LETTRE APOSTOLIQUE



SALVIFICI DOLORIS
...




DU SOUVERAIN PONTIFE
JEAN-PAUL II
AUX EVEQUES, AUX PRETRES,
AUX FAMILLES RELIGIEUSES
ET AUX FIDELES
DE L'EGLISE CATHOLIQUE
SUR LE SENS CHRETIEN
DE LA SOUFFRANCE HUMAINE
Vénérables Frères dans l'épiscopat,
Chers Frères et Sœurs,


 

 
V

PARTICIPANTS DES
SOUFFRANCES DU CHRIST

 
 

V

PARTICIPANTES NOS
SOFRIMENTOS DE CRISTO

 
 


19. Le même chant du Serviteur souffrant, dans le Livre d'Isaïe, nous conduit justement, par les versets qui suivent, dans la direction de cette question et de cette réponse:

« S'il offre sa vie en sacrifice expiatoire,
il verra une postérité, il prolongera ses jours,
par lui s'accomplira la volonté du Seigneur.
A la suite de l'épreuve endurée par son âme,
il verra la lumière et sera comblé
Par sa connaissance,
le juste, mon serviteur, justifiera les multitudes
en s'accablant lui-même de leurs fautes.
C'est pourquoi il aura sa part parmi les multitudes,
et avec les puissants il partagera le butin,
parce qu'il s'est livré lui-même à la mort
et qu'il a été compté parmi les criminels
et qu'il portait le péché des multitudes
et qu'il intercédait pour les criminels »(53).

 


 

 


19. O mesmo cântico do Servo Sofredor, no Livro de Isaías, nos conduz precisamente, através dos versículos que se seguem, na direção desta pergunta e desta resposta:


“Se ele oferecer a sua vida como sacrifício expiatório,
verá a sua posteridade, prolongará os seus dias,
e nele se cumprirá a vontade do Senhor.
Depois do sofrimento da sua alma,
verá a luz e será saciado.
Pelo seu conhecimento,
o meu servo justo justificará a muitos,
tomando sobre si as iniquidades deles.
Portanto, terá uma porção entre muitos,
e repartirá os despojos com os poderosos,
porque derramou a sua vida até à morte,
e foi contado com os transgressores,
e levou sobre si o pecado de muitos,
e intercedeu pelos transgressores” (53).

 

 

 
       
 

On peut dire qu'avec la passion du Christ, toute souffrance humaine s'est trouvée dans une situation nouvelle. Cette situation, il semble que Job l'ait pressentie quand il disait: « Je sais, moi, que mon rédempteur est vivant... »(54), et qu'il ait orienté vers elle sa propre souffrance qui, sans la Rédemption, n'aurait pu lui révéler la plénitude de sa signification. Dans la Croix du Christ, non seulement la Rédemption s'est accomplie par la souffrance, mais de plus la souffrance humaine elle-même a été rachetée. Le Christ — sans qu'il ait commis aucune faute — s'est chargé du « mal total du péché ». L'expérience de ce mal a déterminé la mesure incomparable de la souffrance du Christ, qui est devenue le prix de la Rédemption.
 

 

Pode-se dizer que, com a Paixão de Cristo, todo o sofrimento humano se viu em uma nova situação. Parece que Jó pressentiu essa situação quando disse: “Eu sei que o meu Redentor vive…” (54), e direcionou seu próprio sofrimento para ela, sofrimento que, sem a Redenção, não poderia ter lhe revelado a plenitude de seu significado. Na Cruz de Cristo, não apenas a Redenção foi realizada por meio do sofrimento, mas o próprio sofrimento humano também foi redimido. Cristo — sem ter cometido nenhum pecado — assumiu sobre si o “mal total do pecado”. A experiência desse mal determinou a medida incomparável do sofrimento de Cristo, que se tornou o preço da Redenção.

 
       
 


C'est ce que dit le chant du Serviteur souffrant dans Isaïe. En leur temps, les témoins de la Nouvelle Alliance, conclue dans le Sang du Christ, le diront aussi. Voici comment s'exprime l'Apôtre Pierre dans sa première lettre: « Sachez que ce n'est par rien de corruptible, argent ou or, que vous avez été affranchis de la vaine conduite héritée de vos pères, mais par un sang précieux, comme d'un agneau sans défaut et sans tache, celui du Christ »(55). Et l'Apôtre Paul, dans sa lettre aux Galates, dira: « Il s'est livré pour nos péchés afin de nous arracher à ce monde actuel et mauvais »(56), et dans la première lettre aux Corinthiens: « Car le Seigneur vous a achetés très cher. Rendez gloire à Dieu dans votre corps! »(57).


 

 


É isso que expressa o cântico do Servo Sofredor em Isaías. Em seu tempo, as testemunhas da Nova Aliança, selada no Sangue de Cristo, também o proclamarão. Eis como o apóstolo Pedro o expressa em sua primeira carta: “Pois vocês sabem que não foi com coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram resgatados da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas com o precioso sangue de Cristo, cordeiro sem mácula e sem defeito” (55). E o apóstolo Paulo, em sua carta aos Gálatas, dirá: “Ele se entregou por nossos pecados para nos resgatar desta era perversa” (56), e na primeira carta aos Coríntios: “Pois o Senhor os comprou por um preço. Agora glorifiquem a Deus no corpo de vocês!” (57).

