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![]() Fig.1 Assembleia consultiva de "notáveis" a 22 de fevereiro de 1787 |
A crise se manifestará primeiro pelas
dificuldades financeiras, que obrigam o soberano a convocar
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![]() Fig.3 A convocação dos Estados Gerais |
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Realmente, nas províncias onde as duas
ordens do reino têm maior ação é mais encarniçada a oposição ao rei e
aos decretos de Lamoignon. |
atividades. Mas a revolta provocou o nascimento também de uma instituição revolucionária: um Comitê-central, dirigido por advogados como Mounier e Barnave que, por iniciativa própria, convoca, ao fim de julho, os Estados Provinciais. No grande castelo do rico comerciante Périer, onde se reúnem as três ordens, a Assembleia de Vizzile anuncia os novos tempos. Contrariamente ao que sucede em Pau e em Rennes, aqui os homens do Terceiro Estado têm número e autoridade suficientes, não se limitam a retomar as antigas franquias provinciais, mas forçam a nobreza a se colocar no quadro nacional. Aos apelos de Mounier deliberam que "as três ordens da província concederão o imposto como dom gratuito ou outra forma, somente quando seus representantes o tenham decidido nos Estados Gerais do reino". Assim, num só gesto, são superados Parlamentos e particularidades: através do antiabsolutismo, já se vão delineando as ambições da burguesia. A convocação dos Estados Gerais Luís XVI nada mais pode fazer que seguir a corrente: a 8 de agosto, os Estados Gerais são convocados para 1 de maio de 1789. No dia 15, o Estado suspende seus pagamentos. No dia 24, Brienne é destituído. Necker se transforma no homem da providência, o homem inevitável: seu nome |
retarda a bancarrota e
anula as tentativas de Lamoignon. Mas, a avalancha que o leva ao poder é
muito impetuosa para ser controlada. Nesse momento, nada é realmente
válido na França, a não ser a próxima reunião dos Estados Gerais. |
Terceiro Estado constituem na capital
do reino, o centro desse imenso movimento de opinião, todavia não lhe
detém o monopólio: conta com um Comitê dos Trinta, mas há as múltiplas
alianças pessoais, consequência tanto da cultura do século, como do novo
senso de valores. A multiplicação de universidades provinciais e de
sociedades franco-maçônicas, anuncia um mundo novo, no qual todos se
confraternizam. Assim, juntamente com Brisset, Mounier e Barnave,
estão Lafayette, |
![]() Fig.2 O retorno de Necker às Finanças |
A reação da nobreza do século 18
revela imprevistamente suas ruínas psicológicas e políticas: "a honra
burguesa rechaçada s transforma na igualdade". A questão é clara: a
aliança entre as classes privilegiadas é muito difícil, enquanto, ao
contrário, todo o Terceiro Estado se identifica nas ambições burguesas.
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Em Paris, o pão custa mais do que o ganho médio diário de cada cidadão. Da miséria nasce a violência. No campo, o trabalhador que vive do produto de um pequeno pedaço de terra, não consegue mais sustentar a família e pagar aos senhores. Na cidade, os humildes pedem trabalho para poder comprar pão, e não conseguem. A fome aperta no inverno de 1788-89, que se apresenta especialmente rigoroso: a violência eclode com assaltos aos celeiros, de Provence à Borgonha, da Bretanha à Alsácia. Os senhores reclamam dos operários o que lhes é devido, e os intendentes querem os impostos. Em Paris, uma multidão saqueia a fábrica de tapetes de um senhor Réveillon, antes de ser massacrada pelas tropas. É o caos econômico. A revolta da fome e a fermentação política O movimento ganha corpo noutra direção, que não é mais a discussão formal de normas de comportamento da realeza, em face dos direitos da burguesia, do Terceiro Estado. A revolta pela subsistência coincide com a fermentação política: a rebelião dos miseráveis dá à consciência burguesa a sensação de força, para encaminhar um problema que lhe parece particularmente presente.
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