DUFTY, Willian.
Sugar Blues
São Paulo: Editora Ground Ltda. 1975. 

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Sugar. Açúcar [Do sânscrito. çarkara, "grãos de areia", prácrito sakkar, atr. do ár. As-sukkar] S. m. Sacarose refinada, C12H22011, produzida pelo múltiplo processamento químico do suco de cana-de-açúcar ou da beterraba e pela remoção de toda fibra e proteína, que representam 90 por cento da planta. Blues. Um estado de depressão ou melancolia revestido de medo, ansiedade e desconforto físico (frequentemente expresso liricamente como uma crônica autobiográfica de um desastre pessoal).
Sugar Blues
. Múltiplas penúrias físicas e mentais causada pelo consumo de sacarose refinada — comumente chamada açúcar.
 

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Sintomático, uma vez que as indústrias de refino de açúcar são notoriamente patrocinadoras habituais dos grandes programas da televisão brasileira. Impossibilitado de dar o seu recado através das câmeras, o autor, cujas afinidades com esta Editora datam de há muito tempo, ofereceu-nos a oportunidade de lançar esta edição brasileira do Sugar Blues — o contundente depoimento sobre o açúcar que abalou a opinião pública e motivou o questionamento, a nível oficial, dos hábitos alimentares dos norte-americanos.
Uma rara oportunidade, se considerarmos as dificuldades habitualmente encontradas para a elaboração de um documento que questiona de maneira irrefutável, o valor de produtos controlados pelas grandes empresas manipuladoras do consumo. E Dufty põe o dedo na ferida: Sugar Blues — originariamente nome de um lamento dos negros americanos do inicio do século e utilizado aqui, com rara propriedade, para definir toda a gama de distúrbios físicos e mentais causados pelo consumo da sacarose refinada, comumente chamada açúcar — é um relato detalhado das circunstâncias escusas que permitiram a ascensão do açúcar da categoria de droga rara e de alto custo, como o ópio, a morfina e a heroína, a sustentáculo da dieta do homem moderno.


A história do açúcar envolve, desde o seu início, a experiência amarga de muitos em garantia da doce vida de poucos. Cultivado por mãos escravas, seu consumo limitou-se inicialmente às elites. O desenvolvimento da industrialização da cana, entretanto, prometia as perspectivas de um mercado altamente promissor: o uso do açúcar, a exemplo de outras drogas formadoras de hábito, garantia um número crescente de ansiosos consumidores.

... o Senado americano permitiu a instalação de uma comissão de inquérito, presidida pelo Senador MacGovern, para apurar as mistificações utilizadas na publicidade e nas embalagens do produto. A acusação de que se utilizava indevidamente o termo “nutritivo” em relação ao açúcar, quando, na realidade, tratava-se de substância antinutriente — o açúcar refinado, constituído de 99% de sacarose, necessita, para ser metabolizado, dos seus componentes originais, tais como cálcio, ferro e vitaminas do complexo B; eliminadas no processo de refinamento, essas substâncias serão literalmente roubadas dos ossos, dos dentes e das reservas orgânicas —, provocou, por parte da junta médica encarregada de defender os interesses do monopólio açucareiro, uma avalancha de meias verdades e afirmativas dúbias que terminaram por conduzir ao arquivamento do processo. O que levou um deputado norte-americano a declarar que o truste do açúcar controla não apenas os preços… controla os governos.



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O Mercado Branco

A nostalgia é uma coisa tão velha quanto Adão. Sempre que fica pesado demais ganharmos o pão nosso de cada dia, com o suor de nosso rosto, somos inclinados — como o próprio Adão — a sentir saudades dos bons velhos tempos. A noção de um idílico passado celestial brota na mitologia de todos os povos. Como todos os mitos universais, este nos espreita das profundezas da memória da raça humana: o Paraíso Perdido do Gênesis, a Idade do Ouro do Taoísmo e do Budismo. Talvez os Jardins do Éden fossem mais do que uma porção delimitada do Oriente Médio; talvez tenham, um dia, englobado grande parte deste planeta, das ilhas da Polinésia a Shangrila, no Tibet.

