As responsabilidades da nobreza - que ocupa os postos dirigentes na vida do país, em condições de absoluta insensibilidade quanto aos problemas dos que trabalham  - são imensas (fig.4.1 alegoria da opressão ao Terceiro Estado, por parte das duas classes privilegiadas). As consequências dessa situação refletem-se  nas condições dos trabalhadores do campo e dos operários (fig.5.1 e 5.2: operários e camponeses, em duas ilustrações da "Encyclopédie", de Diderot). A solução alternativa é oferecida pela burguesia, que começa a se constituir, e que aspira ter um poder político pelo menos igual ao de sua força econômica, de sua vitalidade cultural e de sua consciência de classe.

 
Fig.5.1 Operários ilustração da época

Fig.5.2 Camponeses ilustração da época
 

verão. Em outubro, já não se fala mais em reformas e sim em empréstimos. O Parlamento, já instalado, subordina sua própria validade à convocação dos Estados Gerais. Novo abalo para um poder já tão frágil. Ao duque de Orleans, que levanta uma acusação de ilegalidade, o rei responde como sempre, que é legal "porque eu quero". Exila o primeiro e aceita, assim, em maio de 1788 uma série de decretos de seu chanceler Lamoignon, que cortam as possibilidades de ação do Parlamento. Adiantando-se, os magistrados reafirmam as leis fundamentais do reino, a votação dos impostos pelos Estados Gerais, o direito de registro, a liberdade e os direitos

Atrai contra ele próprio a hostilidade de seus colegas de antes, qu se declaram impossibilitados de votar tais projetos: e isso é uma referência implícita a uma outra assembleia, que possa realizar essas tarefas. Os Estados Gerais, assim, nascem do grande projeto da nobreza de retornar o processo de controle do reino. Todo o século se junta num mesmo ponto,

 

sejam quais forem as posições agora reunidas sob a mesma bandeira: o antiabsolutismo. Contra Luís XVI, que não soubera dividir para reinar.  É esse momento da unanimidade liberal.
E se cria uma espécie de ampliação progressiva da campanha, descartando-se descartando-se da assembleia dos notáveis, para a volta do Parlamento, uma espécie de mudança de guarda. É uma nova palavra da ordem da corte a Paris e de Paris ao país.

 

Por alguns meses, a grande capital do reino retoma seus representantes tradicionais. Em julho, depois da dissolução da assembleia dos notáveis. Paris reclama os Estados Gerais que, afirma, são a única autoridade legítima para determinar novos impostos. É por isso que, em agosto, o projeto financeiro de Brienne é recusado. E há o conflito de jurisdição, a sessão solene do Parlamento, o exílio, o choque que durou apenas um

 

dos indivíduos e das entidades.
A Armada real cerca o parlamento de Paris, que cede somente à força, depois de 30 horas de resistência.
O ano de 1788 vê, assim, chegar ao clímax o conflito que se instalara, depois da morte de Luis XIV, entre a administração absolutista e a resistência parlamentar; mas mostra também, até que ponto aumentou a disparidade entre as forças    políticas,     depois    da ascensão de Luís XVI. 

 

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