 

 
       
 


C'est ainsi, ou par des «pressions semblables, que les témoins de la Nouvelle Alliance parlent de la grandeur de la Rédemption qui s'est accomplie par la souffrance du Christ. Le Rédempteur a souffert à la place de l'homme et pour l'homme. Tout homme participe d'une manière ou d'une autre à la Rédemption. Chacun est appelé,lui aussi, à participer à la souffrance par laquelle la Rédemption s'est accomplie. Il est appelé à participer à la souffrance par laquelle toute souffrance humaine a aussi été rachetée. En opérant la Rédemption par la souffrance, le Christ a élevé en même temps la souffrance humaine jusqu'à lui donner valeur de Rédemption. Tout homme peut donc, dans sa souffrance, participer à la souffrance rédemptrice du Christ.
 

 


É dessa forma, ou por meio de apelos semelhantes, que as testemunhas da Nova Aliança falam da grandeza da Redenção realizada por meio do sofrimento de Cristo. O Redentor sofreu em lugar da humanidade e pela humanidade. Cada pessoa participa da Redenção de uma forma ou de outra. Cada pessoa também é chamada a participar do sofrimento por meio do qual a Redenção foi realizada. Elas são chamadas a participar do sofrimento por meio do qual todo o sofrimento humano também foi redimido. Ao efetuar a Redenção por meio do sofrimento, Cristo elevou simultaneamente o sofrimento humano ao nível da própria redenção. Portanto, cada pessoa pode, em seu sofrimento, participar do sofrimento redentor de Cristo.

 

 
       
 


20. Les textes du Nouveau Testament expriment cette idée en bien des endroits. Dans la deuxième lettre aux Corinthiens, l'Apôtre écrit: « Pressés de toute part, mais non pas écrasés; ne sachant qu'espérer, mais non désespérés; persécutés, mais non abandonnés; terrassés, mais non annihilés. Nous portons partout et toujours en notre corps les souffrances de mort de Jésus, pour que la vie de Jésus soit, elle aussi, manifestée dans notre corps. Quoique vivants, en effet, nous sommes continuellement livrés à la mort à cause de Jésus, pour que la vie de Jésus soit, elle aussi, manifestée dans notre chair mortelle..., sachant que Celui qui a ressuscité le Seigneur Jésus nous ressuscitera, nous aussi, avec Jésus »(58).
 

 


20. Os textos do Novo Testamento expressam essa ideia em muitos lugares. Na segunda carta aos Coríntios, o Apóstolo escreve: “Sendo perseguidos por todos os lados, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também se manifeste em nosso corpo. Pois, embora vivamos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus também se manifeste em nossa carne mortal… sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus” (58).

 

 
       
 


Saint Paul parle des diverses souffrances et en particulier de celles que subissaient les premiers chrétiens « à cause de Jésus ». Ces souffrances permettent aux destinataires de cette lettre de prendre part à l'oeuvre de la Rédemption accomplie moyennant les souffrances et la mort du Rédempteur. L'éloquence de la Croix et de la mort est complétée, toutefois, par l'éloquence de la Résurrection. L'homme trouve dans la Résurrection une lumière complètement nouvelle qui l'aide à se frayer un chemin à travers les ténèbres épaisses des humiliations, des doutes, du désespoir et de la persécution. C'est pourquoi l'Apôtre écrira aussi dans la seconde lettre aux Corinthiens: « De même en effet que les souffrances du Christ abondent pour nous, ainsi, par le Christ, abonde aussi notre consolation »(59). Ailleurs, il adresse à ses destinataires des paroles d'encouragement: « Que le Seigneur dirige vos cœurs vers l'amour de Dieu et la constance du Christ »(60). Et dans la lettre aux Romains, il écrit: « Je vous exhorte, frères, par la miséricorde de Dieu, à offrir vos personnes en hostie vivante, sainte, agréable à Dieu: c'est là le culte spirituel que vous avez à rendre »(61)
 

 


São Paulo fala de vários sofrimentos, em particular daqueles suportados pelos primeiros cristãos "por amor a Jesus". Esses sofrimentos permitem aos destinatários desta carta participar da obra da Redenção realizada por meio dos sofrimentos e da morte do Redentor. A eloquência da Cruz e da morte é complementada, porém, pela eloquência da Ressurreição. Na Ressurreição, a humanidade encontra uma luz completamente nova que a ajuda a encontrar o caminho através da densa escuridão da humilhação, da dúvida, do desespero e da perseguição. É por isso que o Apóstolo também escreve na Segunda Carta aos Coríntios: "Pois, assim como participamos abundantemente dos sofrimentos de Cristo, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação" (59). Em outro lugar, ele se dirige aos seus destinatários com palavras de encorajamento: "Que o Senhor dirija os vossos corações para o amor de Deus e para a perseverança de Cristo" (60). E na carta aos Romanos, ele escreve: “Rogo-vos, irmãos, pela misericórdia de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o vosso culto racional” (61)

 

 
       
 


La participation même à la souffrance du Christ trouve en ces expressions apostoliques comme une double dimension. Si un homme en vient à participer aux souffrances du Christ, c'est parce que le Christ a ouvert sa souffrance à l'homme, parce que Lui-même, dans sa souffrance rédemptrice, a participé en un sens à toutes les souffrances humaines. En découvrant grâce à la foi la souffrance rédemptrice du Christ, l'homme découvre en même temps en elle ses propres souffrances, il les retrouve, grâce à la foi, enrichies d'un contenu nouveau et d'une signification nouvelle.
 