É impossível não divagarmos sobre como foi. A Bíblia nos dá algumas pistas. Primeiro, não se suava. O homem vivia, naturalmente, da generosidade da natureza. Segundo, não existiam cidades. A palavra civilização significa, nada mais, nada menos, que a arte de viver em cidade. Nos bons velhos tempos não havia nada disso. Terceiro, não existiam doenças. O homem bíblico alcançava uma idade incrível, em comparação aos padrões modernos. Os antigos mapas anatômicos do Oriente registravam não apenas os meridianos da acupuntura, mas também aquilo que no Ocidente chamamos sinais de
nascença — as manchas escuras que aparecem no corpo por ocasião do nascimento, ou mais tarde. Uma marca, aproximadamente 3 centímetros abaixo da parte interna do olho direito de um homem ou do olho esquerdo de uma mulher, indicaria a catastrófica probabilidade de “morte por doença”.

Quando estes mapas foram compilados, milhares de anos atrás, a “morte natural” — simplesmente ir dormir e não mais acordar — era a maneira comum de morrer. E por fim, mas não menos importante, o açúcar refinado (sacarose) não fazia parte da dieta humana.
..

... Por milhares de anos após o jardim do Éden, aquilo que chamamos açúcar continuou desconhecido para o homem. Ele evoluiu e sobreviveu sem ele. Nenhum dos livros antigos o menciona: os Dez Mandamentos, o Código de Manu, o I Ching, o Clássico de Medicina Interna do Imperador Amarelo, o Novo Testamento, o Alcorão...

... Atribui-se à Escola de Medicina e Farmacologia da Universidade de Djondisapour, a Pérola do Império Persa, a pesquisa e desenvolvimento de um processo de solidificação e refino do suco da cana, dando-me uma forma sólida, que poderia ser estocada sem que fermentasse. Transporte e comércio tomavam-se agora possíveis. Isto ocorreu algum tempo após o ano 600 de nossa era, quando os persas começaram a plantar suas próprias mudas de cana-de-açúcar...
 

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A última grande Cruzada terminou em 1204. Poucos anos mais tarde o Quarto Concilio de Latrão reuniu-se em Roma para planejar outras cruzadas contra hereges e judeus. No ano de 1306 o Papa Clemente V — exilado em Avignon — recebeu um apelo em favor da reativação das cruzadas dos bons velhos tempos. Cópias deste apelo foram enviadas aos reis da França, Inglaterra e Sicília. Este antigo documento diplomático delineava uma posição estratégica açucareira voltada para o Sul, tendo como pretexto expulsar para o inferno aqueles crápulas sarracenos.

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“Nas terras do Sultão, o açúcar cresce em grandes quantidades e dele o Sultão recolhe generosas taxas e tributos. Se os cristãos capturassem estas terras, infligiriam grandes danos ao Sultão e, ao mesmo tempo, a cristandade teria todo seu suprimento garantido a partir de Chipre. O açúcar é igualmente cultivado em Morea, Malta e Sicília e cresceria em outras terras cristãs, se lá fosse cultivado. No tocante à cristandade não sobreviriam quaisquer malefícios.

Diante de sinuosas afirmações deste gênero é chegada a hora da cristandade dar sua grande dentada no fruto proibido. O que sobreveio foram sete séculos, nos quais os sete pecados mortais floresceram através dos sete mares, deixando um rastro de escravidão, genocídio e crime organizado.

O historiador inglês Noel Deerr nos diz claramente: ”
Não seria exagero afirmar que o tráfico escravo atingiu a cifra de 20 milhões de africanos, dois terços dos quais sob a responsabilidade do açúcar.“Os portugueses saíram à frente na primeira etapa da corrida europeia ao açúcar. Os sarracenos haviam introduzido o cultivo da cana-de-açúcar na Península Ibérica durante a ocupação. Grandes plantações foram estabelecidas em Valência e Granada. O célebre Infante Dom Henrique explorou a costa ocidental da África à procura de campos para a plantação da cana fora dos domínios árabes. Não encontrou o que procurava mas, em compensação, descobriu muitos corpos negros aclimatados, que poderiam ser escravizados em regiões tropicais, onde a cana-de-açúcar pudesse florescer. Em 1444, Dom Henrique levou 235 negros de Lagos para Sevilha, onde foram vendidos como escravos. Isto foi o começo...

Açúcar e escravidão eram as duas faces da moeda do Império Português. Por volta de 1456 os portugueses detinham o controle do comércio do açúcar na Europa. No entanto, a Espanha não estava muito atrás. Quando os mouros foram expulsos da Espanha deixaram atrás de si seus canaviais em Granada a Andaluzia.

