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sua personalidade é
complexa e misteriosa: quando, em maio de 1789, chega a
Versalhes como deputado do Terceiro-Estado de Arras,
traz consigo as recordações de uma juventude difícil,
pobre e seu sonho roussoniano. Mas esta tímida
austeridade tem dotes profundos: a concentração,
indispensável aos grandes projetos, e a convicção de que
toda a força da revolução estava na união da burguesia
com o povo.
Durante a Constituinte, enquanto seus
protagonistas se desgastavam, ele lutava por mostrar que
estava em jogo o direito dos pobres: o eleito por Arras
torna-se então o ídolo de Paris. Depois de Varennes e do
massacre do Campo de Marte consegue manter alto crédito
dos jacobinos, apesar do afastamento dos fueldenses. E é
sobre esta base que ele assentará sua grande batalha
política: contra a guerra ele está sozinho,mas contra a
traição e a corte, contra os girondinos, está presente o
seu magistério revolucionário e se dirige ao poder sem
cometer um erro sequer.
A felicidade
social não é fácil
O
incorruptível é também um hábil estrategista, pronto a
distinguir o que é possível do que é aventuroso, a utilizar a
opinião popular ou parlamentar sem se deixar levar. A 10 de
agosto e a 2 de junho une-se no último momento ao movimento
revolucionário somente para |
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poder se dedicar
melhor a ele e dirigi-lo. Na primavera de 1793, todas as
condições estão maduras para poder opor-se à Gironda,
até a propaganda da anexação. Mas que importa? Com
Robespierre é a virtude que toma lugar no Comitê de
Salvação Pública.
Este chefe realista e eficaz não baseia seu esquerdismo
só sobre problemas táticos: também ele aprendeu com os
autores contemporâneos, e sobretudo com Rousseau. A
dificuldade no exercício do poder, a reticência da
burguesia e a inconstância popular dão razão a
suas leituras de adolescente: a felicidade social não é
fácil nem natural, mas deve ser imposta com a força dos
oprimidos.
Como Saint-Just, Robespierre sonha instalar um mundo de
fraternidade igualitária e governar um paraíso de
pequenos proprietários virtuosos.
Estes intelectuais, que sentem necessidade de
generalizar sua extraordinária experiência, encontram
amplas possibilidades na utopia do século; a sociedade
burguesa de que eles se tornam os artífices
involuntários representa a seus olhos o mal absoluto: o
luxo, a unilateralidade dos interesses o ateísmo.
Ponto geométrico de encontro das necessidades e das
contradções revolucionárias, Robespierre e seus poucos
amigos são os heróis de uma situação particular e de um
sonho. |
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No novo Comitê de
Salvação Pública, teoricamente,
todos os membros são iguais: mas duas figuras
emergem rapidamente: Robespierre (fig.32.1:
desenho feito durante uma convenção; fig.32.3: o símbolo
do clube dos cordéliers pertencente a Robespierre) e
Saint-Just
(fig.30.2: pintura de Houdon). Personalidades intransigentes,
defensoras sinceras e austeras da virtude revolucionária,
diante da qual tudo - absolutamente tudo - deve se curvar,
convictos de que as massas populares devem ter o direito de
fazer sentir seu próprio peso no processo
revolucionário e na sociedade que dele nascerá,
representaram com vigor
a fase mais aguda da revolução francesa.
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A DITADURA DE GUERRA E O
TERROR
A
situação particular que, no verão de 1793. impõe a
ditadura do Comitê de Salvação Pública é muito perigosa:
nesse ponto, a revolução deve vencer ou morrer.
Internamente, o golpe de estado parisiense contra a
Assembleia de 2 de junho provoca maior divisão nas
províncias. |
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Os
departamentos normandos e bretões unem-se em federação
em torno de Caen, capital efêmera do oeste girondino.
Bordeaux expulsa os representantes da Convenção, e a
insurreição chega a Lyon e às cidades do sudeste.
Mas, excetuando Toulon, tomada pelos ingleses em agosto,
e Lyon, novamente realista, a revolta provincial logo se
acaba. Os girondinos |
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Fig.30.1

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Fig.30.2 |
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não conseguem
unir o moderatismo burguês à violência realista:
numa luta tão acirrada entre a revolução e seus
inimigos, é quase certo que surja lugar para uma
terceira força.
A contrarrevolução declarada começa a se
instalar em Vendéia. Paris reagiu com um decreto
de destruição total: As florestas serão
abatidas, os covis dos bandidos destruídos, será
feita a união dos que estão além das retrovias,
todo o gado será |
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Fig.30.3 |
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tomado. Mulheres velhos e crianças serão
levados para o interior.
A República
está sitiada
Simultaneamente, os Exércitos da República sofreram uma série de
derrotas nas fronteiras. O número de soldados é muito grande,
visto que a Convenção conseguiu reuni-los muito mais que a
coalizão; mas eles sofrem o contragolpe dos acontecimentos de
Paris, que têm influência no alto comando. Cheio de
sans-culottes, bons revolucionários, o Ministério da
Guerra é malvisto pelos generais. Em toda parte, com a falta de
uma autoridade central, a defesa vai se enfraquecendo: no norte,
os austríacos tomam Condé e Valenciannes; ao sul do Reno,
Mayence (Mainz) é assediada em abril e capitula em 23 de julho.
Depois a Alsácia e Savóia. No sul, os separatistas chamam os
ingleses. A República está sitiada.
Estes momentos de extremo perigo provocam um recrudescimento da
ação popular em Paris. Mas as reivindicações dos revolucionários
ainda são impositivas e terroristas, alentadas pela vitória de 2
de junho. No entanto o preço do pão sobe, o fornecimento
diminui. Outros gêneros, como a carne e o sabão,
desaparecem do mercado. Como sempre, o governo e os governantes
são os acusados. Os preços? Basta decretar o maximum
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