 


A participação no sofrimento de Cristo assume uma dupla dimensão nessas expressões apostólicas. Se uma pessoa passa a participar dos sofrimentos de Cristo, é porque Cristo abriu seu sofrimento à humanidade, porque ele próprio, em seu sofrimento redentor, participou, em certo sentido, de todo o sofrimento humano. Ao descobrir, pela fé, o sofrimento redentor de Cristo, a humanidade descobre simultaneamente seus próprios sofrimentos internos; redescobre-os, pela fé, enriquecidos com novo conteúdo e novo significado.

 
       
 


Cette découverte a inspiré à saint Paul des paroles particulièrement fortes dans sa lettre aux Galates: « Je suis crucifié avec le Christ; et ce n'est plus moi qui vis, mais le Christ qui vit en moi. Ma vie présente dans la chair, je la vis dans la foi au Fils de Dieu qui m'a aimé et s'est livré pour moi »(62). La foi permet à l'auteur de ces paroles de connaître l'amour même qui a conduit le Christ sur la Croix. Et s'il a aimé ainsi, jusqu'à souffrir et mourir, c'est avec cette souffrance et cette mort qu'il vit en celui qu'il a aimé ainsi, qu'il vit en l'homme: en Paul. Et en vivant en lui — à mesure que Paul, conscient de cela grâce à la foi, répond par l'amour à son amour —, le Christ devient aussi d'une manière particulière uni à l'homme, à Paul, par la croix. Cette union a dicté à Paul, dans la même lettre aux Galates, d'autres expressions non moins fortes: « Pour moi, que jamais je ne me glorifie sinon dans la Croix de notre Seigneur Jésus-Christ, qui a fait du monde un crucifié pour moi et de moi un crucifié pour le monde »(63).
 

 


Essa descoberta inspirou São Paulo a escrever palavras particularmente poderosas em sua carta aos Gálatas: “Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (62). A fé permite ao autor dessas palavras conhecer o próprio amor que levou Cristo à Cruz. E se ele amou dessa maneira, até o ponto de sofrer e morrer, é com esse sofrimento e morte que ele vive naquele a quem amou dessa maneira, que ele vive no homem: em Paulo. E vivendo nele — como Paulo, consciente disso pela fé, responde com amor ao seu amor — Cristo também se une de modo especial ao homem, a Paulo, por meio da cruz. Essa união levou Paulo, na mesma carta aos Gálatas, a usar outras expressões, não menos poderosas: “Quanto a mim, que eu jamais me glorie…” exceto na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, que fez o mundo crucificado por mim e eu crucificado pelo mundo” (63).

 
       
 

21. La Croix du Christ jette la lumière salvifique d'une manière aussi pénétrante sur la vie de l'homme, et en particulier sur sa souffrance, parce que grâce à la foi elle le rejoint en même temps que la Résurrection: le mystère de la passion est contenu dans le mystère pascal. Les témoins de la passion du Christ sont tout à
la fois témoins de sa Résurrection. Paul écrit: « Il s'agit de le connaître, lui, avec la puissance de sa Résurrection et la communion à ses souffrances, lui devenir conforme dans sa mort, afin de parvenir si possible à ressusciter d'entre les morts »(64).

L'Apôtre a vraiment expérimenté d'abord « la puissance de la Résurrection » du Christ, sur le chemin de Damas, et c'est seulement ensuite, dans cette lumière pascale, qu'il est arrivé à la « communion à ses souffrances » dont il parle, par exemple, dans la lettre aux Galates. Le chemin de Paul est clairement pascal: la participation à la Croix du Christ se réalise à travers l'expérience du Ressuscité, donc grâce à une participation spéciale à la Résurrection. C'est pourquoi dans les expressions de l'Apôtre sur le thème de la souffrance apparaît si souvent le motif de la gloire à laquelle la Croix du Christ donne naissance.

 

21. A Cruz de Cristo lança uma luz tão penetrante sobre a vida humana, e especialmente sobre o sofrimento, porque, pela fé, ela nos alcança ao mesmo tempo que a Ressurreição: o mistério da Paixão está contido no Mistério Pascal. As testemunhas da Paixão de Cristo são também testemunhas da sua Ressurreição. Paulo escreve: “Queremos conhecê-lo, e conhecê-lo no poder da sua Ressurreição e na participação nos seus sofrimentos, para nos tornarmos semelhantes a ele na sua morte, para que, por todos os meios possíveis, alcancemos a ressurreição dentre os mortos” (64).