Em sua segunda viagem ao Novo Mundo, no ano de 1493, Cristóvão Colombo levou consigo algumas mudas de cana-deaçúcar, por sugestão da Rainha Isabel. No livro escrito durante esta viagem Pedro Mártir afirma que os exploradores encontraram a cana crescendo nas ilhas de Hispaniola. Colombo sugeriu que levassem nativos das índias Ocidentais para trabalharem nos canaviais espanhóis. Isabel opôs-se à ideia. Quando Colombo enviou à Espanha duas caravelas repletas de escravos a rainha ordenou que retornassem. Após a morte de Isabel o Rei Fernão de Aragão consentiu em recrutar o primeiro grande contingente de escravos africanos, necessários à florescente indústria açucareira de 1510.

Pouco mais tarde os portugueses começaram a cultivar cana no Brasil com o trabalho escravo . Existe um elemento extremamente interessante nesta estratégia açucareira lusa. Enquanto outras nações europeias queimavam seus judeus, hereges e bruxas, os portugueses esvaziaram suas prisões e enviaram os criminosos condenados para a colonização de suas terras no Novo Mundo. N. T. Martim Afonso de Souza fundou, em São Vicente, o primeiro engenho de açúcar do Brasil, em 1532...


 Os “degredados” foram encorajados à miscigenação com as escravas para produzir uma raça híbrida que pudesse sobreviver nos canaviais tropicais.
  No ano de 1560 o Rei Carlos V da Espanha já havia construído seus magníficos palácios, em Madrid e Toledo, com dinheiro proveniente de taxas cobradas sobre o comércio do açúcar. Nenhum outro produto influenciou tanto a História política do mundo ocidental como o açúcar. Ele foi a mola propulsora de grande parte da História do Novo Mundo.

Os impérios português e espanhol cresceram rapidamente em opulência e poder. Da mesma forma que os árabes, também eles entraram rapidamente em declínio. Só podemos especular sobre o fato desse declínio ter sido biológico, ocasionado pela embriaguez de açúcar ao nível da corte. Entretanto, lá estava a Inglaterra esperando para recolher os cacos. A princípio a Rainha Elisabeth I evitou institucionalizar a escravidão nas colônias britânicas, considerando-a “detestável”, uma coisa que poderia “atrair a vingança dos céus” sobre seu reino. Em 1588 seus escrúpulos sentimentais foram superados. A Rainha concedeu uma carta real, estendendo seu reconhecimento à Real Companhia de Aventureiros da Inglaterra na África, concedendo-lhe assim um monopólio de Estado sobre o tráfico de escravos na África Ocidental.

Nas índias Ocidentais, os espanhóis, seguindo a trilha de Colombo, haviam exterminado a população nativa e introduzido escravos africanos para trabalhar em seus canaviais. Em 1515, monges espanhóis ofereciam USS 500 em ouro, como empréstimo, a quem iniciasse um engenho de açúcar. Posteriormente a Armada inglesa expulsaria os espanhóis. Os escravos

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refugiaram-se nas montanhas e começaram uma luta de guerrilhas. Os ingleses anexaram as ilhas por tratados formais; o monopólio da Coroa instalou seus capatazes nos canaviais e assumiu o controle do tráfico escravo. O caldo fermentado da cana era transformado em rum. Os primeiros mercadores de rum traziam a aguardente para Nova York e Nova Inglaterra, onde era trocada por valiosas peles com os índios norte-americanos. Um penny de rum comprava muitas libras de pele que, por sua vez, poderiam ser vendidas na Europa por uma pequena fortuna. Em suas viagens ao Ocidente, a Real Companhia dos Aventureiros da Rainha faria uma visita à costa ocidental da África em busca de escravos; estes eram, então, transportados às índias Ocidentais e vendidos aos plantadores para que plantassem mais cana, fizessem mais melado e rum. Açúcar e pele para a Europa. Rum para os índios americanos. Melado para os colonos norte-americanos. (Este tráfico triangular duraria até que as terras em Barbados e outras ilhas britânicas do Caribe se tornassem gastas, exauridas, esgotadas. Onde nada mais poderia crescer.)

