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Sugar.
Açúcar [Do sânscrito. çarkara, "grãos de areia", prácrito sakkar, atr. do ár.
As-sukkar] S. m. Sacarose refinada, C12H22011, produzida pelo múltiplo
processamento químico do suco de cana-de-açúcar ou da beterraba e pela remoção
de toda fibra e proteína, que representam 90 por cento da planta.
Blues.
Um estado de depressão ou melancolia revestido de medo, ansiedade e desconforto
físico (frequentemente expresso liricamente como uma crônica autobiográfica de
um desastre pessoal).
Sugar Blues.
Múltiplas penúrias físicas e mentais causada pelo consumo de sacarose refinada —
comumente chamada açúcar.
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Sintomático, uma vez que as indústrias
de refino de açúcar são notoriamente patrocinadoras habituais dos grandes
programas da televisão brasileira. Impossibilitado de dar o seu recado através
das câmeras, o autor, cujas afinidades com esta Editora datam de há muito tempo,
ofereceu-nos a oportunidade de lançar esta edição brasileira do Sugar Blues — o
contundente depoimento sobre o açúcar que abalou a opinião pública e motivou o
questionamento, a nível oficial, dos hábitos alimentares dos norte-americanos.
Uma rara oportunidade, se considerarmos as dificuldades habitualmente
encontradas para a elaboração de um documento que questiona de maneira
irrefutável, o valor de produtos controlados pelas grandes empresas
manipuladoras do consumo. E Dufty põe o dedo na ferida: Sugar Blues —
originariamente nome de um lamento dos negros americanos do inicio do século e
utilizado aqui, com rara propriedade, para definir toda a gama de distúrbios
físicos e mentais causados pelo consumo da sacarose refinada, comumente chamada
açúcar — é um relato detalhado das circunstâncias escusas que permitiram a
ascensão do açúcar da categoria de droga rara e de alto custo, como o ópio, a
morfina e a heroína, a sustentáculo da dieta do homem moderno.
A história do açúcar envolve, desde o seu início, a experiência amarga de muitos
em garantia da doce vida de poucos. Cultivado por mãos escravas, seu consumo
limitou-se inicialmente às elites. O desenvolvimento da industrialização da
cana, entretanto, prometia as perspectivas de um mercado altamente promissor: o
uso do açúcar, a exemplo de outras drogas formadoras de hábito, garantia um
número crescente de ansiosos consumidores.
... o Senado
americano permitiu a instalação de uma comissão de inquérito, presidida pelo
Senador MacGovern, para apurar as mistificações utilizadas na publicidade e nas
embalagens do produto. A acusação de que se utilizava indevidamente o termo
“nutritivo” em relação ao açúcar, quando, na realidade, tratava-se de substância
antinutriente — o açúcar refinado, constituído de 99% de sacarose, necessita,
para ser metabolizado, dos seus componentes originais, tais como cálcio, ferro e
vitaminas do complexo B; eliminadas no processo de refinamento, essas
substâncias serão literalmente roubadas dos ossos, dos dentes e das reservas
orgânicas —, provocou, por parte da junta médica encarregada de defender os
interesses do monopólio açucareiro, uma avalancha de meias verdades e
afirmativas dúbias que terminaram por conduzir ao arquivamento do processo. O
que levou um deputado norte-americano a declarar que o truste do açúcar controla
não apenas os preços… controla os governos.
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O Mercado Branco
A nostalgia é uma coisa
tão velha quanto Adão. Sempre que fica pesado demais ganharmos o pão nosso de
cada dia, com o suor de nosso rosto, somos inclinados — como o próprio Adão — a
sentir saudades dos bons velhos tempos. A noção de um idílico passado celestial
brota na mitologia de todos os povos. Como todos os mitos universais, este nos
espreita das profundezas da memória da raça humana: o Paraíso Perdido do
Gênesis, a Idade do Ouro do Taoísmo e do Budismo. Talvez os Jardins do Éden
fossem mais do que uma porção delimitada do Oriente Médio; talvez tenham, um
dia, englobado grande parte deste planeta, das ilhas da Polinésia a
Shangrila,
no Tibet.
É impossível não divagarmos sobre como foi. A Bíblia nos dá algumas pistas.