O Apóstolo experimentou verdadeiramente primeiro “o poder da Ressurreição” de Cristo no caminho de Damasco, e foi somente depois, nesta luz pascal, que chegou à “participação nos seus sofrimentos” da qual fala, por exemplo, na Carta aos Gálatas. O caminho de Paulo é claramente pascal: a participação na Cruz de Cristo se realiza por meio da experiência do Ressuscitado e, portanto, por meio de uma participação especial na Ressurreição. É por isso que o tema da glória que a Cruz de Cristo gera aparece com tanta frequência nas expressões do Apóstolo sobre o tema do sofrimento.

 

 
       
 


Les témoins de la Croix et de la Résurrection étaient convaincus que « il nous faut passer par bien des tribulations pour entrer dans le Royaume de Dieu »(65). Et Paul, écrivant aux Thessaloniciens, s'exprime ainsi: « Nous-mêmes sommes fiers de vous..., de votre constance et de votre foi dans toutes les persécutions et
tribulations que vous supportez. Par là se manifeste le juste jugement de Dieu, où vous serez trouvés dignes du Royaume de Dieu pour lequel vous souffrez vous aussi »(66). Ainsi donc, la communion aux souffrances du Christ est en même temps souffrance pour le Royaume de Dieu.
 

 


As testemunhas da Cruz e da Ressurreição estavam convencidas de que “é necessário passar por muitas tribulações para entrar no Reino de Deus” (65). E Paulo, escrevendo aos tessalonicenses, expressa-se assim: “Nós mesmos nos gloriamos de vocês... por causa da perseverança e da fé que vocês demonstram em todas as perseguições e aflições que estão suportando. Isso é para demonstrar o justo julgamento de Deus, para que vocês sejam considerados dignos do Reino de Deus, pelo qual também estão sofrendo” (66). Assim, a comunhão nos sofrimentos de Cristo é, ao mesmo tempo, sofrer pelo Reino de Deus.

 
       
 


Aux yeux du Dieu juste, selon son jugement, tous ceux qui communient aux souffrances du Christ deviennent dignes de ce Royaume. Par leurs souffrances, ils restituent en un sens le prix infini de la passion et de la mort du Christ, qui est devenu le prix de notre Rédemption: à ce prix, le Royaume de Dieu a été à nouveau consolidé dans l'histoire de l'homme, en devenant la perspective définitive de son existence terrestre. Le Christ nous a introduits dans ce Royaume par sa souffrance. Et c'est aussi par la souffrance que deviennent mûrs pour lui les hommes plongés dans le mystère de la Rédemption du Christ.
 

 


Aos olhos do Deus justo, segundo o Seu juízo, todos os que participam dos sofrimentos de Cristo tornam-se dignos deste Reino. Por meio de seus sofrimentos, eles pagam, em certo sentido, o preço infinito da paixão e morte de Cristo, que se tornou o preço de nossa Redenção: a esse preço, o Reino de Deus foi restabelecido na história da humanidade, tornando-se a perspectiva final de nossa existência terrena. Cristo nos conduziu a esse Reino por meio de seu sofrimento. E é também por meio do sofrimento que aqueles que estão imersos no mistério da Redenção de Cristo se tornam maduros para Ele.

 
       
 


22. A la perspective du Royaume de Dieu est liée l'espérance de la gloire dont l'origine se trouve dans la Croix du Christ. La Résurrection a révélé cette gloire — la gloire eschatologique — qui, dans la Croix du Christ, était complètement obscurcie par l'immensité de la souffrance. Ceux qui communient aux souffrances du Christ sont aussi appelés, moyennant leurs propres souffrances, à prendre part à la gloire. C'est ce que Paul exprime en divers endroits. Il écrit aux Romains: «Nous sommes... cohéritiers du Christ, puisque nous souffrons avec lui pour être aussi glorifiés avec lui. J'estime en effet que les souffrances du temps présent ne sont pas à comparer à la gloire qui doit se révéler en nous »(67). Dans la deuxième lettre aux Corinthiens, nous lisons: «Car la légère tribulation d'un instant nous prépare, jusqu'à l'excès, une masse éternelle de gloire, à nous qui ne regardons pas aux choses visibles, mais aux invisibles »(68). L'Apôtre Pierre exprimera cette vérité dans les paroles suivantes de sa première lettre: « Dans la mesure où vous participez aux souffrances du Christ, réjouissez-vous, afin que, lors de la révélation de sa gloire, vous soyez aussi dans la joie et l'allégresse »(69)
 

 


22. A perspectiva do Reino de Deus está ligada à esperança da glória, cuja origem reside na Cruz de Cristo. A Ressurreição revelou essa glória — a glória escatológica — que, na Cruz de Cristo, estava completamente obscurecida pela imensidão do sofrimento. Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo são também chamados, por meio de seus próprios sofrimentos, a participar da glória. É isso que Paulo expressa em diversas passagens. Ele escreve aos Romanos: “Somos, pois, coerdeiros com Cristo, visto que sofremos com ele para que também sejamos glorificados com ele. Porque considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (67). Na Segunda Carta aos Coríntios, lemos: “Porque os nossos sofrimentos leves e momentâneos produzem para nós muito mais do que estes uma riqueza eterna, para nós que não atentamos no que se vê, mas no que não se vê” (68). O apóstolo Pedro expressou esta verdade nas seguintes palavras da sua primeira carta: «Na medida em que participais dos sofrimentos de Cristo, alegrai-vos, para que também na revelação da sua glória vos alegreis e exulteis» (69).

