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1. En expliquant la valeur salvifique de la souffrance, l'Apôtre Paul
écrit: « Je complète en ma chair ce qui manque aux épreuves du Christ
pour son Corps, qui est l'Eglise »(1). Ces paroles semblent se trouver
au terme du chemin qui parcourt longuement les détours de la souffrance
inscrite dans l'histoire de l'homme et éclairée par la Parole de Dieu.
Elles ont presque la valeur d'une découverte définitive qui s'accompagne
de la joie; aussi l'Apôtre écrit-il: « Je trouve ma joie dans les
souffrances que j'endure pour vous »(2). La joie vient de la découverte
du sens de la souffrance, et même si Paul de Tarse, qui écrit ces
paroles, y participe d'une manière très personnelle, cette découverte
vaut en même temps pour les autres. L'Apôtre fait part de sa propre
découverte et il s'en réjouit à cause de tous ceux qu'elle peut aider —
comme elle l'a aidé lui-même — à pénétrer
le
sens salvifique de la souffrance.
2. Le thème de la souffrance — précisément du point de vue de ce sens
salvifique — semble s'intégrer profondément dans le contexte de l'Année
de la Rédemption, le Jubilé extraordinaire de l'Eglise; et cette
circonstance même paraît inviter directement à y être plus attentif
durant cette période. Indépendamment de cela, c'est un thème universel
qui accompagne l'homme sous toutes les longitudes et toutes les
latitudes: en un sens, il est présent avec lui dans le monde, et il
exige donc d'être constamment repris. Même si Paul,
dans sa lettre aux Romains, a écrit que « toute la création jusqu'à ce
jour gémit en travail d'enfantement »(3), même si les souffrances du
monde animal sont connues de l'homme et lui sont proches, ce que nous
exprimons par le mot « souffrance » semble cependant particulièrement
essentiel à la nature de l'homme. Le sens en est aussi profond que
l'homme lui-même précisément parce qu'il manifeste à sa manière la
profondeur propre à l'homme, et à sa manière la dépasse. La souffrance
semble appartenir à la transcendance de l'homme; c'est un des points sur
lesquels l'homme est en un sens « destiné » à se dépasser luimême, et il
y est appelé d'une façon mystérieuse.
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1. « Completo na minha carne — diz o Apóstolo São Paulo, ao explicar o
valor salvífico do sofrimento — o que falta aos sofrimentos de Cristo
pelo seu Corpo, que é a Igreja ». (1) Estas palavras parecem
encontrar-se no termo do longo caminho que se desenrola através do
sofrimento inserido na história do homem e iluminado pela Palavra de
Deus. Elas têm o valor de uma como que descoberta definitiva, que é
acompanhada pela alegria: « Alegro-me nos sofrimentos suportados por
vossa causa ». (2) Esta alegria provém da descoberta do sentido do
sofrimento; e muito embora Paulo de Tarso, que escreve estas palavras,
participe de um modo personalíssimo nessa descoberta, ela é válida ao
mesmo tempo para os outros. O Apóstolo comunica a sua própria descoberta
e alegra-se por todos aqueles a quem ela pode servir de ajuda — como o
ajudou a ele — para penetrar no sentido salvífico do sofrimento.
2. O tema do sofrimento — precisamente sob este ponto de vista do
sentido salvífico — parece estar integrado profundamente no contexto do
Ano da Redenção, o Jubileu extraordinário da Igreja; e também esta
circunstância se apresenta de molde a favorecer directamente uma maior
atenção a dispensar a tal tema exactamente durante este período. Mas,
prescindindo deste facto, tratase de um tema universal, que acompanha o
homem em todos os quadrantes da longitude e da latitude terrestre; num
certo sentido, coexiste com ele no mundo; e por isso, exige ser
constantemente retomado. Ainda que São Paulo tenha escrito na Carta aos
Romanos que « toda a criação tem gemido e sofrido as
dores do parto, até ao presente », (3) e ainda que os sofrimentos do
mundo dos animais sejam bem conhecidos e estejam próximos ao homem,
aquilo que nós exprimimos com a palavra « sofrimento » parece entender
particularmente algo essencial à natureza humana. É algo tão profundo
como o homem, precisamente porque manifesta a seu modo aquela
profundidade que é própria do homem e, a seu modo, a supera. O
sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles
pontos em que o homem está, em certo sentido, « destinado » a superar-se
a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a fazê-lo.
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