Primeiro, não se suava. O homem vivia, naturalmente, da generosidade da
natureza. Segundo, não existiam cidades. A palavra civilização significa, nada
mais, nada menos, que a arte de viver em cidade. Nos bons velhos tempos não
havia nada disso. Terceiro, não existiam doenças. O homem bíblico alcançava uma
idade incrível, em comparação aos padrões modernos. Os antigos mapas anatômicos
do Oriente registravam não apenas os meridianos da acupuntura, mas também aquilo
que no Ocidente chamamos sinais de
nascença — as
manchas escuras que aparecem no corpo por ocasião do nascimento, ou mais tarde.
Uma marca, aproximadamente 3 centímetros abaixo da parte interna do olho direito
de um homem ou do olho esquerdo de uma mulher, indicaria a catastrófica
probabilidade de “morte por doença”.
Quando estes mapas foram compilados, milhares de anos atrás, a “morte natural” —
simplesmente ir dormir e não mais acordar — era a maneira comum de morrer. E por
fim, mas não menos importante, o açúcar refinado (sacarose) não fazia parte da
dieta humana...
... Por milhares de anos após o
jardim do Éden, aquilo que chamamos açúcar continuou desconhecido para o homem.
Ele evoluiu e sobreviveu sem ele. Nenhum dos livros antigos o menciona: os Dez
Mandamentos, o Código de Manu, o I Ching, o Clássico de Medicina Interna do
Imperador Amarelo, o Novo Testamento, o Alcorão...
... Atribui-se à Escola de Medicina e
Farmacologia da Universidade de Djondisapour, a Pérola do Império Persa, a
pesquisa e desenvolvimento de um processo de solidificação e refino do suco da
cana, dando-me uma forma sólida, que poderia ser estocada sem que fermentasse.
Transporte e comércio tomavam-se agora possíveis. Isto ocorreu algum tempo após
o ano 600 de nossa era, quando os persas começaram a plantar suas próprias mudas
de cana-de-açúcar...
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A última grande Cruzada terminou em
1204. Poucos anos mais tarde o Quarto Concilio de Latrão reuniu-se em Roma para
planejar outras cruzadas contra hereges e judeus. No ano de 1306 o Papa Clemente
V — exilado em Avignon — recebeu um apelo em favor da reativação das cruzadas
dos bons velhos tempos. Cópias deste apelo foram enviadas aos reis da França,
Inglaterra e Sicília. Este antigo documento diplomático delineava uma posição
estratégica açucareira voltada para o Sul, tendo como pretexto expulsar para o
inferno aqueles crápulas sarracenos.
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“Nas terras do Sultão, o açúcar cresce
em grandes quantidades e dele o Sultão recolhe generosas taxas e tributos. Se os
cristãos capturassem estas terras, infligiriam grandes danos ao Sultão e, ao
mesmo tempo, a cristandade teria todo seu suprimento garantido a partir de
Chipre. O açúcar é igualmente cultivado em Morea, Malta e Sicília e cresceria em
outras terras cristãs, se lá fosse cultivado. No tocante à cristandade não
sobreviriam quaisquer malefícios.
Diante de sinuosas afirmações deste gênero é chegada a hora da cristandade dar
sua grande dentada no fruto proibido. O que sobreveio foram sete séculos, nos
quais os sete pecados mortais floresceram através dos sete mares, deixando um
rastro de escravidão, genocídio e crime organizado.
O historiador inglês Noel Deerr nos diz claramente: ”
Não seria exagero afirmar que o tráfico
escravo atingiu a cifra de 20 milhões de africanos, dois terços dos quais sob a
responsabilidade do açúcar.“Os
portugueses saíram à frente na primeira etapa da corrida europeia ao açúcar. Os
sarracenos haviam introduzido o cultivo da cana-de-açúcar na Península Ibérica
durante a ocupação. Grandes plantações foram estabelecidas em Valência e
Granada. O célebre Infante Dom Henrique explorou a costa ocidental da África à
procura de campos para a plantação da cana fora dos domínios árabes. Não
encontrou o que procurava mas, em compensação, descobriu muitos corpos negros
aclimatados, que poderiam ser escravizados em regiões tropicais, onde a
cana-de-açúcar pudesse florescer. Em 1444, Dom Henrique levou 235 negros de
Lagos para Sevilha, onde foram vendidos como escravos. Isto foi o começo...
Açúcar e escravidão eram as duas faces
da moeda do Império Português. Por volta de 1456 os portugueses detinham o
controle do comércio do açúcar na Europa. No entanto, a Espanha não estava muito
atrás. Quando os mouros foram expulsos da Espanha deixaram atrás de si seus
canaviais em Granada a Andaluzia.
