Projeto de Pesquisa:  "Brazil" a Geopolítica da Corrupção
                                                      Bibliografia fichada

 

WEIL, Pierre.
A Consciência Cósmica,
Introdução à Psicologia Transpessoal.

Petrópolis: Editora Vozes LTDA. 1978. 

Pg.17

 

Capítulo - 2.

A Consciência Cósmica


Sendo a consciência cósmica objeto essencial da Psicologia Transpessoal, é bastante lógico que se comece por definir o que se quer expressar quando se usa este termo, o que ele representa, qual o significado deste significante.
        Esta definição ajudará muito os que lidam com tal tipo de experiência, pois será o primeiro meio ao seu alcance para diagnosticar o que é experiência cósmica e o que faz parte de outros tipos de níveis de consciência.
        Com efeito, só poderemos definir este tipo de consciência ou experiência, mediante critérios que permitam reconhecê-lo. Mas, antes de descrever estes critérios, esbarramos numa primeira dificuldade. 

   

O Problema dos Sinônimos 

Uma primeira dificuldade surge aqui: a existência de outros termos que tem sido usados como designando este tipo de experiência, indicado por certos autores como sendo sinônimos, por outros como expressando, em certos casos, níveis diferentes de consciência.
        Quais as semelhanças e diferenças entre os seguintes termos?
 

- Experiência Cósmica - Nirvana
- Experiência Mística - Estado de Buda
- Realização Suprema - Experiência Transcendental
- Reino dos Céus - Consciência Objetiva
- Sétimo Céu - Iluminação
- Êxtase Místico - Estado de Graça
- União Estática - Estado de Beatitude
- Samadhi - Estado de Contemplação
-ASC (Altered State of Consciousness de Tart) - Casamento espiritual
- Peak-Exeperience ou Experiência Culminante
   (de Maslow)
- HSC (Higher State of Consciousness)
- Experiência de Plateau (de Maslow) - Experiência Oceânica (de Freud)
- Satori - ESP (Extrasensorial Perception) ou PES (Percepção Extra-sensorial) (de Rhine).
- Experiência Psicodélica  
- União transformante  


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    A diversidade de termos, além de diferenças culturais e religiosas, é devida também ao fato de se tratar de experiência eminentemente subjetiva e dificilmente comunicável, quando não incomunicável.
    Só existe uma certa coerência entre vários termos dentro de um sistema filosófico ou religioso. Mas sabemos muito pouco quanto às correspondências entre estados de cons ciência obtidos em diversas culturas ou sistemas místicos diferentes, como por exemplo, a mística cristã, hinduísta, budista ou, ainda, o sufismo.
    Por exemplo, na Mística Cristã, existe a distinção entre vários estados de contemplação:

- A quietude árida ou "noite dos sentidos"
- A quietude suave
- A união plena
- A união estática suave
- O êxtase árido ou "noite do espírito"
- A união transformante ou casamento espiritual

      Estas classificações ou degraus, inspirados em S. Teresa  d´Ávila e João da Cruz  (Tanquery, A. e Gauthier, J.1927), poderiam ser colocados em paralelo com os estágios dos sufis:

- "Qurb" ou sentimento de proximidade de Deus obtido pela concentração.
- "Mahabba" ou perda de si mesmo na contemplação.
- "Fana" onde se forma a unidade entre a lembrança, (Zikr),
o sujeito da lembrança (Zakir)  e o objeto da lembrança, o UM (ou Mazkur).
- "Baga" que Idries Shah classifica como "Consciência Objetiva" (Goleman 1972).

      Mesmo no caso já bem conhecido Samadhi do Ioga de Patanjali, que nós incluímos na primeira lista, o estudioso encontrará na realidade, vários graus (ver, por exemplo, Sivananda, 1972).

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    Estamos mostrando estes diferentes degraus apenas para colocar em evidência que a escolha que fizemos do nome de consciência cósmica é num certo sentido arbitrário e poderia ter sido qualquer um dos termos da primeira lista; o escolhemos por ser mais genérico, embora seja possível que um outro surja no futuro, como por exemplo a Experiência Transpessoal; o escolhemos também por fazer parte da história da Psiquiatria.
    O termo "consciência cósmica" foi escolhido pelo psiquiatra canadense Richard Maurice Bucke (1901), para designar um estado de consciência que se situa acima da simples consciência comum ao homem e uma parte dos animais, ou mesmo da consciência em si mesmo.