O tráfico de açúcar havia se tornado tão lucrativo que por volta de 1660 os ingleses estavam a ponto de ir à guerra para manter seu monopólio. Os Atos de Navegação de 1660 tiveram como objetivo prevenir o transporte de açúcar, tabaco ou qualquer outro produto das colônias americanas para qualquer porto fora da Inglaterra, Irlanda e possessões britânicas. As colônias desejavam ser livres para fazer comércio com todas as potências europeias. A mãe Inglaterra desejava proteger suas rendas e manter o inestimável monopólio naval. Ela possuía a Armada Real. As colônias não tinham poder de fogo; assim, a Inglaterra dominava os mares… e controlava a indústria e o comércio açucareiro. Por volta de 1860 a palavra açúcar havia se transformado em sinônimo de dinheiro, em inglês.


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Um antigo imperador chinês anteviu — quando o álcool foi descoberto — que este poderia causar uma devastação entre seus súditos, mas não proibiu o seu uso. Entretanto, por volta de 1760, as autoridades imperiais chinesas sentiram-se obrigadas a proibir que se fumasse o ópio, colocando seu comércio fora da lei. Como sempre acontece a proibição fez com que as coisas piorassem. Em vez de permitir interferência em seu lucrativo comércio a Inglaterra preferiu travar as Guerras do Ópio com a China. A Real Companhia das índias Orientais mantinha seu monopólio sobre o cultivo do ópio ali, de maneira muito semelhante à empregada pela Real Companhia das índias Ocidentais para manter o monopólio do cultivo da cana-de-açúcar nas Índias Ocidentais. A venda do ópio — assim como o tráfico do açúcar — tomou-se a base de algumas das grandes fortunas inglesas e americanas. Em ambos os casos o outro lado da moeda de ouro era uma terrível degradação e escravidão humana. As Guerras do Ópio terminaram com o tratado de Nanquim, em 1842, e a importação de ópio pela China foi reiniciada, por insistência britânica, em 1858.

Nessa época, os cientistas haviam trabalhado tanto com o açúcar quanto com o ópio e produzido versões refinadas de ambos. O ópio refinado foi chamado morfina. A mesma revolução industrial, que produzira o motor a vapor e a panela de evaporação, nos trouxe igualmente a invenção da agulha hipodérmica. Injeções de morfina passaram a ser a droga milagrosa da época, uma cura para todos os males, inclusive uma nova doença, recém-descoberta nas nações embriagadas de açúcar, chamada diabetes. Após a Guerra Civil o vício da morfina nos EUA era chamado de “a doença do Exército”. O abuso da morfina por parte dos exércitos da União, no Norte, era tão grande que milhares de veteranos voltaram para suas casas dependentes da coisa ...

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... O cérebro é, provavelmente, o órgão mais sensível do corpo. A diferença entre sentir-se eufórico ou deprimido, são ou insano, calmo ou muito louco, inspirado ou melancólico depende, em larga escala, daquilo que você põe na boca...
 

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A Política da Nutrição

Seria quase impossível que milhões de toneladas de açúcar fossem, por séculos, transportadas através dos mares sem que ocorressem algumas bizarras e tristes aventuras. Uma delas ocorreu no ano de 1793, quando do naufrágio de um navio carregado de açúcar. Os cinco marinheiros sobreviventes foram resgatados após nove dias no mar. Eles foram encontrados numa situação precária devido à inanição.

Sobreviveram comendo nada além de açúcar e rum (como pode ser testemunhado por diversas pessoas, inclusive por mim; é perfeitamente possível sobreviver confortavelmente por nove dias, ou mais, sem alimento ou água. Com um pouco de água, mas sem comida, é possível sobreviver por um período muito maior). O eminente fisiologista francês F. Magendie inspirou-se nesse incidente para realizar uma série de experimentos com animais, que fez publicar em 1816. Ele alimentou alguns cães com uma dieta de açúcar, óleo de oliva e água. Todos os animais enfraqueceram e morreram. Os náufragos e os cães experimentais do fisiologista francês provaram, de uma vez por todas, o mesmo ponto. Como uma dieta constante, o açúcar é pior do que nada. Água pura pode manter uma pessoa viva por um tempo relativamente longo. Açúcar e água podem matá-lo. “Seres humanos são incapazes de subsistir numa dieta de açúcar ...