Em sua segunda viagem ao Novo Mundo, no ano de 1493, Cristóvão Colombo levou
consigo algumas mudas de cana-deaçúcar, por sugestão da Rainha Isabel. No livro
escrito durante esta viagem Pedro Mártir afirma que os exploradores encontraram
a cana crescendo nas ilhas de Hispaniola. Colombo sugeriu que levassem nativos
das índias Ocidentais para trabalharem nos canaviais espanhóis. Isabel opôs-se à
ideia. Quando Colombo enviou à Espanha duas caravelas repletas de escravos a
rainha ordenou que retornassem. Após a morte de Isabel o Rei Fernão de Aragão
consentiu em recrutar o primeiro grande contingente de escravos africanos,
necessários à florescente indústria açucareira de 1510.
Pouco mais tarde os portugueses
começaram a cultivar cana no Brasil com o trabalho escravo . Existe um elemento
extremamente interessante nesta estratégia açucareira lusa. Enquanto outras
nações europeias queimavam seus judeus, hereges e bruxas, os portugueses
esvaziaram suas prisões e enviaram os criminosos condenados para a colonização
de suas terras no Novo Mundo. N. T. Martim Afonso de Souza fundou, em São
Vicente, o primeiro engenho de açúcar do Brasil, em 1532...
Os “degredados” foram encorajados à miscigenação com as escravas para
produzir uma raça híbrida que pudesse sobreviver nos canaviais tropicais.
No ano de 1560 o Rei Carlos V da
Espanha já havia construído seus magníficos palácios, em Madrid e Toledo, com
dinheiro proveniente de taxas cobradas sobre o comércio do açúcar. Nenhum outro
produto influenciou tanto a História política do mundo ocidental como o açúcar.
Ele foi a mola propulsora de grande parte da História do Novo Mundo.
Os impérios português e espanhol
cresceram rapidamente em opulência e poder. Da mesma forma que os árabes, também
eles entraram rapidamente em declínio. Só podemos especular sobre o fato desse
declínio ter sido biológico, ocasionado pela embriaguez de açúcar ao nível da
corte. Entretanto, lá estava a Inglaterra esperando para recolher os cacos. A
princípio a Rainha Elisabeth I evitou institucionalizar a escravidão nas
colônias britânicas, considerando-a “detestável”, uma coisa que poderia “atrair
a vingança dos céus” sobre seu reino. Em 1588 seus escrúpulos sentimentais foram
superados. A Rainha concedeu uma carta real, estendendo seu reconhecimento à
Real Companhia de Aventureiros da Inglaterra na África, concedendo-lhe assim um
monopólio de Estado sobre o tráfico de escravos na África Ocidental.
Nas índias
Ocidentais, os espanhóis, seguindo a trilha de Colombo, haviam exterminado a
população nativa e introduzido escravos africanos para trabalhar em seus
canaviais. Em 1515, monges espanhóis ofereciam USS 500 em ouro, como empréstimo,
a quem iniciasse um engenho de açúcar. Posteriormente a Armada inglesa
expulsaria os espanhóis. Os escravos
Pg. 18
refugiaram-se nas
montanhas e começaram uma luta de guerrilhas. Os ingleses anexaram as ilhas por
tratados formais; o monopólio da Coroa instalou seus capatazes nos canaviais e
assumiu o controle do tráfico escravo. O caldo fermentado da cana era
transformado em rum. Os primeiros mercadores de rum traziam a aguardente para
Nova York e Nova Inglaterra, onde era trocada por valiosas peles com os índios
norte-americanos. Um penny
de rum comprava muitas
libras de pele que, por sua vez, poderiam ser vendidas na Europa por uma pequena
fortuna. Em suas viagens ao Ocidente, a Real Companhia dos Aventureiros da
Rainha faria uma visita à costa ocidental da África em busca de escravos; estes
eram, então, transportados às índias Ocidentais e vendidos aos plantadores para
que plantassem mais cana, fizessem mais melado e rum. Açúcar e pele para a
Europa. Rum para os índios americanos. Melado para os colonos norte-americanos.
(Este tráfico triangular duraria até que as terras em Barbados e outras ilhas
britânicas do Caribe se tornassem gastas, exauridas, esgotadas. Onde nada mais
poderia crescer.)
