema dos sans-cullotes que constituíam o Exército do ano II, e para os quais a aventura militar não representava senão uma nova forma de ativismo revolucionário. A guerra, além de manter as aparências da revolução em andamento, oferecia aos humildes um emprego e um futuro. O Diretório tinha consciência de tudo isso. Bonaparte também.

As vitórias
de Napoleão

E eis que, na primavera de 1796, o pequeno corso de 27 anos reunia  seu Exército ao pés dos Alpes. Seu magnetismo pessoal a bandeira da continuidade revolucionária transformaram de um só golpe o bando de maltrapilhos em tropa organizada.E iniciou a campanha. Em 15 dias - Montenotte, Millesimo, Mondovi - separou os piamonteses dos austríacos, forçando o Governo de Turin a solicitar um armistício. Em dez dias, fez 12 mil prisioneiros. O otimismo da campanha fácil transparece no boletim da vitória, primeiro comunicado de Bonaparte aos seus homens: Soldados, em quinze dias obtivestes seis vitórias... mas não fizestes nada diante do que ainda havereis de fazer ... voltando à pátria, todos dirão: estávamos no Exército que conquistou a Itália. Todo o sucesso da estratégia militar de Napoleão baseava-se na velocidade  de movimentos, na superioridade

 

ig.43.1

 

No clima incerto
e politicamente fragmentado em que governa o Diretório
o único ponto seguro
constitui-se nas vitórias
militares, cujos ecos logo
chegam a Paris.
Apesar de tudo, e com
rapidez, a França amplia
sua fronteiras
incorporando Flandres e a
parte espanhola
de São Domingos.
Há grandes problemas
militares, mas há também
homens à altura para
resolve-los. E dentre todos,
em primeiríssimo plano,
Bonaparte, que, ultrapassando
os Alpes, penetra na Itália
(fig.43.1: chegada do Exército
francês  às fronteiras italianas
em 1796), onde conduz uma
campanha que culmina com
uma série de fulgurantes
batalhas  estabelecendo
não só as bases de um
sucesso militar, mas fixando
também as premissas daquela
que seria, depois, sua carreira

numérica e na concentração da ofensiva sobre um mesmo ponto. O moral nos acampamentos franceses é altíssimo, transmitindo aquela atmosfera alegre que tanto encantou a Stendhal.E Bonaparte sabe valorizar suas vitorias, extraindo delas fruto político, com um estilo típico, jovem, mesclando nas atitudes um lado infantil e outro maduro. O General da Itália é o mesmo homem que escreve cartas de amor  a   Josefina:  real,  prático, sem ilusões, mas sem ccticismo.

 

Prudência e força. Impede que o Diretório divida seu comando, abrindo uma frente política contra Paris, ao mesmo tempo em que combate os austríacos de Beaulieu. E vence. A 15 de maio, entra em Milão, tornando-se senhor da Lombardia.

O General
da Itália

Agora, Napoleão já está bem consciente de seu futuro e de suas ambições; trata de igual

 

para igual com os advogados de Paris  e se obedece, em junho, as instruções do Diretório para  uma incursão pela Itália central é porque percebe no empreendimento uma série d vantagens pessoais. E não apenas vantagens de prestígio. de fato,  procede-se a um metódicoaque da península, e apenas uma pequena parte da  fortuna arrecadada segue para Paris (de onde é imediatamente remetida aos Exércitos na Alemanha).  Quase todo dinheiro italiano    fica    na Itália,  pagando em dia o soldo das tropas, servindo

 política (fig.43.2: Napoleão
prepara-se para cercar o
inimigo nas montanhas e
para a captura de
Montenotte a 12 de abril;
fi.43.3: cena da batalha de
Mondovi a 22 de abril
fig.43.4: batalha na ponte
de Lodi, a 10 de maio:
reprodução de um
desenho de Vernet)
 


Fig.43.2


para alimentar, vestir e armar o Exército. Assim, no momento em que domina a Toscana, ameaçando os Estados papais, Bonaparte possui um Exército praticamente autônomo, que não depende nem da moeda nem dos desejos de Paris. Tal independência lhe permitiria impor uma política italiana própria, não apenas ao Governo de Viena, mas também aos dirigentes da França.
Mas, a última parte da campanha apresentou maiores dificuldades. Os austríacos, cujas forças vinham se retirando sem muitas perdas, concentram-se na defesa de Mantova. Bonaparte ataca-os várias vezes em Castiglione, mas não consegue vitórias decisivas.

 

Fig.43.3

No outono, com a situação incerta, chegam más notícias da Alemanha: Jordan e Moureau, após chegarem brilhantemente até a Baviera, retrocediam para o Reno, sob pressão do arquiduque Carlos. Bonaparte continua a anunciar vitórias, mas a entrada em cena do húngaro Alvinczy, à frente de 50 mil homens, ameaça seriamente as posições francesas

 

e, em Arcole, o general precisa intervir pessoalmente para eliminar o pânico que começava a se disseminar pelo Exército repúblicano.

Napoleão e a
paz vitoriosa

Em paris, Carnot começa a pensar numa paz honrada, o que

 

para ele significava o sacrifício da Lombardia e da República cisalpina, recém-criada por Napoleão. Seus planos se frustam na medida em que, após o impasse, Alvinczy é vencido em Rivoli (janeiro), e, no mês seguinte, as forças de Wurmser são batidas às portas de Mantova. Com a proximidade das eleições, e sempre atentos   ao   perigo   monarquista,


Fig.43.4
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