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Atualmente o sol nunca se põe sobre um cartaz de Coca-Cola; então, os médicos britânicos tomaram isso com uma pista: o livro que escreveram refere-se às terras que um dia fizeram parte do império inglês e outras terras. Eles encaram o homem como uma parte do ambiente, possuindo uma história (como havia feito, séculos atrás, o médico e botânico Rauwolf), e não como sintomas assinalados num papel, simples dados computadores. O trabalho que realizaram é darwiniano no objetivo e produz uma síntese da experiência oriental com o conhecimento ocidental. Suas descobertas vêm em suporte das advertências que levaram nossos amigos do Oriente, a virem ao Ocidente repartir conosco. Seu campo de ação sobre o zulu, em suas terras tribais, contrastando com seus primos repentinamente urbanizados; negros americanos, contrastando com outros africanos; indianos vivendo na Índia comparados com indianos vivendo na África do Sul; índios cherokee comparados com paquistaneses orientais; esquimós confrontados com islandeses; iemenitas em seu próprio país comparados a iemenitas que partiram para uma nova vida em Israel. O consumo de açúcar está relacionado à degeneração física numa escala mundial.
 

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O refino dos carboidratos, como o açúcar branco e a farinha branca, afeta a humanidade em três principais modos:

1. O açúcar refinado pelo homem é oito vezes mais concentrado do que a farinha, e oito vezes mais artificial — talvez oito vezes mais perigoso. É esta artificialidade que engana a língua e o apetite, conduzindo ao consumo excessivo. Quem comeria mais de um quilo de beterrabas por dia? Isto equivale, no entanto, a umas meras sessenta e poucas gramas de açúcar refinado. O consumo excessivo produz diabetes, obesidade e trombose coronária, entre outras coisas.
2. A remoção das fibras vegetais naturais produz cárie nos dentes, doenças nas gengivas, problemas no estômago, veias varicosas, hemorroidas e doença diverticular.
3. A remoção. das proteínas ocasiona úlcera péptica.

A doença das coronárias tem sido, até agora, considerada como uma “complicação” do diabetes. Tanto a doença das coronárias quanto o diabetes têm uma causa comum: açúcar branco e farinha branca. Seria extraordinário se o açúcar e a farinha branca que, reconhecidamente, provocam uma devastação nos dentes não tivessem repercussões igualmente profundas em todas as partes do corpo. Os indianos em Natal, África do Sul, consomem nove vezes mais açúcar do que os indianos que vivem na índia e têm sofrido uma verdadeira explosão de diabetes — acredita-se que seja a maior em todo o mundo. Se as massas da índia tiverem, um dia, essa quantidade de açúcar disponível, as consequências, dentro de uma década ou duas, serão “ameaçadoras demais para serem contempladas”.

A ênfase dos programas de saúde pública deve passar da detecção da doença do açúcar para a nutrição preventiva — principalmente a substituição de carboidratos refinados por outros naturais. A nutrição preventiva pode ter, da mesma forma, que incluir temporariamente o uso “teoricamente incorreto” de adoçantes artificiais que os autores de Diabetes, Coronary Thrombosis, and Saccharine Disease comparam ao uso da pílula anticoncepcional, “indesejável, mas inevitável”.

A heroína foi introduzida como substituto para a morfina, inócuo e que não conduziria ao vício. Mais recentemente, a metadona foi introduzida como um substituto para a morfina, inócuo e que não levaria ao vício. Foi apenas uma questão de tempo para que os sintéticos fossem descobertos como sendo tão perigosos quanto os antigos narcóticos. E assim é com os adoçantes sintéticos, apregoados e comercializados como um inócuo substituto do açúcar. A sacarina e os ciclamatos têm muitos defensores na classe médica. Quando comparados ao açúcar, sempre se pode apresentar um caso científico demonstrando que eles são o menor de dois males. Os cientistas estão trabalhando freneticamente para criar uma nova fórmula para um novo adoçante sintético. Outros cientistas estão trabalhando, frequentemente com o auxilio da indústria do açúcar, para provar que os novos sintéticos são potencialmente perigosos.

O problema que ocorre com todos os adoçantes sintéticos, além do potencial perigo à nossa saúde, é que quanto mais tempo dependemos deles, tanto mais difícil se toma para nós apreciar a doçura natural dos alimentos. A dependência de adoçantes sintéticos, como a dependência de açúcar, insensibiliza nosso paladar, fazendo-o, praticamente, desaparecer. A melhor advertência que encontrei sobre o assunto dos adoçantes artificiais, foi dado pelo Dr. A. Kawahata, famoso nutricionista japonês da Universidade de Kioto, que cita um antigo axioma budista:

Se você procura pela doçura
Sua busca será infindável
Você nunca estará satisfeito
Mas se você busca o verdadeiro paladar
Você vai encontrar o que está procurando.

 


 

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