 

 
       
 


Le motif de la souffrance et de la gloire a un caractère strictement évangélique qui s'éclaire par la référence à la Croix et à la Résurrection. La Résurrection est devenue avant tout la manifestation de la gloire qui répond à l'élévation du Christ par la Croix. Si en effet la Croix a représenté aux yeux des hommes le dépouillement du Christ, elle a représenté en même temps aux yeux de Dieu son élévation. Sur la Croix, le Christ a atteint et réalisé sa mission en toute plénitude: en accomplissant la volonté de son Père, il s'est réalisé en même temps luimême. Dans la faiblesse, il a manifesté sa puissance, et dans l'humiliation, toute sa grandeur messianique.

 


O tema do sofrimento e da glória tem um caráter estritamente evangélico, iluminado pela referência à Cruz e à Ressurreição. A Ressurreição tornou-se, sobretudo, a manifestação da glória que corresponde à exaltação de Cristo pela Cruz. De fato, se a Cruz representou o esvaziamento de si mesmo aos olhos dos homens, representou ao mesmo tempo a sua exaltação aos olhos de Deus. Na Cruz, Cristo alcançou e cumpriu a sua missão em plenitude: cumprindo a vontade do Pai, realizou-se a si mesmo. Na fraqueza, manifestou o seu poder e, na humilhação, toda a sua grandeza messiânica.

 

 

 
       
 


Ne trouve-t-on pas une preuve de cette grandeur dans toutes les paroles prononcées durant l'agonie sur le Golgotha, et spécialement celles qui concernent les auteurs de la crucifixion: « Père, pardonne-leur: ils ne savent ce qu'ils font »(70)? Ces paroles s'imposent comme un exemple suprême à ceux qui communient aux souffrances du Christ. La souffrance est aussi un appel à manifester la grandeur morale de l'homme, sa maturité spirituelle. Les martyrs et les confesseurs du Christ des diverses générations en ont donné la preuve par leur fidélité à ces paroles: :« Ne craignez rien de ceux qui tuent le corps, mais ne peuvent tuer l'âme »(71)
 

 


Não há prova dessa grandeza em todas as palavras proferidas durante a agonia no Gólgota, e especialmente naquelas referentes aos perpetradores da crucificação: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (70)? Essas palavras constituem um exemplo supremo para aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo. O sofrimento é também um apelo para manifestar a grandeza moral da humanidade, a sua maturidade espiritual. Os mártires e confessores de Cristo ao longo das gerações deram prova disso pela sua fidelidade a estas palavras: «Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma» (71).

 
       
 


La Résurrection du Christ a révélé « la gloire du siècle à venir » et en même temps elle a confirmé « l'exaltation de la Croix »: cette gloire qui est comprise dans la souffrance même du Christ, telle qu'elle s'est bien souvent reflétée et qu'elle se reflète encore dans la souffrance de l'homme comme expression de sa grandeur spirituelle. Il faut rendre témoignage de cette gloire non seulement aux martyrs de la foi mais aussi aux nombreux autres hommes qui parfois, sans avoir la foi au Christ, souffrent et donnent leur vie pour la vérité ou pour une juste cause. Dans leurs souffrances à tous est confirmée d'une manière particulière la haute dignité de l'homme.
 

 


A Ressurreição de Cristo revelou “a glória do século vindouro” e, ao mesmo tempo, confirmou “a exaltação da Cruz”: aquela glória que está contida no próprio sofrimento de Cristo, como tantas vezes se refletiu e ainda se reflete no sofrimento da humanidade como expressão de sua grandeza espiritual. Devemos testemunhar essa glória não apenas nos mártires da fé, mas também em muitas outras pessoas que, por vezes, sem terem fé em Cristo, sofrem e dão a vida pela verdade ou por uma causa justa. Em seu sofrimento, a elevada dignidade da humanidade se confirma de modo singular.

 

 

 
       
 


23. La souffrance, en effet, est toujours une épreuve — parfois une épreuve assez dure — à laquelle l'humanité est soumise. Dans les pages des lettres de saint Paul, nous sommes souvent frappés par le paradoxe évangélique de la faiblesse et de la force, expérimenté d'une manière particulière par l'Apôtre et qu'éprouvent avec lui tous ceux qui communient aux souffrances du Christ. Il écrit dans la deuxième lettre aux Corinthiens: « Je me glorifierai surtout de mes faiblesses, afin que repose sur moi la puissance du Christ »(72). Dans la deuxième lettre à Timothée, nous lisons: « C'est à cause de cela que je connais cette nouvelle épreuve, mais je n'en rougis pas, car je sais en qui j'ai mis ma foi »(73). Et dans la lettre aux Philippiens, il dira même: « Je puis tout en Celui qui me rend fort »(74).
 