Descrição  Sumária e Exemplos 

      O termo traduz uma experiência em que determinadas pessoas percebem a unidade do Cosmos, se percebem dentro dela (e não fora, como muitos poderiam imaginar); a experiência é acompanhada de sentimentos de profunda paz, plenitude, amor a todos os seres. Compreende-se de um relance o funcionamento e a razão de ser dos universos, a relatividade das três dimensões do tempo e do espaço, a insignificância e ilusão do mundo em que vivemos, os erros monumentais cometidos por muitos seres humanos; uma iluminação acompanha muitas destas percepções.  A morte é vista apenas como uma passagem para outra espécie de existência e o medo desaparece totalmente. Ela pode ser e é, em geral, o resultado de uma longa e lenta evolução; às vezes, no entanto, ela constitui o inicio de uma profunda transformação no sentido de valores mais elevados da humanidade; nesse último caso ela acontece em momento inesperado.
    Apresento aqui alguns testemunhos, a título de exemplo que se entende por experiência mística.
    Escolhi, em primeiro lugar, o de Jung, por se tratar de um discípulo de Freud, cujo valor científico é indiscutível; trata-se de uma publicação intencionalmente póstuma, o que aumenta, ainda mais, o valor deste documento.

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O segundo é de João da Cruz, que era um místico da Igreja Católica e reconhecido como tal. O terceiro e o quarto são de amigos meus. Uma pesquisa que se realiza na Universidade Federal vai nos mostrar, com fundamentos estatísticos — assim como Maslow já havia feito — que numa população escolhida por acaso há uma certa porcentagem de pessoas que viveram esta experiência. Poder-se-ia multiplicar os exemplos; outros o fizeram, como Bucke (1901), por exemplo, que analisou 43 casos e fez uma estatística da Idade do Iluminismo. Entre outros, cita: Moisés, Gedeão, Isaías, Gautama, Sócrates, Jesus, Plotino, Dante, Bacon, Pascal, Spinoza, Swedenborg, Gardiner, Blake, Balzac. Recomendamos aos leitores estas obras.

        C. G. JUNG: Minha Vida, Gallimard-Paris, 1966, p.338-9

       “Nunca poderia pensar que se pudesse viver um tal episódio, que, de uma forma geral, uma beatitude continua fosse possível. Estas visões e estes acontecimentos eram perfeitamente reais; não há nada de forçado artificialmente, ao contrário, tudo era da maior objetividade.
        Recuamos diante da palavra “eterno”; no entanto, não posso descrever o que vivi, senão como a beatitude de um estado intemporal, no qual passado, presente e futuro se fundem num só. Tudo o que se produz no tempo estava concentrado, aí, numa totalidade objetiva. Nada mais estava separado no tempo e nem podia ser medido por conceitos temporais. Poderíamos, de preferência, evocar esta vivência como um estado, um estado afetivo que, no entanto, não se pode imaginar. Como posso me representar se, simultaneamente, vivo antes-de-ontem, hoje e depois-de-amanhã?
         Haveria o que ainda não começou, o que seria o presente mais claro e que já teria terminado e, no entanto, tudo isso seria um só. O sentido não poderia apreender senão uma soma, uma brilhante totalidade, na qual está contida a espera do que vai começar, assim como a surpresa do que acaba de se produzir e a satisfação ou decepção quanto ao resultado do que se passou. Um todo indescritível, no qual se está fundido c que, no entanto, se percebe com uma total objetividade.
Diante de uma tal totalidade, fica-se mudo porque é algo apenas concebível. A objetividade, vivida neste sonho e nestas visões, diz respeito à individualização
completa”. 

NOTA: Jung se refere, aqui, a uma «viagem» extraterrena e extra-espacial feita em estado de agonia, na qual viu a terra «azul», predisse a morte de seu médico e descreveu as visões extraordinárias que o leitor poderá consultar em sua obra citada.