O tráfico de açúcar havia se tornado tão lucrativo que por volta de 1660 os
ingleses estavam a ponto de ir à guerra para manter seu monopólio. Os Atos de
Navegação de 1660 tiveram como objetivo prevenir o transporte de açúcar, tabaco
ou qualquer outro produto das colônias americanas para qualquer porto fora da
Inglaterra, Irlanda e possessões britânicas. As colônias desejavam ser livres
para fazer comércio com todas as potências europeias. A mãe Inglaterra desejava
proteger suas rendas e manter o inestimável monopólio naval. Ela possuía a
Armada Real. As colônias não tinham poder de fogo; assim, a Inglaterra dominava
os mares… e controlava a indústria e o comércio açucareiro. Por volta de 1860 a
palavra açúcar havia se transformado em sinônimo de dinheiro, em inglês.
Pg.20
Um antigo imperador
chinês anteviu — quando o álcool foi descoberto — que este poderia causar uma
devastação entre seus súditos, mas não proibiu o seu uso. Entretanto, por volta
de 1760, as autoridades imperiais chinesas sentiram-se obrigadas a proibir que
se fumasse o ópio, colocando seu comércio fora da lei. Como sempre acontece a
proibição fez com que as coisas piorassem. Em vez de permitir interferência em
seu lucrativo comércio a Inglaterra preferiu travar as Guerras do Ópio com a
China. A Real Companhia das índias Orientais mantinha seu monopólio sobre o
cultivo do ópio ali, de maneira muito semelhante à empregada pela Real Companhia
das índias Ocidentais para manter o monopólio do cultivo da cana-de-açúcar nas
Índias Ocidentais. A venda do ópio — assim como o tráfico do açúcar — tomou-se a
base de algumas das grandes fortunas inglesas e americanas. Em ambos os casos o
outro lado da moeda de ouro era uma terrível degradação e escravidão humana. As
Guerras do Ópio terminaram com o tratado de Nanquim, em 1842, e a importação de
ópio pela China foi reiniciada, por insistência britânica, em 1858.
Nessa época, os cientistas haviam trabalhado tanto com o açúcar quanto com o
ópio e produzido versões refinadas de ambos. O ópio refinado foi chamado
morfina. A mesma revolução industrial, que produzira o motor a vapor e a panela
de evaporação, nos trouxe igualmente a invenção da agulha hipodérmica. Injeções
de morfina passaram a ser a droga milagrosa da época, uma cura para todos os
males, inclusive uma nova doença, recém-descoberta nas nações embriagadas de
açúcar, chamada diabetes. Após a Guerra Civil o vício da morfina nos EUA era
chamado de “a doença do Exército”. O abuso da morfina por parte dos exércitos da
União, no Norte, era tão grande que milhares de veteranos voltaram para suas
casas dependentes da coisa ...
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... O cérebro é,
provavelmente, o órgão mais sensível do corpo. A diferença entre sentir-se
eufórico ou deprimido, são ou insano, calmo ou muito louco, inspirado ou
melancólico depende, em larga escala, daquilo que você põe na boca...
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A Política da Nutrição
Seria quase impossível que
milhões de toneladas de açúcar fossem, por séculos, transportadas através dos
mares sem que ocorressem algumas bizarras e tristes aventuras. Uma delas ocorreu
no ano de 1793, quando do naufrágio de um navio carregado de açúcar. Os cinco
marinheiros sobreviventes foram resgatados após nove dias no mar. Eles foram
encontrados numa situação precária devido à inanição.
Sobreviveram comendo nada além de açúcar e rum (como pode ser testemunhado por
diversas pessoas, inclusive por mim; é perfeitamente possível sobreviver
confortavelmente por nove dias, ou mais, sem alimento ou água. Com um pouco de
água, mas sem comida, é possível sobreviver por um período muito maior). O
eminente fisiologista francês F. Magendie inspirou-se nesse incidente para
realizar uma série de experimentos com animais, que fez publicar em 1816. Ele
alimentou alguns cães com uma dieta de açúcar, óleo de oliva e água. Todos os
animais enfraqueceram e morreram. Os náufragos e os cães experimentais do
fisiologista francês provaram, de uma vez por todas, o mesmo ponto. Como uma
dieta constante, o açúcar é pior do que nada. Água pura pode manter uma pessoa
viva por um tempo relativamente longo. Açúcar e água podem matá-lo. “Seres
humanos são incapazes de subsistir numa dieta de açúcar ...
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Atualmente o sol nunca se põe sobre um
cartaz de Coca-Cola; então, os médicos britânicos tomaram isso com uma pista: o
livro que escreveram refere-se às terras que um dia fizeram parte do império
inglês e outras terras. Eles encaram o homem como uma parte do ambiente,
possuindo uma história (como havia feito, séculos atrás, o médico e botânico
Rauwolf), e não como sintomas assinalados num papel, simples dados computadores.