 


23. O sofrimento, de fato, é sempre uma provação — às vezes bastante dura — à qual a humanidade está sujeita. Nas páginas das cartas de São Paulo, somos frequentemente surpreendidos pelo paradoxo evangélico da fraqueza e da força, vivenciado de maneira particular pelo Apóstolo e vivenciado com ele por todos aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo. Ele escreve na Segunda Carta aos Coríntios: “Acima de tudo, porém, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim” (72). Na Segunda Carta a Timóteo, lemos: “Por essa razão, enfrento esta nova provação; contudo, não me envergonho, porque sei em quem tenho crido” (73). E na Carta aos Filipenses, ele dirá ainda: “Tudo posso naquele que me fortalece” (74).

 
       
 


Ceux qui communient aux souffrances du Christ ont devant les yeux le mystère pascal de la Croix et de la Résurrection, dans lequel le Christ descend, dans une première phase, jusqu'aux extrêmes limites de la faiblesse et de l'impuissance humaines: il meurt cloué sur la Croix. Mais si en même temps dans cette faiblesse s'accomplit son élévation, confirmée par la force de la Résurrection, cela signifie que les faiblesses de toutes les souffrances humaines peuvent être pénétrées de la puissance de Dieu qui s'est manifestée dans la Croix du Christ.
 

 


Aqueles que participam dos sofrimentos de Cristo têm diante dos olhos o Mistério Pascal da Cruz e da Ressurreição, no qual Cristo desce, numa primeira fase, até os limites da fraqueza e impotência humanas: Ele morre pregado na Cruz. Mas se, ao mesmo tempo, nessa fraqueza se realiza a sua exaltação, confirmada pelo poder da Ressurreição, isso significa que as fraquezas de todo o sofrimento humano podem ser penetradas pelo poder de Deus manifestado na Cruz de Cristo.

 
       
 


Selon cette conception, souffrir signifie devenir particulièrement réceptif, particulièrement ouvert à l'action des forces salvifiques de Dieu offertes à l'humanité dans le Christ. En lui, Dieu a confirmé qu'il veut agir spécialement au moyen de cette souffrance que sont en eux-mêmes la faiblesse et le dépouillement de l'homme, et que c'est précisément dans cette faiblesse et dans ce dépouillement qu'il veut manifester sa puissance. Ainsi peut s'expliquer également la recommandation de la première lettre de Pierre: « Si c'est comme chrétien (que l'un de vous souffre), qu'il n'ait pas honte, qu'il glorifie Dieu de porter ce nom »(75).
 

 


Segundo essa compreensão, sofrer significa tornar-se particularmente receptivo, particularmente aberto à ação das forças salvíficas de Deus oferecidas à humanidade em Cristo. Nele, Deus confirmou que deseja agir especialmente por meio desse sofrimento, que é em si mesmo a fraqueza e a destituição da humanidade, e que é precisamente nessa fraqueza e destituição que Ele deseja manifestar o seu poder. Isso explica também a recomendação da Primeira Carta de Pedro: “Se algum de vocês sofre como cristão, não se envergonhe; antes, glorifique a Deus por levar esse nome” (75).

 
       
 


Dans la lettre aux Romains, l'Apôtre Paul se prononce de façon encore plus ample sur le thème de cette « naissance de la force dans la faiblesse », de ce renouvellement d'énergie spirituelle de l'homme au milieu des épreuves et des tribulations qui est la vocation spéciale de ceux qui communient aux souffrances du Christ: « Nous nous glorifions encore des tribulations, sachant bien que la tribulation produit la constance, la constance une vertu éprouvée, la vertu éprouvée l'espérance. Et l'espérance ne déçoit point, parce que l'amour de Dieu a été répandu dans nos coeurs par le Saint-Esprit qui nous fut donné »(76). Dans la souffrance est comme contenu un appel particulier à la vertu que l'homme doit exercer pour sa part.
 

 


Na Carta aos Romanos, o Apóstolo Paulo aborda ainda mais detalhadamente o tema deste “nascimento da força na fraqueza”, esta renovação da energia espiritual humana em meio às provações e tribulações, que é a vocação especial daqueles que participam dos sofrimentos de Cristo: “Também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (76). No sofrimento reside um chamado particular à virtude, que cada pessoa deve exercer à sua maneira.

 
       
 


Et cette vertu est celle de la persévérance dans l'acceptation de ce qui dérange et fait mal. En agissant ainsi, l'homme libère l'espérance, qui maintient en lui la conviction que la souffrance ne l'emportera pas sur lui, ne le privera pas de la dignité propre à l'homme unie à la conscience du sens de sa vie. Et ce sens de la vie, il se manifeste en même temps que l'oeuvre de l'amour de Dieu, qui est le don suprême de l'Esprit Saint. A mesure qu'il participe à cet amour, l'homme se retrouve alors qu'il est au fond même de la souffrance: il retrouve « l'âme » qu'il croyait avoir « perdue » à cause de la
souffrance.