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JOAO DA CRUZ: Obras Completas, Desclée de Brouwer
Paris, 1958, p.916-7


       "Estava a tal ponto impregnado, absorvido, fora de mim, que permanecia em todos os meus sentidos desprovido de qualquer sentir, enquanto que o espírito recebeu, como dom, poder ouvir sem ouvir, transcendendo toda ciência.
        Aquele que atinge verdadeiramente este ponto se vê enfraquecer em si. Tudo que  conheci antes parece-lhe tão baixo e cresce Imito nele a ciência que fica sem mais nada saber, transcendendo toda ciência.
Este saber, originado de não-saber, encerra um poder tão alto, que os sábios e seus argumentos não podem vencê-lo; porque o poder deles não saberia atingir o não-
ouvir, ouvindo, transcendendo toda ciência”.

 

PADRE JOSÉ INÁCIO FARAH
(Testemunho recolhido pelo autor, pessoalmente,
Í7 de outubro de 197'0


       “Dia 9 de novembro de 1961, entre dez e onze horas da manhã, no
momento cm que se prepara meu enterro; três médicos cardiologistas do Prontocor que trabalhavam na Avenida Barbacena estavam em torno de mim e cuidavam de meus últimos momentos. Minha enfermeira particular, Srta. Zeni Mendonça, ajoelhada ao meu lado, recitava a Litania da Santa Virgem. Um dos médicos chorava.
       Quando se recitava a invocação “Salus infirmorum”, senti-me carregado e um outro mundo todo feito de luz e de uma alegria Indizivel se abriu diante de mim. Sentia-me feliz, tão feliz que não via mais nada do que se passava em torno de mim. Não sentia mais UH dores do meu coração (tivera um enfarte); chorava de alegria; sentia-me realizado.
        De repente, um velho capuchinho se aproxima de mim, barba longa, vem em minha direção e se curva; senti sua barba roçar meu rosto, um perfume desconhecido na terra exalava de toda a sua pessoa; olha-me, abraça-me e di
z: “Sou Frei Leopoldo; venho te trazer uma mensagem, meu irmão; teu exílio ainda não acabou; viverás ainda o suficiente para continuar minha obra na terra; mas sofrerás suficientemente na terra; tem confiança e coragem”. Beija-me de novo e desaparece como que evaporando-se. Neste momento, abro os olhos e vejo a triste cena, emocionante, descrita acima.
Senti-me triste, porque vi escapar a felicidade que tanto desejei em minha vida; senti a presença de Cristo na luz fulgurante que me contornava. Tinha a impressão de possuí-lo, e que ele preenchia tolo o meu ser.
De volta à realidade terrestre, senti de novo o vazio e a primeira palavra que pronunciei, decepcionado pela dura realidade: "O que é que há? Por que choram? Tenho fome, dêem-me algo a
comer”. À minha volta, a alegria era geral; em mim, era a tristeza e eu o deixo adivinhar por quê...”
 


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J. S. — Médico


        “Estava assentado em minha cama, quando, subitamente, vi-me no meio dos trilhos de um trem e, à medida que percorria esses trilhos, via a cidade à direita.
         De repente, meu pé direito sai do trilho e bate no solo e olho meu pé para ver o que se passava; quando olho minha perna direita, atraído por não sei o que, encontro-me, subitamente, diante de uma cena dantesca: uma floresta extraordinária, na qual os  entidos do homem não tinham mais razão de ser: a lógica se tornava ilógica. Assim, sem que fosse necessário olhar, via tudo quase passar em torno de mim abaixo e acima; via as folhas no chão; sentia-as ceder, mas não havia nenhum som; sentia os galhos das árvores, infinitamente elevados, balançando ao vento; pressentia-os mas não os sentia; a copa das árvores se confundia com o horizonte; o silêncio era absoluto.
         A uma certa distância, vi, a milhares de quilômetros, um homem e uma mulher, assentados, de costas para mim; tive o pressentimento de que me viam, assim como pressentia que estava lá para ser apresentado a alguém. Subitamente, vi-me nos trilhos; eram duas dimensões diferentes; uma caracterizada pela cidade; a outra dimensão caracterizada por esta visão e, agora, reunida na minha visão como se fosse uma só realidade.
Senti-me assentado, de novo, na cama, vestido, como se nada tivesse se passado. Eram três horas da tarde. A experiência durou apenas alguns segundos; mas tenho a impressão de que vários séculos se passaram.
Durante todo o dia, senti uma paz indescritível e um amor infinito por todas as coisas e pessoas. Esta é a descrição de minha primeira experiência.
Nunca falei disso a ninguém porque, na minha lógica pessoal, não encontrei nenhuma explicação para essa experiência de cuja certeza não tinha nenhuma dúvida; tratava-se de algo superior à vida de todos os dias; tinha medo que pensassem que se tratava de produto de uma imaginação muito fértil.
A partir desta experiência, comecei a diagnosticar as doenças à distância, a ter intuições quanto a medicamentos que minha formação médica não podia aceitar e que salvaram várias vidas; previ, contra toda lógica, várias mortes que não pude evitar apesar da intervenção de colegas. Não são acontecimentos quotidianos; mas
quando acontecem nunca erram”.

