|
|
Os problemas básicos
da República não estão
ainda resolvidos,
e já se instala um novo
estilo de vida com reflexos
nos hábitos, na moda, nas
diversões e no aparecimento
de novas figuras de sociedade
(fig.42.1: Banho da Moda;
fig.42.2: mostra do vestuário
na decoração de um
leque; fig42.3: Le Café des
Incroyables, agua-forte de 1797
fig.42.4: Madame de Tallien
nun retrato de Bouliard). |
|
Luís XVI, cuja posição assusta e ameaça
os burgueses simpáticos à causa, os monarquistas
moderados. Sobre esquerda e direita, os novos
governantes têm um mérito: o de haver sabido sobreviver
utilizando todos os meios para chegar ao poder. É o que
valoriza Rewbell. É o tipo de grandeza de Barras,
corrupto, mas que soube manter o domínio da situação com
uma energia e uma acuidade inimitável em seus melhores
dias.
A
conspiração
de Babeuf
A crise
econômico-financeira continuou a deixar seu rastro de miséria e
desordem. A mercê da corrupção, ampliando as despesas enquanto a
arrecadação diminuía, vendendo o que restava dos bens
nacionais a especuladores de um novo papel-moeda, que, como
os bônus logo se desvalorizaram, o Diretório não trouxe nenhum
remédio para a situação. E, a despeito do enfraquecimento das
oposições, veio a consequência imediata: Babeuf. O primeiro
comunista da história francesa não
teve, desde logo, a importância
que a direita e a esquerda (por motivos
opostos) iriam lhe atribuir nos séculos seguintes.
Reunindo o velho igualitarismo agrário com as recentes ideias de
putsch político, seduziu os velhos terroristas do ano II.
Seu movimento foi muito mais o derradeiro
sussurro sans-culotte, do que o primeiro grito
bolchevique. Mal organizado, mesmo em
Paris, e exposto à provocação policial,
a conspiração de Babeuf foi facilmente esmagada |
|
|

Fig.42.1 |

Fig.42.2 |
|
por Carnot, em maio de
1796. O antigo artífice da vitória, agora
transformado no mais conservador dos revolucionários,
utilizou o episódio para criar um pânico burguês que
levasse os moderados (monarquistas e republicanos) à
reconciliação sob a bandeira da ordem. Mas, numa
França onde Hoche mal acabara de pacificar o oeste com
uma ação inteligente, mas nem sempre branda, o realismo
ainda se encontrava prisioneiro do passado, das
suas perdas e do seu reino. O príncipe, como a igreja
rebelde, mantinha-se intransigente na sua meta de
restauração. Também entre os burgueses a política
conciliatória encontrava opositores, aliás no próprio
Diretório, onde La Révellière juntaria a Barras e
Rewbell para formar uma maioria contrária às ideias de
Carnot. |
|
Agora, pouco importava
que as eleições de fevereiro de 1797, como a situação
política e financeira faziam prever, levem à
substituição do obscuro Letourneur pelo hábil
monarquista Barthélemy. Isso não alterava o quadro, pois
já em março Rewbell trazia prontos os planos para o
golpe de Estado. barras, após sondar todos os campos,
verificara que só há uma forca capaz de sustentá-los no
poder: o Exército. E, em maio, envia um emissário a
Milão, para colocar Bonaparte a par dos acontecimentos.
Um mês depois, La Révellière, indignado com uma decisão
do Conselho favorável aos padres rebeldes, une-se aos
antimonarquistas do Diretório. E sob inspiração dos
três, no fim da primavera, o Exército da República, na
Alemanha e na Itália, vota por aclamação uma moção de
fidelidade à República. |
|
E de resto, os
soldados de Hoche e Bonaparte não poderiam ser senão
republicanos, pois seu futuro e sua glória estavam
estreitamente ligados aos destinos da República.
A EXPANSÃO
TERRITORIAL
Com as vitórias na Bélgica e na
Holanda, o Exército havia dado segurança ao país e, ao
mesmo tempo, fornecera armas políticas para a diplomacia
termidoriana. Com a mesma prudência do Comitê de
Salvação Pública, o novo regime unia objetivos
expansionistas (dotar a França de suas fronteiras
naturais) à meta de dissolver as perigosas coalizões
monarquistas feitas por seus vizinhos europeus. Em
janeiro de 1795, Pichegru dominava os Países Baixos
e, pouco mais tarde,
a |
|
|
|
|
Holanda, transformada
em República, cedia a região de Flandres e aceitava a
hegemonia francesa. Em julho, a Espanha de Godoy, em
busca de uma paz indispensável, entregava à França as
possessões na Ilha de São Domingos. Quanto à Prússia, as
negociações de paz iniciadas na Basiléia em 1794,
levavam-na a admitir a possibilidade de permitir a
ocupação pela República de toda a margem esquerda do
Reno (primavera de 1795).
Contudo, o tratado de Basiléia não resolvia os problemas
com a Inglaterra e a Áustria. Sem solução para a questão
britânica, o Diretório se propôs a forçar um desfecho no
caso do império Habsburgo. Nesse momento, entretanto, a
situação militar piorava sensivelmente devido à
inatividade de Pichegru (já então simpatizante dos
monarquistas) e ao imobilismo de Scherer, na Itália. O
Exército de 800 mil homens (ano II) reduzira-se à
metade, menos pelas baixas em combate do que pelas
doenças e deserções. Os soldados, mal alimentados e mal
pagos, iam abandonando as fileiras. |
|
Nessas condições é que
Carnot iniciou os preparativos para a campanha de 1796:
as ações mais importantes deviam se desenvolver na
Alemanha pelo Exército de Jourdan e pelo de Moureau (que
substituíra Pichegru), no Reno e em Moselle. Para a
Itália, zona de operações secundárias, demitindo-se
Scherer, o Diretório escolheu para o comando, Bonaparte,
que recém-desposara uma ex-amante de Barras: Josefina de
Beauharnais.
O Diretório e
a guerra externa
O preparo da
guerra não implicava uma identidade de objetivos externos entre
os membros do Diretório: Rewbell era o grande defensor das
fronteiras naturais, do expansionismo francês (Albert Sorel
e Jacques Bainville, um pouco precipitadamente, vieram a
concluir que tal expansionismo constituía o grande fim coletivo
de toda a aventura revolucionária). La Révellière-Lépeaux, como
Sieyès, mantinha-se adepto da velha tese girondina da cruzada
revolucionária para cercar a França de Repúblicas irmãs. |
|

Fig.42.4 |
|

Fig.42.3 |
|
Mais modestos os
objetivos de Carnot: anexar o Avignon, Nice, Savóia e a
Bélgica até p rio Meuse. É essa discussão que Napoleão
prepara-se para transformar em confronto mediante o
lançamento de sua política italiana, improvisação
pessoal que foi logo apoiada pela República. Talvez
Paris tenha medo de seus próprios generais? Ou age assim
por necessidade política e financeira?
Provavelmente todas estas razões levaram a uma só
direção: o prosseguimento da guerra. Uma guerra, mesmo
de resultados incertos, encontrava-se na própria
natureza da revolução e havia uma indetrutível ligação
na opinião pública entre guerra e República, paz e
Monarquia.
Os homens que governavam Paris terão menos temor à paz
no momento em que essa não trouxer consigo ameaças de
restauração, pois a
guerra, |
|
|