 


 E essa virtude é a da perseverança em aceitar o que perturba e fere. Agindo assim, o homem liberta a esperança, que sustenta nele a convicção de que o sofrimento não o vencerá, não o privará da dignidade própria do homem, unida à consciência do sentido da sua vida. E esse sentido da vida manifesta-se, ao mesmo tempo, como obra do amor de Deus, que é o dom supremo do Espírito Santo. Ao participar desse amor, o homem se encontra mesmo nas profundezas do sofrimento: ele redescobre a "alma" que pensava ter "perdido" por causa do sofrimento.

 

 
       
 


24. Toutefois, les expériences de l'Apôtre, participant aux souffrances du Christ, vont encore plus loin. Dans la lettre aux Colossiens, nous pouvons lire une phrase qui constitue comme l'ultime étape de l'itinéraire spirituel lié à la souffrance. Saint Paul écrit: « Je trouve ma joie dans les souffrances que j'endure pour vous, et je complète en ma chair ce qui manque aux épreuves du
Christ pour son Corps, qui est l'Eglise »(78). Et il interroge les destinataires d'une autre lettre: « Ne savez-vous pas que vos corps sont des membres du Christ? »(79).
 

 


24. Contudo, as experiências do Apóstolo, participando dos sofrimentos de Cristo, vão ainda mais longe. Na Carta aos Colossenses, podemos ler uma frase que constitui o último estágio da caminhada espiritual ligada ao sofrimento. São Paulo escreve: “Alegro-me nos meus sofrimentos por vós e completo no meu corpo o que falta às aflições de Cristo, em favor do seu corpo, que é a Igreja” (78). E pergunta aos destinatários de outra carta: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?” (79).

 
       
 


Dans le mystère pascal, le Christ a inauguré son union avec l'homme dans la communauté de l'Eglise. Le mystère de l'Eglise s'exprime dans le fait que dès le baptême, qui configure au Christ, puis par son Sacrifice — sacramentellement, par l'Eucharistie —, l'Eglise ne cesse de se construire spirituellement comme corps du Christ. Dans ce corps, le Christ veut être uni à tous les hommes, et il est uni d'une façon particulière à ceux qui souffrent. Les paroles de la lettre aux Colossiens citées plus haut attestent le caractère exceptionnel de cette union. Voici en effet que celui qui souffre en union avec le Christ — comme l'Apôtre Paul endure ses « tribulations» en union avec le Christ — non seulement puise dans le Christ la force dont nous avons parlé précédemment mais aussi « complète » par sa souffrance « ce qui manque aux épreuves du Christ ».
 

 


No Mistério Pascal, Cristo inaugurou a sua união com a humanidade na comunidade da Igreja. O mistério da Igreja expressa-se no facto de que, desde o batismo, que nos configura a Cristo, e depois através do seu Sacrifício — sacramentalmente, através da Eucaristia — a Igreja continua a edificar-se espiritualmente como corpo de Cristo. Neste corpo, Cristo deseja unir-se a todos os homens e une-se de modo particular àqueles que sofrem. As palavras da Carta aos Colossenses citadas acima atestam a natureza excepcional dessa união. De fato, quem sofre em união com Cristo — como o apóstolo Paulo, que suportou suas “tribulações” em união com Cristo — não apenas extrai de Cristo a força da qual falamos anteriormente, mas também “completa”, por meio de seu sofrimento, “o que falta nas aflições de Cristo”.

 
       
 


Dans ce contexte évangélique est mise en relief, de façon particulière, la vérité sur le caractère créateur de la souffrance. La souffrance du Christ a créé le bien de la Rédemption du monde. Ce bien en lui-même est inépuisable et infini. Aucun homme ne peut lui ajouter quoi que ce soit. Mais en même temps, dans le mystère de l'Eglise qui est son corps, le Christ, en un sens, a ouvert sa souffrance rédemptrice à toute souffrance de l'homme. Dans la mesure où l'homme devient participant des souffrances du Christ — en quelque lieu du monde et à quelque moment de l'histoire que ce soit —, il complète à sa façon la souffrance par laquelle le Christ a opéré la Rédemption du monde.
 

 


Nesse contexto evangélico, a verdade sobre a natureza criativa do sofrimento é destacada de maneira especial. O sofrimento de Cristo criou o bem da redenção do mundo. Esse bem é, em si mesmo, inesgotável e infinito. Ninguém pode acrescentar nada a ele. Mas, ao mesmo tempo, no mistério da Igreja, que é o seu corpo, Cristo, em certo sentido, abriu seu sofrimento redentor a todo o sofrimento humano. Na medida em que o homem se torna participante dos sofrimentos de Cristo — em qualquer lugar do mundo e em qualquer época da história — ele completa, à sua maneira, o sofrimento pelo qual Cristo realizou a Redenção do mundo.