O trabalho que realizaram é darwiniano no objetivo e produz uma síntese da
experiência oriental com o conhecimento ocidental. Suas descobertas vêm em
suporte das advertências que levaram nossos amigos do Oriente, a virem ao
Ocidente repartir conosco. Seu campo de ação sobre o zulu, em suas terras
tribais, contrastando com seus primos repentinamente urbanizados; negros
americanos, contrastando com outros africanos; indianos vivendo na Índia
comparados com indianos vivendo na África do Sul; índios cherokee comparados com
paquistaneses orientais; esquimós confrontados com islandeses; iemenitas em seu
próprio país comparados a iemenitas que partiram para uma nova vida em Israel. O
consumo de açúcar está relacionado à degeneração física numa escala mundial.
Pg.92
O refino dos carboidratos, como o açúcar
branco e a farinha branca, afeta a humanidade em três principais modos:
1. O açúcar refinado pelo homem é oito vezes mais concentrado do que a farinha,
e oito vezes mais artificial — talvez oito vezes mais perigoso. É esta
artificialidade que engana a língua e o apetite, conduzindo ao consumo
excessivo. Quem comeria mais de um quilo de beterrabas por dia? Isto equivale,
no entanto, a umas meras sessenta
e poucas gramas de açúcar refinado. O consumo excessivo produz diabetes,
obesidade e trombose coronária, entre outras coisas.
2. A remoção das fibras vegetais naturais produz cárie nos dentes, doenças nas
gengivas, problemas no estômago, veias varicosas, hemorroidas e doença
diverticular.
3. A remoção. das proteínas ocasiona úlcera péptica.
A doença das coronárias tem sido, até
agora, considerada como uma “complicação” do diabetes. Tanto a doença das
coronárias quanto o diabetes têm uma causa comum: açúcar branco e farinha
branca. Seria extraordinário se o açúcar e a farinha branca que,
reconhecidamente, provocam uma devastação nos dentes não tivessem repercussões
igualmente profundas em todas as partes do corpo. Os indianos em Natal, África
do Sul, consomem nove vezes mais açúcar do que os indianos que vivem na índia e
têm sofrido uma verdadeira explosão de diabetes — acredita-se que seja a maior
em todo o mundo. Se as massas da índia tiverem, um dia, essa quantidade de
açúcar disponível, as consequências, dentro de uma década ou duas, serão
“ameaçadoras demais para serem contempladas”.
A ênfase dos programas de saúde pública deve passar da detecção da doença do
açúcar para a nutrição preventiva —
principalmente a substituição de carboidratos refinados por outros naturais. A
nutrição preventiva pode ter, da mesma forma, que incluir temporariamente o uso
“teoricamente incorreto” de adoçantes artificiais que os autores de Diabetes, Coronary Thrombosis, and Saccharine Disease comparam ao uso da pílula
anticoncepcional, “indesejável, mas inevitável”.
A heroína foi introduzida como substituto para a morfina, inócuo e que não
conduziria ao vício. Mais recentemente, a metadona foi introduzida como um
substituto para a morfina, inócuo e que não levaria ao vício. Foi apenas uma
questão de tempo para que os sintéticos fossem descobertos como sendo tão perigosos quanto os antigos narcóticos.
E assim é com os adoçantes sintéticos, apregoados e comercializados como um
inócuo substituto do açúcar. A sacarina e os ciclamatos têm muitos defensores na
classe médica. Quando comparados ao açúcar, sempre se pode apresentar um caso
científico demonstrando que eles são o menor de dois males. Os cientistas estão
trabalhando freneticamente para criar uma nova fórmula para um novo adoçante
sintético. Outros cientistas estão trabalhando, frequentemente com o auxilio da
indústria do açúcar, para provar que os novos sintéticos são potencialmente
perigosos.
O problema que ocorre com todos os adoçantes sintéticos, além do potencial
perigo à nossa saúde, é que quanto mais
tempo dependemos deles, tanto mais difícil se toma para nós apreciar a doçura
natural dos alimentos. A dependência de adoçantes sintéticos, como a dependência
de açúcar, insensibiliza nosso paladar, fazendo-o, praticamente, desaparecer.
A melhor advertência que encontrei sobre o assunto dos adoçantes artificiais,
foi dado pelo Dr. A. Kawahata, famoso
nutricionista japonês da Universidade de Kioto, que cita um antigo axioma
budista:
Se você procura pela
doçura
Sua busca será infindável
Você nunca estará satisfeito
Mas se você busca o verdadeiro paladar
Você vai encontrar o que está procurando.
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