 


O nosso problema, em Psicologia Transpessoal, é de investigar com os métodos da ciência tradicional, cujo paradigma (Tart, 1971) é todo ele baseado nos cinco sentidos, um fenômeno que não somente parece se situar numa área fora deles, mas ainda parece pressupor o seu desligamento.

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As investigações feitas até agora mostram que até um certo ponto uma abordagem clássica é possível. Iremos descrever com detalhe os métodos e técnicas utilizados assim como os resultados alcançados até agora, começando pela “Análise de Conteúdo”.
 

Análise de Conteúdo


É, sobretudo, a partir das descrições de experiências da consciência cósmica que se pode ter uma idéia do que se trata. Confrontando estas experiências, consegue-se aos poucos formar uma imagem sincrética da experiência, embora cm linguagem que nem sempre traduz inteiramente a natureza e a intensidade do fenômeno.
            A história procede da mesma forma quando estuda as descrições de personagens contemporâneos a uma certa época c procura ver o que há de comum entre estes testemunhos. Se eu quero saber como é a lua e não tenho os meios de ir até lá, só me resta o recurso de comparar as descrições de vários astronautas e procurar quais os pontos comuns destas descrições embora eu saiba que nunca poderei sentir e viver o que eles viveram; uma “análise de conteúdo” permitirá aproximar-me o mais possível do que eles perceberam na lua. Poderei, depois, comparar esta análise de conteúdo com fotografias, registro de temperatura, de medida de campo eletromagnético etc. etc. Mas nada substituirá o registro pessoal de impressões como a de se sentir muito leve, mais livre e feliz, ou ainda a presença ou ausência de saudade da terra.
            Em Psicologia já estamos muito acostumados a comparar dados subjetivos entre si e transformá-los em algo “medível”. A classificação dos conteúdos num teste de Horschach, num Thematic Aperception Test ou ainda num teste de reação à frustração de Rozenzweig é um exemplo disto; o teste MM de Helena Antipoff, que consiste em descrever as próprias mãos, se aproxima ainda mais do que nós queremos dizer; nenhuma redação é semelhante; no entanto é possível classificar os conteúdos em certas categorias comuns permitindo assim
tirar todo um diagnóstico da personalidade.
O primeiro a aplicar um método desta natureza foi Bucke (1901), embora sem o rigor que a Psicometria clássica

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exigiria hoje. Ele analisou 43 casos de consciência cósmica; além de descobrir que quase todos tiveram a sua revelação em tomo dos 30 a 35 anos, observou 11 características comuns às descrições colhidas, a saber
:

01. Uma luz subjetiva.
02. A elevação moral.
03. A iluminação intelectual.
04. O senso de imortalidade.
05. A perda do medo da morte.
06. . A perda do senso de pecado.
07. O caráter súbito, instantâneo do acordar.
08. As características preliminares da personalidade intelectual, moral e fisica.
09. A idade da iluminação.
10. O encanto adicional a esta personalidade, que faz com que homens
      e mulheres sejam sempre (?) atraídos por esta pessoa.
11. A transfiguração observada por outrem no sujeito quando a
      consciência cósmica está realmente presente.