 
       
 


Cela veut-il dire que la Rédemption accomplie par le Christ n'est pas complète? Non. Cela signifie seulement que la Rédemption, opérée par la force de l'amour réparateur, reste constamment ouverte à tout amour qui s'exprime dans la souffrance humaine. Dans cette dimension — dans la dimension de l'amour —, la Rédemption déjà accomplie totalement s'accomplit, en un sens, constamment. Le Christ a opéré la Rédemption entièrement et jusqu'à la fin; mais en même temps il n'y a pas mis un terme: dans la souffrance rédemptrice par laquelle s'est opérée la Rédemption du monde, le Christ s'est ouvert des le début, et il s'ouvre constamment, à toute souffrance humaine. Oui, cela semble faire partie de l'essence même de la souffrance rédemptrice du Christ que de tendre à être sans cesse complétée.
 

 


Isso significa que a Redenção realizada por Cristo não está completa? Não. Significa apenas que a Redenção, operada pelo poder do amor restaurador, permanece constantemente aberta a todo amor expresso no sofrimento humano. Nessa dimensão — na dimensão do amor — a Redenção, já plenamente realizada, está, em certo sentido, sendo constantemente continuada. Cristo realizou a Redenção inteiramente e até o fim; mas, ao mesmo tempo, não a encerrou: no sofrimento redentor pelo qual a Redenção do mundo foi realizada, Cristo se abriu desde o princípio, e permanece constantemente aberto, a todo sofrimento humano. Sim, parece ser parte da própria essência do sofrimento redentor de Cristo buscar a sua contínua completude.

 
       
 


C'est donc en ayant une telle ouverture à toute souffrance humaine que le Christ a opéré par sa propre souffrance la Rédemption du monde. En effet, cette Rédemption, bien qu'accomplie en toute plénitude par la souffrance du Christ, vit et se développe en même temps à sa manière dans l'histoire de l'homme. Elle vit et se développe comme le corps du Christ — l'Eglise —, et dans cette dimension toute souffrance humaine, en vertu de l'union dans l'amour avec le Christ, complète la souffrance du Christ. Elle la complète comme l'Eglise complète l'œuvre rédemptrice du Christ.

 


É, portanto, por ter essa abertura a todo sofrimento humano que Cristo, por meio de seu próprio sofrimento, realizou a Redenção do mundo. De fato, essa Redenção, embora plenamente realizada pelo sofrimento de Cristo, vive e se desenvolve simultaneamente, à sua maneira, dentro da história humana. Ela vive e se desenvolve como o corpo de Cristo — a Igreja — e, nessa dimensão, todo o sofrimento humano, em virtude da união no amor com Cristo, completa o sofrimento de Cristo. Completa-o assim como a Igreja completa a obra redentora de Cristo.

 

 
       
 


Le mystère de l'Eglise — de ce corps qui complète aussi en lui-même le corps crucifié et ressuscité du Christ — indique l'espace dans lequel les souffrances humaines complètent les souffrances du Christ. C'est seulement dans ce domaine, dans cette dimension de l'Eglise-corps du Christ se développant continuellement dans l'espace et dans le temps, que l'on peut penser à « ce qui manque » aux épreuves du Christ et que l'on peut en parler. L'Apôtre, du reste, le met clairement en relief quand il parle de compléter « ce qui manque aux épreuves du Christ pour son corps, qui est l'Eglise ».
 

 


O mistério da Igreja — desse corpo que também completa em si mesmo o corpo crucificado e ressuscitado de Cristo — indica o espaço em que o sofrimento humano complementa o sofrimento de Cristo. É somente neste âmbito, nesta dimensão da Igreja — o corpo de Cristo — em constante desenvolvimento no espaço e no tempo, que se pode pensar e falar sobre "o que falta" nas provações de Cristo. O Apóstolo, além disso, enfatiza claramente isso quando fala em completar "o que falta nas provações de Cristo para o seu corpo, que é a Igreja".

 
       
 


L'Eglise,qui puise sans cesse aux sources infinies de la Rédemption, en introduisant cette Rédemption dans la vie de l'humanité, est précisément la dimension dans laquelle la souffrance rédemptrice du Christ peut être constamment complétée par la souffrance de l'homme. Cela met en relief la nature à la fois divine et humaine de l'Eglise. La souffrance semble relever en quelque sorte des caractéristiques de cette nature. Et c'est pourquoi aussi elle a une valeur spéciale aux yeux de l'Eglise. Elle est un bien, devant lequel l'Eglise s'incline avec vénération, dans toute la profondeur de sa foi en la Rédemption. Elle s'incline aussi devant lui dans toute la profondeur de la foi avec laquelle elle accueille en elle-même l'inexprimable mystère du corps du Christ.
 

 


A Igreja, que constantemente bebe das infinitas fontes da Redenção, ao introduzir essa Redenção na vida da humanidade, é precisamente a dimensão na qual o sofrimento redentor de Cristo pode ser continuamente complementado pelo sofrimento humano. Isso destaca a dupla natureza divina e humana da Igreja. O sofrimento parece, de certa forma, fazer parte dessa natureza. E é por isso que ele também tem um valor especial aos olhos da Igreja. É um bem diante do qual a Igreja se curva com reverência, na profundidade de sua fé na Redenção. Ela também se curva diante dele na profundidade da fé com que acolhe em si o mistério inexprimível do Corpo de Cristo.