Quando digo que Bucke foi o primeiro a efetuar tal classificação de critérios, refiro-me a uma tentativa de análise feita por um homem com formação científica. Isto não invalida os esforços feitos por teólogos como por exemplo Tanquerey e Gauthier (1927), que fizeram o esforço de estudar mais de 250 místicos da Igreja Católica. Grande parte do seu tratado é consagrado a definir a experiência mística e a diferenciá-la do falso misticismo e dos fenômenos psicopatológicos. Ao fazer este imenso esforço, os autores chegaram a uma perfeita descrição que merece uma análise acurada e deveria, sem dúvida, servir de pontç de confronto com análises científicas feitas mais recentemente.
Depois da análise de Bucke, passaram-se quase sessenta anos de silêncio nos meios psicológicos, cada vez mais impregnados de Behaviorismo e preocupados com os aspectos e
manifestações exteriores do comportamento. A vida interior praticamente caiu no esquecimento a tal ponto que, no
Vocabulaire de la Psychologie de um dos meus mestres, Henri Piéron, não se encontra a simples palavra “psiquismo”... Quanto a “consciência”, ela é definida da seguinte forma: “Além do seu sentido moral, a consciência, como o observa Hamilton, não é suscetível de definição, já que designa o aspecto subjetivo e incomunicável da atividade psíquica, da qual, fora de si mesmo, não se pode conhecer nada,
 

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a não ser as manifestações de comportamento”. E’ este lipo de definição que fez com que toda uma geração de psicólogos, ditos “científicos”, quase esquecessem da existência da consciência. Eu me incluo entre eles. . .. Esqueceram que a própria Ciência é o produto direto de um fenômeno de CONSCIÊNCIA... Ainda atualmente, alguns behavioristas só se interessam pelo “input” e “output”, sem preocupação nenhuma pela “caixa preta”. E’ contra estes extremos, em parte justificáveis do ponto de vista metodológico, que surgiu a grande reação da Psicologia Humanística, com Maslow, A. Watts, Laing entre outros; é deste movimento que nasceu a Psicologia Transpessoal, onde o Behaviorismo ocupa o seu devido lugar, voltando de modo inesperado em muitos métodos, mais particularmente o de Biofeedback, como o veremos mais adiante.
A Psicologia Transpessoal retomou a classificação de Bucke, e encontramos vários autores preocupados em dotar os seus especialistas de critérios que lhes permitam discriminar a verdadeira experiência cósmica de manifestações  psicopatológicas ou simplesmente de fraudes. Através destes critérios é que pode também surgir uma definição da consciência cósmica.
Vamos, a seguir, dar uma descrição sucinta destes critérios.

Os Critérios da Consciência Cósmica


Arlhur Deikmann (1966) enumera e descreve uma série de características da experiência mística. Estas características são, segundo ele, as seguintes:

Realidade
Percepções não usuais
Unidade
Inefabilidade
Fenômenos transensoriais


Ch. Prince e Savage (1966), num estudo sobre as relações da experiência mística e a regressão do ponto de vista psicanalítico, distinguem cinco características diferentes:

- Renúncia aos interesses terrenos
- Inefabilidade
- Qualidade noética (sentido de realidade)
- Êxtase
- Experiência fusional

 

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Walter H. Pahnke (1966), inspirado em W. T. Stace, distingue nove categorias que constituem o que ele chama de tipologia do fenômeno místico, tipologia que ele considera como sendo universal, independente de qualquer religião ou cultura. Eis as nove categorias da sua tipologia:

I, Unidade
II, Transcendência do tempo e espaço
III, Estado de humor sentido como profundamente positivo IV, Senso do
sagrado
V, Objetividade e realidade
VI, Caráter Paradoxal
VII, Pretensa inefabilidade
VIII, Transitoriedade da experiência
IX, Mudanças positivas e contínuas nas atitudes e comportamento
 


W. H. Pahnke é o primeiro autor a submeter estes critérios a um controle experimental bastante rigoroso. Fez com que um grupo de estudantes de teologia ingerisse uma cápsula, durante uma cerimônia religiosa, ao som de música e sob orientação de monitores treinados em controlar os efeitos da droga. Dez estudantes ingeriram psilocibina na cápsula e a outra metade um placebo de 200 mg de ácido nicotínico o qual provoca sensações de calor e de vibração cerebral, chegando o efeito sugestivo ao máximo. Os dois grupos foram submetidos a um questionário de 147 itens. Eis as diferenças encontradas entre os dois grupos quanto às nove categorias:


 

Grupo Experimental Grupo
Placebo P.
1. Unidade 62 7 .001
A, Interna 70 8 .001
B. Externa 38 2 .008
2. Transcendência do
 
Tempo e Espaço
3. Estado de humor
prof. positivo
A, Alegria, graça
e paz
84 6 .001
57 23 .020
51 13 .020
B, Amor 57 33 .055
4. Senso do sagrado 53 28 .020
5. Objetividade e realidade
63 18 .011

 


 



 

 

 


 


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